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Importância do engajamento de pacientes para aumentar eficácia do tratamento

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Pesquisadores do Centro para o Avanço da Ciência de Equipe, Análise e Pensamento de Sistemas, da Faculdade de Medicina, da Universidade de Ohio, constataram que o sistema de cuidados de saúde está procurando cada vez mais envolver os pacientes como parceiros e promotores da sua própria recuperação.

A ideia é que os pacientes engajados são mais saudáveis e, quando têm problemas de saúde, são os mais propensos a aderir a um plano de recuperação, resultando em cuidados mais efetivos e menos gastos desnecessários. Algumas novas práticas, como a tomada de decisão compartilhada, visam o aumento desse engajamento em todo o mundo.

Naturalmente, avaliar o envolvimento do paciente e o impacto das intervenções de seu envolvimento é um grande desafio. Alguns estudos consideram que os pacientes engajados participam de atividades de estudo ou usam ferramentas de estudo. Os pesquisadores também desenvolveram escalas para medir os conceitos psicológicos, como o estado emocional, que indicam atitudes de engajamento, incluindo a preparação antecipada de consultas.

O modelo de capacidade de engajamento

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo criaram um modelo para conceituar a capacidade de engajamento com base na teoria social cognitiva, desenvolvida nas décadas de 1960 e 1970 pelo psicólogo canadense Albert Bandura, para explicar as várias maneiras pelas quais as pessoas adquirem comportamentos.

Este quadro teórico é amplamente utilizado especificamente para estudar como as pessoas adquirem os seus hábitos de saúde. A teoria inclui o conceito de “determinismo recíproco”: a ideia de que existe uma relação dinâmica entre a pessoa, o seu ambiente e os seus comportamentos, na qual eles continuamente influenciam um ao outro e são influenciados um pelo outro. Por exemplo, quando uma pessoa aprende um novo comportamento, a sua a confiança em realizar esse comportamento no futuro aumenta.

Esse conceito é particularmente relevante na compreensão da capacidade de envolvimento do paciente, porque mudanças em um elemento (pessoa, ambiente ou comportamento) podem resultar em mudanças em outro. A identificação de elementos dentro desses domínios interconectados pode melhorar a nossa capacidade de ajudar os pacientes a se envolverem.

Novos recursos

Atualmente, novos recursos para expandir o envolvimento do paciente estão se proliferando. As ferramentas para a tomada de decisão compartilhada entre pacientes e provedores ou planos de saúde estão se tornando cada vez mais sofisticadas e visam melhorar o engajamento dos pacientes em suas próprias decisões de saúde.

Para a psicóloga Talita Ribeiro da Silva, as mídias com recursos online no acesso rápido às informações, que antigamente eram somente de posse do médico e dos profissionais de saúde, hoje passam literalmente pelas mãos de qualquer pessoa que demonstre curiosidade, sendo desde um tema que se ouve banalmente pelo senso comum, como por exemplo, estresse e depressão, bem como informações sobre exames de laboratório, imagem, sugestão de medicamentos para dores diversas, CID, DSM-IV e bula de remédios, por exemplo, estão à disposição de todas as pessoas que tenham acesso à internet.

O engajamento é o produto da transformação do “paciente passivo” para o paciente que consome cuidados para a sua saúde e de sua família através do fácil acesso às informações.

Para a psicóloga Talita da Silva, é importante ressaltar que o paciente possui medo, insegurança, angústias, sonhos, planos de vida e que precisa primeiro ser identificado como uma pessoa que possui valores e tem sua singularidade.
“Os médicos precisam entender que ser doente é parte da história de vida desse sujeito e não ele todo. Portanto, conhecer o paciente, a sua história de vida e saber quais são as suas vulnerabilidades poderá nortear os profissionais de saúde a orientar com mais eficiência o paciente em seu processo de adoecimento e diretivas de tratamento”, explica a profissional da Nobre Saúde, um centro intermediário de cuidado onde o paciente é encaminhado pelo médico responsável para que seja promovido um cuidado humanizado e altamente especializado voltado à média e longa permanência ou à reabilitação pós-operatória.

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Segundo a especialista, a comunicação empática é uma importante ferramenta a ser utilizada por médicos e por todos os profissionais de saúde no manejo da sua relação com o paciente, que está vivenciando um momento crítico de sua vida.

“Elementos como empatia, compreensão, interesse e clareza das informações são fundamentais no elo que se estabelece entre o paciente e a equipe médica. Neste sentido, cabe ao médico a comunicação adequada ao paciente, isto é, evitar utilizar termos técnicos e garantir que se fez entender sobre a enfermidade e a importância do plano terapêutico proposto. Conhecer cuidadosamente a história médica, enxergar o paciente como pessoa, reconhecer o quanto o paciente sabe ou quer saber de sua doença, possibilidade de tratamento e chances de cura, tendem favorecer a confiança do paciente em seu médico e na equipe”, salienta a profissional de psicologia.

Por fim, a abordagem terapêutica deve ser pensada e praticada pela equipe médica com a finalidade de trabalhar o protagonismo daquele que está enfermo, buscando ouvir, acolher e sempre que possível direcionar ao profissional especializado as demandas que possam surgir, como dores e aflições físicas, emocionais e até espirituais daquele que está no leito hospitalar.

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