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médico realizando uma endoscopia no hospital

Hemorragia digestiva aguda: endoscopia de urgência é efetiva?

Tempo de leitura: 2 minutos.

A hemorragia digestiva aguda, evidenciada clinicamente pela exteriorização de hematêmese, melena ou enterorragia, pode resultar em grave morbidade e mortalidade, sendo uma causa frequente de hospitalização de urgência. As hemorragias que decorrem de lesões proximais ao ligamento de Treitz são consideradas hemorragias digestivas altas e, distais a este, hemorragias digestivas baixas.

As hemorragias digestivas altas de etiologia não varicosa são causadas principalmente por úlcera péptica gastroduodenal, lesão aguda de mucosa gastroduodenal, laceração aguda da transição esôfago-gástrica (Mallory-Weiss), câncer gástrico e esofagites. Apesar dos notáveis avanços em tratamentos médicos e intervenções endoscópicas, a mortalidade por hemorragia digestiva alta na sua forma aguda permanece elevada em até 14%.

Veja também: ‘Prevendo mortalidade na Hemorragia Digestiva Alta’

Publicado no Clinical Gastroenterology and Hepatology, um estudo investigou os desfechos clínicos de pacientes com alto risco de hemorragia digestiva alta e foi determinado se a endoscopia de urgência é efetiva.

Para isso, foram avaliados pacientes consecutivos com escore de Glasgow-Blatchford > 7 que foram submetidos à endoscopia para hemorragia digestiva alta na forma aguda em um serviço de emergência de 1º de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2014. As endoscopias de urgência (<6 h) e eletivas (6-48 h) foram definidas de acordo com o tempo de endoscopia após a apresentação inicial.

Entre 961 pacientes, 571 receberam endoscopia de urgência. Os pacientes submetidos à endoscopia de urgência foram mais velhos do que aqueles submetidos à endoscopia eletiva (58,3 ± 14,8 vs. 55,2 ± 15,1 anos, p=0001). Malignidade e cirrose hepática foram observadas em 26,8% e 15,0% dos pacientes, respectivamente, essas comorbidades não foram diferentes entre os grupos. O câncer gastrointestinal foi a doença maligna mais comum observada (79,3%). A mortalidade de 28 dias foi de 2,5% e a taxa de ressangramento foi de 10,4%.

Os resultados do estudo mostraram que houve diferença significativa na mortalidade (1,6% vs. 3,8%), transfusão de glóbulos vermelhos (2,6 ± 2,5 vs. 2,3 ± 2,1 pacotes), necessidade de intervenção (69,5% vs. 53,5%) e embolização (2,8% vs. 0,5%), mas não houve diferença no ressangramento, admissão da unidade de terapia intensiva, uso de vasopressores e duração da permanência entre os grupos de endoscopia de urgência e eletiva.

A mortalidade foi associada à malignidade (odds ratio [OR]: 3,58; intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,33 a 9,62), cirrose (OR: 4,67; IC 95%: 1,85 a 11,76), endoscopia de urgência (OR: 0,36; IC 95%: 0,14 a 0,95), falha do tratamento endoscópico primário (OR: 15,03; IC 95%: 4,63 a 48,82) e ressangramento (OR: 2,77; IC 95%: 1,03 a 7,45).

O ressangramento foi associado com úlceras Forrest I (OR: 7,67; IC 95%: 2,71 a 21,69), úlceras Forrest II (OR: 2,34; IC 95%: 1,51 a 3,60) e coagulopatia (OR: 2,34; IC 95%: 1,51 a 3,60).

Com base nos resultados deste estudo, pode-se concluir que a endoscopia de urgência foi um preditor independente de menor mortalidade, mas não associada ao ressangramento em pacientes com alto risco de hemorragia digestiva alta.

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Autora:

Referências:

  • Cho S-H, Lee Y-S, Kim Y-J, Sohn CH, Ahn S, Seo D-W, Kim WY, Lee JH, Lim KS, Outcomes and role of urgent endoscopy in high-risk patients with acute nonvariceal gastrointestinal bleeding, Clinical Gastroenterology and Hepatology (2017), doi: 10.1016/j.cgh.2017.06.029.

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