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Fibrilação atrial: você sabe quando indicar ablação?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A expectativa pelos resultados do CABANA trial era muito grande entre os cardiologistas clínicos e os especialistas em arritmias. Todos queriam saber se era melhor tratar os pacientes com fibrilação atrial (FA) de modo conservador (medicamentos para controle de ritmo) ou de modo invasivo (ablação por radiofrequência), no que tange à melhoria da qualidade de vida e/ou morbimortalidade. Fato é que os dois estudos dessa coorte publicados no JAMA em março não foram tão animadores, mas não por isso desprezíveis. Foi o que sintetizou um editorial publicado na mesma revista.

Ablação na fibrilação atrial

Em relação ao desfecho primário (composto de morte, acidente vascular encefálico, sangramento maior e parada cardíaca), o resultado foi neutro entre os grupos. No entanto, as taxas de recorrência de FA e internação pela doença foram menores no grupo da estratégia invasiva. Lembrando que os centros e os eletrofisiologistas participantes do estudo eram experientes e os procedimentos demonstraram boa segurança. Mesmo assim, a taxa de recorrência em quatro anos foi de 50% e um quinto dos pacientes já foram submetidos a uma segunda ablação durante o seguimento. Isso deve ser sempre ser levado em consideração na prática clínica.

Em relação ao desfecho secundário de melhoria na qualidade de vida, ambos os grupos tiveram resultados positivos; no grupo da estratégia invasiva, o benefício foi maior e mais duradouro, mormente entre os mais sintomáticos. Resultados também encontrados no CAPTAF trial, publicado no mesmo periódico. Ressalva deve ser feita no aspecto de que tais estudos que envolvem intervenção não tiveram desenho duplo-cego, ou seja, há que se considerar potenciais vieses, como o efeito placebo do procedimento.

Conclusão

Portanto, ainda não há indicação absoluta para ablação como estratégia inicial de controle de ritmo. O sucesso imediato e tardio do procedimento vai depender primordialmente da seleção individualizada do melhor perfil de paciente. No atual cenário, os mais beneficiados seriam os pacientes muito sintomáticos, que mesmo após tratamento clínico (controle de fatores de risco e medicamentos), ainda persistam refratários, com internações frequentes e com qualidade de vida prejudicada.

Especialmente aqueles doentes que já apresentam algum grau de insuficiência cardíaca associado ao quadro clínico. Discutir as estratégias e explicar os riscos e benefícios do procedimento faz parte do ato médico e se mostra fundamental nesse contexto.

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Referências:

  • Albert CM, Bhatt DL. Catheter Ablation for Atrial Fibrillation: Lessons Learned From CABANA. JAMA.2019;321(13):1255–1257. doi:10.1001/jama.2018.17478.

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