Página Principal > Colunistas > Gestão de tempo e burnout: como isso afeta o cotidiano médico?
saúde mental enfermeiros

Gestão de tempo e burnout: como isso afeta o cotidiano médico?

Tempo de leitura: 3 minutos.

Embora não seja um transtorno psiquiátrico reconhecido oficialmente, o transtorno de sobrecarga de trabalho, ou síndrome de burnout, tem sido tema amplo de discussão entre os diversos profissionais de saúde. Entre os médicos, o debate tem ganhado ampla atenção devido ao impacto no rendimento em prática médica e piora de qualidade de vida do profissional.

O impacto social dos sintomas de burnout varia desde aumento dos custos devido incapacidade laboral, diminuição da satisfação do usuário de saúde, maior incidência de erros médicos e aumento do número de suicídios entre os profissionais. Embora seja de componentes multifatoriais, o burnout sofre uma amplificação de intensidade de sintomas quando no contexto em que ocorre a sobrecarga profissional também não estratégias eficientes de gestão de tempo.

Diante disso, a American Association of Family Physicians elaborou um manual com três recomendações simples para maior eficiência na gestão do tempo e com isso melhorar a performance do profissional de saúde a partir da redução da sobrecarga de trabalho. A recomendação se baseia em três questionamentos-chave:

• Essa atividade precisa mesmo ser executada?
• Essa atividade precisa ser executada agora?
• Se precisar ser executada agora, precisa ser executada por mim?

1) Aprenda a dizer não

Um das competências do profissional de saúde deve ser sua capacidade de assertividade. Ou seja, sua habilidade de determinar seus limite diante dos estímulos. A determinação de assertividade pode ser entendida em certos contextos como a capacidade de se negar pedidos ou solicitações que interrompem o profissional durante seu período de atuação.

No cenário de urgência isso pode aparecer como um pedido de reavaliação não urgente, ou o pedido de priorizar um atendimento clínico em detrimento de outro atendimento já aguardando na fila para sua realização. No cenário da atenção básica isso pode representar um pedido de renovação de receita, pedido de consulta extra ou mesmo pedido de adiantamento de consulta em relação aos demais pacientes aguardando atendimento.

Leia mais: Como o Burnout acomete médicos na atenção primária?

Outro cenário em que isso é possível é o de solicitação de horários extra de trabalho sem que o planejamento prévio tenha sido aprovado. Esses itens revelam de modo simples, porém eficaz, uma maneira de se demonstrar seus limites profissionais. Negar uma solicitação não configura um erro em si, a priori; contudo, a forma como se fala a negativa é determinante no impacto que isso representará para o indivíduo.

2) Determinação de prioridades

As perguntas citadas anteriormente são as que norteiam a gestão do tempo para o profissional de saúde, especialmente na atenção primária. Essas perguntas são cruciais para elencar as prioridade de atendimento da equipe não só no dia como durante o seguimento. A partir da determinação de prioridades juntamente com a equipe de enfermagem o protocolo de atendimento tende a ser fluído. Quando você tem as três negativas o tema em foco não se torna uma prioridade e pode ser remanejado sem pressa.

3) Previna interrupções futuras

Prevenir interrupções futuras é uma das maneiras mais eficazes de se otimizar o tempo do profissional. Para isso é necessário sempre que se determinar uma nova atividade realizar o agendamento tendo em mente duas perguntas a serem respondidas “Como você fará isso?” e “Quando você terá feito isso?”. Por exemplo, você está agendando uma visita domiciliar com seu agente de saúde e então realiza o agendamento realizando os dois questionamentos.

Quando for o momento de finalizar o agendamento você pode dizer: “A consulta ficou agendada para 30 dias; vou te lembrar dessa data por mensagem de texto (Como?) e confirmarei o atendimento na semana anterior (Quando?) à consulta.”. Dessa maneira o profissional evitou a abordagem do paciente fora do horário de atendimento, evitando desgaste desnecessário, e ampliou a possibilidade de oferta de consultas ara o mesmo período.

Dessa forma, a gestão eficiente do tempo do profissional é peça fundamente para o bom funcionamento do serviço médico. Seja na atenção primária ou no serviço de pronto atendimento os passos citados podem e devem ser seguidos para organização imediata do processo de trabalho.

O treinamento dessa habilidade social de gestão do tempo é parte fundamental da formação do profissional de atenção básica. No caso do médico de família e comunidade o emprego das habilidade de comunicação para gestão de conflitos de pessoas é componente mínimo do currículo baseado em competências da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade

Na prática o que de fato muda para todo e qualquer profissional de saúde, com sintomas de burnout ou não, é que há benefícios reais em promover a habilidade social de assertividade e quando for abrir mão de alguma prioridade sua já elencada, lembre-se sempre de peneira a habilidade com os três filtros e então conseguir cumprir sempre todas as suas tarefas.

É médico e também quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Referências:

  • VELASCCO, Patírcia Protecting the Time You’ve Got Fam Pract Manag. 2001 Jul-Aug;8(7):60.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.



Esse site utiliza cookies. Para saber mais sobre como usamos cookies, consulte nossa política.