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O implante coclear é um aparelho eletrônico digital de alta complexidade tecnológica que pode restaurar a função auditiva nos pacientes portadores de surdez severa a profunda que não se beneficiam com o uso de próteses auditivas convencionais, inclusive de crianças.

O implante funciona estimulando diretamente o nervo auditivo através de pequenos eletrodos colocados dentro da cóclea. Estes estímulos são levados via nervo auditivo para o cérebro.

Diferentemente dos casos de surdez pós-lingual, os pacientes que já nasceram com uma grande perda auditiva ou que a adquiriram antes dos três anos de idade podem encontrar dificuldades na aquisição espontânea do seu idioma materno, sendo recomendada a intervenção familiar, médica e fonoaudiológica para evitar atrasos no desenvolvimento linguístico e no aprendizado.

“O principal sintoma de surdez em crianças é o atraso da linguagem quando ainda não desenvolvida, troca de fonemas, colocar dispositivos de mídia em volume mais alto que o normal, pedir toda hora para repetir frases, desatenção frequente em atividades”, diz o coordenador do Departamento de Implante Coclear da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, Felippe Felix.

Esse implante pode ser realizado a partir dos seis meses de vida, somente contraindicado em pacientes que possuem alguma má formação de cóclea ou ausência de nervo auditivo, assim precisamos analisar através de ressonância magnética e tomografia quem teria a anatomia normal, capaz de realizar a cirurgia, segundo explica o especialista.

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estetoscópio em cima de prontuário de paciente que começará a usar implante coclear

Implante coclear no SUS

O implante coclear está disponível pelo SUS, mas o tempo de espera depende de cada caso e da fila. Geralmente, demora de três a cinco meses, após a pessoa ter passado por toda avaliação. Crianças têm prioridade na solicitação.

A cirurgia é realizada sob anestesia geral com uma pequena incisão por trás da orelha e acesso ao osso até a cóclea para posicionar o implante. “Um mês depois da cirurgia é ligado o implante e o paciente começa a escutar. A taxa de complicações é extremamente baixa na mão de profissionais com treinamento”, afirma Felippe Felix.

Essa técnica já está disponível no Brasil há mais de 30 anos. O custo varia de acordo com o avanço do aparelho, modelos mais simples 45 mil e mais avançados chegam a 90 mil reais, mas ninguém precisa desembolsar esse valor, uma vez que o SUS e os planos de saúde cobrem a cirurgia e os aparelhos.

Leia também: Surdez Profunda Unilateral: o que fazer?

Surdez é uma das cinco prioridades da OMS

Em pesquisa realizada pela OMS, de 2013 a 2015, a surdez ocupou o quarto lugar na lista de doenças. Ela é considerada a primeira deficiência com mais impacto no índice de qualidade de vida da população, mais do que deficiência visual, de locomoção e outras 345 doenças. Isso levou a OMS a colocá-la como uma de suas cinco prioridades para este século.

Notadamente, o avanço da longevidade é um fator que contribui para a relevância da surdez. Uma população mais velha implica perda natural de audição, explica o especialista. Outro fator é o impacto do trauma acústico, que pode acarretar lesões permanentes. Fones de ouvido, lugares barulhentos ou com grande ruído são os grandes vilões, e a população mais jovem, as maiores vítimas, justamente por sua predisposição ao uso de fones de ouvido.

Estima-se que 400 mil pessoas no mundo sejam usuários de implantes cocleares, sendo contabilizados cerca de 7 mil somente no Brasil.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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