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Estenose mitral

Insuficiência cardíaca: telemedicina reduz mortalidade do paciente?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Um dos maiores desafios na insuficiência cardíaca (IC) são os episódios de descompensação ou exacerbação, cujas causas mais comuns são a má adesão ao tratamento, dieta com excesso de sódio, infecções e arritmias. Uma forma de tentar lidar com a má adesão à medicação e à dieta é por meio do contato médico, engajando o paciente no tratamento, fazendo consultas mais frequentes e ajustando a dose do diurético conforme peso/retenção hídrica.

As clínicas de IC já fazem isso no dia a dia. Na medicina privada, é mais comum o próprio paciente conseguir se “automonitorar”, por exemplo quando se pesa e compra um aparelho automático para medir a PA, e mantém contato com seu médico por telefone ou mensagens, ajustando o tratamento conforme evolução.

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No último congresso europeu de cardiologia, foi apresentado o resultado de um estudo no qual houve padronização e modernização desse “contato íntimo”. O Governo Alemão financiou um centro de telemedicina: pacientes com IC e descompensação no último ano foram randomizados para acompanhamento-tratamento convencional versus guiado pelo novo centro.

O protocolo de estudo ainda não foi publicado em detalhes, mas no artigo original eles descrevem que eram captadas informações sobre peso, pressão arterial, frequência cardíaca, oximetria e ritmo (ECG com traçado de 2 minutos), transmitidas para o centro. Também eram usadas informações das consultas médicas regulares e de dois biomarcadores, o conhecido BNP e o novo pro-adrenomodulina.

No centro então, com ajuda de um algoritmo eletrônico, médicos e enfermeiras, 24h por dia, 7 dias na semana, faziam ajustes conforme os resultados, que poderia incluir estratégias comportamentais, mudança nas medicações e visita ao médico que o acompanhava in vivo.

Foram incluídos 1400 pacientes, NYHA 2 ou 3, sendo 2/3 com ICFER, e excluídos pacientes com depressão. O resultado mostrou uma redução, em 1 ano, de 6-7 dias do absenteísmo e de 30% na mortalidade. Os autores atribuem o resultado ao envolvimento do paciente com seu tratamento (uma forma de autocuidado), ajuste fino na dose do diurético e hospitalização precoce (e curta) para administrar diurético EV caso não houvesse resposta ao oral.

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Autor:

Ronaldo Gismondi

Doutorado em Medicina pela UERJ ⦁ Cardiologista do Niterói D’Or ⦁ Professor de Clínica Médica da Universidade Federal Fluminense

Referências:

  • KOEHLER, Friedrich MD et al. Efficacy of telemedical interventional management in patients with heart failure (TIM-HF2): a randomised, controlled, parallel-group, unmasked trial. The Lancet. August 25, 2018. DOI:https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31880-4

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