Luz e ruídos contribuem para privação de sono de crianças hospitalizadas

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Estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Toronto concluiu que a maioria das crianças hospitalizadas experimenta privação de sono significativa, sendo luz e ruído os dois principais fatores responsáveis. O objetivo da pesquisa, publicada no jornal JAMA Network Open, foi determinar a quantidade e os padrões de sono em crianças internadas e determinar os fatores associados à quantidade de sono e despertar noturno nesses pacientes.

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Estudo avalia pacientes pediátricos com privação de sono

Os pesquisadores realizaram um estudo transversal prospectivo de crianças internadas em uma unidade pediátrica geral (UPG) ou uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital for Sick Children (Sick Kids), um hospital universitário quaternário pediátrico em Toronto, Canadá, no período entre outubro de 2007 a julho de 2008. Foram incluídas crianças com idades entre 1 e 18 anos e que deveriam permanecer internadas no hospital por, pelo menos, 2 noites. Dados demográficos e informações sobre a internação, a doença e os hábitos de sono foram coletados. Por meio de actigrafia (um método não invasivo de aferir o repouso e os ciclos de atividade), as crianças foram avaliadas por um período de 1 a 3 dias e noites consecutivos, além de completar um diário de sono. Os medidores de som e luz foram colocados ao lado do leito e sincronizados com o actígrafo para medir qualquer luz e ruído que ocorressem no quarto ao acordar.

Foram incluídas 69 crianças hospitalizadas (58 em leitos da UPG em 11 em leitos da UTIP). As crianças de 1 a 3, 4 a 7, 8 a 12 e 13 a 18 anos obtiveram apenas 444, 475, 436 e 384 minutos de sono noturno no hospital, respectivamente, um tempo menor do que fazem em casa e inferior ao recomendado. Após levar em consideração variáveis adicionais, como o motivo da admissão, gravidade da doença, internação na UTIP ou não e se um dos pais ou se o enfermeiro estava presente no quarto, os resultados mostraram que os eventos sonoros que excederam 80 dB e os eventos luminosos maiores que 150 lux foram associados a riscos aumentados de despertar noturno. 

Resultados

Esse estudo reforça que, durante a hospitalização, as crianças experimentam uma privação de sono significativa e acordam frequentemente devido à luz e ao barulho, quase certamente limitando sua capacidade de percorrer todos os estágios do sono. Luz e som acima dos níveis recomendados foram associados a maiores riscos de despertar noturno. Quando as crianças não dormem uma quantidade adequada de sono, elas correm um alto risco de desfechos negativos, como alteração do humor e déficits cognitivos. Dessa forma, os pesquisadores salientam que são necessárias intervenções futuras que diminuam de forma abrangente o ruído e a luz nas unidades hospitalares pediátricas.

Na minha prática, como pediatra intensivista e pesquisadora em delirium, tenho lido inúmeros estudos que mostram a relevância do sono na prevenção do delirium na UTIP, além de ser também estratégia de tratamento para episódios de delirium vigentes. Na prática, observo que de fato as crianças dormem bem quando a unidade estimula atividades simples de promoção do sono, como apagar as luzes e reduzir o barulho noturno. Além disso, quando as crianças estão estáveis, é importante rediscutir com a equipe a real necessidade das avaliações rotineiras de sinais vitais durante a madrugada e de realização de exames que não sejam de urgência em horários que possam acordar a criança. No entanto, na realidade, a adoção dessas medidas é desafiadora, pois envolve mudanças de políticas e colaboração de toda uma equipe de profissionais e também da família. Para os pequenos, o estímulo ao sono deve ser dado também nos momentos em que eles normalmente teriam suas sonecas em casa e não apenas promover o sono noturno. 

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Referência bibliográfica: 

  • Stremler R, Micsinszki S, Adams S, Parshuram C, Pullenayegum E, Weiss SK. Objective Sleep Characteristics and Factors Associated With Sleep Duration and Waking During Pediatric Hospitalization. JAMA Netw Open. 2021;4(4):e213924. Published 2021 Apr 1. doi:10.1001/jamanetworkopen.2021.3924

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