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enfermeiro tocando a mão de paciente com hanseníase

Hanseníase: Brasil permanece em 2ª posição no registro de novos casos

Tempo de leitura: 3 minutos.

A hanseníase, que já foi conhecida no passado como lepra, é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo território nacional. Seu agente etiológico é o Micobacterium leprae, bacilo capaz de infectar muitos indivíduos, e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos.

Infelizmente, o Brasil ainda ocupa a segunda posição mundial no registro de novos casos, ficando atrás apenas da Índia. Logo, estes altos indicadores fazem com que a hanseníase permaneça como um importante problema de saúde pública no país, onde o Ministério da Saúde segue dando prioridade ao programa para sua eliminação.

Com um grande período de incubação, a doença demora em média de 2 a 7 anos para manifestar sinais e sintomas. Existem referências com períodos mais curtos, de sete meses, como também mais longos, de dez anos.

A transmissão ocorre especialmente pelas vias aéreas superiores (gotículas liberadas na tosse ou espirro) e a infecção subclínica é bastante comum.

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Portanto a doença pode ser dividida em quatro tipos:

  • Indeterminada: quando não há comprometimento dos troncos nervosos;
  • Tuberculoide: quando já há distúrbios de sensibilidade;
  • Dimorfa: que é uma forma de transição;
  • Virchowiana: que é o único tipo contagioso.

A forma clínica inicial (hanseníase indeterminada) tem um espectro clínico histopatológico que varia desde:

  • Tuberculoide: uma forma de maior resistência;
  • Lepromatoso: sem resistência ao bacilo;
  • Borderline: forma intermediária.

A hanseníase pode ser classificada pelo tipo e número de áreas da pele afetadas:

  • Paucibacilar: até cinco lesões na pele sem detecção de bactéria nas amostras destas áreas;
  • Multibacilar: acima de seis lesões na pele, detecção de bactéria nas amostras das lesões da pele, ou ambos.

Como identificar a hanseníase

Como sinais e sintomas, a doença pode apresentar:

  • Manchas hipocrômicas e esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer região do corpo, apresentando perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades dos membros superiores e inferiores, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas;
  • Áreas com redução dos pelos e do suor;
  • Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas;
  • Edema de mãos e pés;
  • Redução da sensibilidade e/ou da força muscular da face, mãos e pés, devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos;
  • Úlceras de pernas e pés;
  • Nódulos, em alguns podendo estar avermelhados e dolorosos;
  • Juntas apresentando febre, edemas e dor;
  • Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
  • Olhos ressecados.

O seu diagnóstico é clínico e epidemiológico, realizado por meio do exame geral e dermatoneurológico para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.

Em crianças, o diagnóstico necessita de uma avaliação ainda mais criteriosa, em vista da dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade. A identificação de infecção em crianças, podem sinalizar transmissão ativa da doença, especialmente entre os familiares, o que deve, portanto, intensificar a investigação dos contatos.

O tratamento ainda é realizado através de esquemas terapêuticos com rifampicina, dapsona, clofazimina e corticoides (reações inflamatórias das reações hansêmicas), e apresenta eficácia quando seguido da forma correta.

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Hanseníase no Brasil

É sabido que a hanseníase apresenta forte relação com as condições econômicas, sociais e ambientais desfavoráveis. E, no Brasil, apresenta uma distribuição heterogênea, com altas concentrações nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, importantes áreas de transmissão da doença.

Fazendo com que os considerados “focos” sejam mantidos, visto que é difícil interromper esta cadeia de transmissão.

A dificuldade de acesso à rede de serviços disponibilizados pelo governo por parte da população, sugere que há uma carência e urgência na incorporação de novas estratégias para oferecer assistência integral à população acometida pela doença.

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Autor:

Referências bibliográficas:

  • Mendonça, Vanessa Amaral et al. Imunologia da hanseníase immunology of leprosy. An Bras Dermatol, 2008;
  • Lastória, Joel Carlos; ABREU, M. A. M. M. Hanseníase: diagnóstico e tratamento. Diagn Tratamento, 2012;
  • Gonçalves, Soraya Diniz; SAMPAIO, Rosana Ferreira; ANTUNES, Carlos Maurício de Figueiredo. Fatores preditivos de incapacidades em pacientes com hanseníase. Revista de Saúde Pública, 2009;
  • Blanco, José Ramón; Raoult, Didier. Enfermedades Producidas por Bartonella Spp. Enfermedades Infecciosas Y Microbiologia Clinica, 2005;
  • Fitzpatrick TB, Wolff K. Fitzpatrick: tratado de dermatologia. Revinter; 2011;
  • Neto CF, Cucé LC, Dos Reis VMS. Manual de Dermatologia. Editora Manole, 2013.

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