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Fórmulas e compostos lácteos: você sabe utilizá-los?

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Fórmulas ou compostos lácteos? Não existem dúvidas de que o leite materno é o melhor alimento para crianças até seis meses de idade. Além disso, o aleitamento materno deve ser mantido até pelo menos dois anos de idade, devendo ser incentivado pelos profissionais de saúde que lidam diretamente ou indiretamente com a saúde infantil. Orientar as melhores práticas para que o aleitamento materno seja bem sucedido, inclusive utilizando estratégias como a relactação quando houver suspensão precoce e não indicada do aleitamento materno, deve fazer parte do rol de habilidades dos pediatras gerais. 

Na prática clínica, porém, algumas situações podem ser associadas ao aleitamento materno, como por exemplo, casos de infecção materna pelo HIV ou HTLV. Nesses casos, o pediatra deve saber indicar e orientar o melhor tipo de leite para que haja substituição adequada do leite materno, sem prejuízo nutricional da criança.

No consultório ou no ambulatório de atenção básica, muitas vezes somos questionados a respeito da diferença entre as fórmulas lácteas e os compostos lácteos. Muitos pais querem saber qual desses alimentos é o melhor para seus filhos. Essas famílias são influenciadas por propagandas e comerciais que disputam as narrativas sobre qual é o melhor alimento lácteo para uma criança. 

Sendo assim, cabe a pergunta para você que trabalha com crianças: você sabe indicar qual é o melhor alimento lácteo para uma criança em que não está disponível o aleitamento materno? Você sabe a diferença entre os principais produtos disponíveis no mercado?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou em outubro de 2020 um documento com intuito de esclarecer os pediatras a respeito dessas questões, e é baseado nesse documento que apresentaremos aqui alguns pontos fundamentais a respeito desse assunto. 

Considerações sobre a oferta láctea para crianças

Devemos reforçar que o uso de substitutos de leite humano só deve ser realizado nas situações em que se esgotaram todas as tentativas de manter o aleitamento materno, de forma total ou parcial. Sendo assim, nunca podem ser considerados como primeira escolha.   Outros pontos que devemos trazer para discussão incluem: 

  • uma introdução alimentar bem feita e a ingestão rotineira de alimentos ricos nutricionalmente, incluindo frutas, legumes e verduras, assegura a oferta de macro e micronutrientes fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das crianças; 
  • Após um ano de idade, o crescimento da criança desacelera, e com isso, a necessidade de ingestão alimentar também reduz. Os pais podem ter uma percepção de que seus filhos estão comendo mal, e com isso, aumentarem a oferta de produtos lácteos de forma desnecessária e até prejudicial, uma vez que pode haver aumento da oferta proteica de forma excessiva; 
  • Na ausência de leite materno, o consumo de 600 mL de leite de vaca in natura leva ao consumo adequado das necessidades de cálcio após um ano de idade. O leite de vaca, porém, não é recomendado em menores de um ano de idade. 

Diferenças entre fórmulas e compostos lácteos

As fórmulas lácteas se dividem em fórmulas infantis ou de segmento para lactentes, que são indicadas de 0-12 meses de idade, e as fórmulas infantis de seguimento para crianças da 1° infância, indicadas para crianças entre 1-3 anos de idade. São compostos regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) com necessidade de comprovação de suas qualidades nutricionais. Além disso, apresentam exigências de requisitos específicos da formulação de acordo com a faixa etária, podendo conter apenas elementos que também estão presentes no leite materno, com obrigatoriedade de adequação de aminoácidos, vitaminas e minerais. A adição de poucos aditivos é permitida, mas não podem ser adicionados corantes.  

Já os compostos lácteos não apresentam faixa etária alvo, não podendo ser utilizados em menores de um ano de idade. São regulados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), seguindo a exigência mínima apenas de proteínas e gorduras. Podem ser adicionados açúcares e aditivos alimentares, incluindo corantes e aromatizantes. Além disso, o mínimo exigido de ingredientes lácteos é de 51%, não podendo ser caracterizados como leites (embora muitas propagandas induzam os consumidores a crerem que os compostos lácteos são leites). 

Comitês europeus (ESPGHAN e EFSA), assim como a própria SBP, sugerem que o uso de compostos lácteos em crianças maiores de um ano não é obrigatório, não devendo ser prescritos de forma rotineira. Porém, sugerem que esses compostos podem ser utilizados em situações de dificuldade de ingestão de ferro, vitamina D e ácidos graxos poli-insaturados. A Academia Americana de Pediatria (AAP) não recomenda o uso de compostos lácteos devido à adição de açúcares.

Recomendações 

Sendo assim, podemos resumir as recomendações da seguinte forma: 

  • O aleitamento materno deve sempre ser a prioridade até 2 anos de idade, pelo menos; 
  • Os substitutos lácteos só devem ser oferecidos quando esgotados todos os meios para manter o aleitamento materno, seja de forma total ou parcial; 
  • Em crianças menores de um ano de idade que não estejam em aleitamento materno, o uso de fórmulas lácteas infantis ou de segmento deve ser realizado, uma vez que os outros compostos não são liberados para essa faixa etária; 
  • Em crianças que consomem alimentos ricos nutricionalmente, o leite de vaca in natura pode ser considerado uma boa opção a partir de um ano de idade. As fórmulas lácteas de seguimento para crianças da 1° infância também estão indicadas, mas o preço deve ser considerado na hora de prescrever.  
  • Os compostos lácteos podem ser utilizados em crianças acima de um ano de idade, como estratégia de aumento de consumo de vitamina D, ferro e ácidos graxos poli-insaturados. Podem ser indicados para crianças com dificuldades para alcançar as necessidades de macro e micronutrientes com a alimentação habitual. São mais baratos que as fórmulas lácteas, e como possuem adição de micronutrientes (o que não ocorre com o leite de vaca), são uma opção para esses casos. Sempre preferir compostos lácteos com composição proteica com pelo menos o mínimo do indicado nas fórmulas lácteas. Optar também por compostos lácteos com poucos aditivos e açúcares. 

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Referências bibliográficas:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Fórmulas e compostos lácteos infantis: em que diferem? Departamento científico de nutrologia. N.° 7, outubro de 2020.

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