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Insulina inalatória em aprovação na ANVISA e insulina oral: novidades no tratamento do diabetes

Tempo de leitura: 3 minutos.

A realidade dos pacientes com diabetes mellitus (DM) sem reserva pancreática de insulina, que incluem aqueles com DM tipo 1 e pacientes com DM tipo 2 em uso de insulinoterapia, pode mudar. Atualmente, dispomos comercialmente de insulinas para uso parenteral (por via subcutânea ou endovenosa) no tratamento do diabetes. É ainda um grande desafio para pesquisadores o desenvolvimento de insulinas que não necessitem de agulhas para seu uso e que sejam seguras ao paciente.

INSULINA INALATÓRIA:

Nos Estados Unidos, o FDA (Food & Drug Administration) – agência regulatória norte-americana de alimentos e medicamentos – aprovou em junho de 2014 a Affrezza®, uma insulina de ação ultrarrápida para uso inalatório. Teoricamente, ela funciona de forma equivalente às insulinas de ação ultrarrápidas e de uso subcutâneo existentes no mercado, como as lispro (Humalog®), asparte (Novorapid®) ou glulisina (Apidra®), só que é administrada por via inalatória. Em outubro de 2017, foi anunciada a submissão do registro da Affrezza® na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), para se iniciar comercialização do produto no Brasil.

Historicamente, a Affrezza® não é a primeira insulina inalável aprovada para uso comercial. Em 2006, tanto o FDA e a ANVISA aprovaram o Exubera®. No entanto, em 2007 a Pfizer® anunciou o cancelamento da venda deste produto por motivos econômicos.

INSULINA ORAL:

Outra novidade no tratamento do diabetes é o desenvolvimento de insulinas para uso oral. Estudo randomizado duplo cego envolvendo 50 pacientes com diabetes tipo 2 com insulina oral de ação prolongada, denominada OI338GT ou insulina 338, foi apresentado por pesquisadores da Novo Nordisk® no 77º Congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA) em junho de 2017 e no Encontro Anual da Associação Europeia para o Estudo de Diabetes (EASD), em setembro de 2017.

A OI338GT é um análogo de insulina para uso oral que se utiliza de uma nova tecnologia conhecida como GIPET (Gastrointestinal Permeation Enhancement Technology). Esta tecnologia permite a absorção gastrointestinal de alguns fármacos até então usados de forma parenteral. A OI338GT é um análogo de insulina basal com uma meia-vida de aproximadamente 70 horas.

Os pacientes envolvidos no estudo tinham idade média de 61 anos, eram virgens de tratamento com insulina e tinham níveis de hemoglobina glicada (HbA1C) que variavam de 7 a 10% em tratamento prévio com metformina, associada ou não a outros antidiabéticos orais. Eles foram randomizados na proporção 1:1 para receber OI388GT ou insulina glargina U100 uma vez por dia durante 8 semanas.

Como resultados, tanto a insulina oral como a injetável melhoraram substancialmente a glicemia plasmática em jejum (desfecho primário), HbA1c e frutosamina, sem diferenças entre os grupos. A incidência de hipoglicemia também foi semelhante nos dois grupos. No entanto, a insulina OI338GT mostrou baixa biodisponibilidade, ou seja, foi necessária uma grande quantidade de insulina para se atingir uma concentração plasmática adequada.

A Novo Nordisk® interrompeu o desenvolvimento da OI338GT e concluiu que o investimento necessário para produzir em larga escala não é comercialmente viável. No entanto, devemos comemorar o fato de que este estudo foi o pioneiro em mostrar que uma insulina oral pode melhorar o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2. Para nós, devemos manter a esperança de desenvolvimento de uma insulina oral que seja disponível comercialmente no futuro.

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4 Comentários

  1. UBIRATAN ROSA PASSOS

    OS MEUS COMENTÁRIOS NUNCA SAEM DO “AGUARDO DA MODERAÇÃO…”

    • Ana Carolina Pomodoro

      Olá, Ubiratan! Recebemos diversos comentários seus e os mesmos se encontram nas respectivas postagens. Aproveitamos para lhe convidar a continuar acompanhando e participando do nosso portal.

  2. Fernando Ferreira Fernandez

    Muito interessante, variadas e de longa data as pesquisas referentes ao trato do diabetes. Como portador de diabetes tipo 1 há 42 anos, anseio muito por 2 tipos de desenvolvimentos (Além da cura claro): 1) Melhor monitoramento, continuado e com alarmes de hipoglicemias e 2) Insulinoterapia com menor incidência de hipoglicemias, hoje claramente o terror de diabéticos longevos bem controlados.
    Grato pelo artigo.

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