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Manejo de bebês febris: a importância da avaliação completa

Tempo de leitura: 2 minutos.

Para bebês que apresentam febre sem foco, a estratégia diagnóstica inclui culturas de urina, sangue e líquido cefalorraquidiano. No entanto, dependendo da idade, nem sempre todos os exames são realizados.

Em um estudo americano publicado na revista Pediatrics, pesquisadores fizeram uma revisão da atual prática clínica norte americana em relação à coleta de material para cultura e os desfechos dos lactentes.

Para o artigo, foram analisados os dados médicos de uma clínica na Califórnia, EUA, para identificar todos os bebês febris, a termo, previamente saudáveis, nascidos entre 2010 e 2013, que precisaram de cuidados entre 7 e 90 dias de idade.

Veja também: ‘Febre infantil: qual é a abordagem mais eficaz?’

Um total de 1.380 crianças apresentaram-se com febre para antedimento, com uma taxa de incidência de 14,4 (intervalo de confiança [IC] de 95%: 13,6 – 15,1) por 1.000 nascimentos a termo. Entre os participantes:

  • 59% dos lactentes de 7 a 28 dias tiveram uma avaliação completa
  • 25% dos lactentes de 29 a 60 dias tiveram uma avaliação completa
  • e 5% dos lactentes de 61 a 90 dias tiveram uma avaliação completa

Pelos resultados, os pesquisadores observaram que os lactentes mais velhos foram menos propensos a ter uma avaliação completa, com culturas de urina, sangue e líquido cefalorraquidiano. Nos 30 dias após a febre, 1% dos bebês retornou com infecção do trato urinário. Nenhum lactente retornou com bacteremia ou meningite.

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Dra. Ana Carolina Pomodoro, pediatra e colunista da PEBMED, fala mais sobre a questão:

“Há algumas abordagens diferentes nos serviços de emergência e consultórios em relação a lactentes que apresentam febre sem foco.

Greenhow et al descreveram a atual prática clínica norte americana em relação à coleta de material para cultura nos casos de bebês febris, e revisaram os desfechos dos lactentes com e sem culturas obtidas. Os bebês de 7 a 28 dias tiveram maior porcentagem de avaliação completa em relação aos lactentes de 29 a 60 dias. Da mesma forma, estes foram melhor avaliados do que as crianças de 61 a 90 dias de vida. Os atendimentos de lactentes mais velhos em consultórios eram os menos propensos a terem cultura solicitada.

Numa reflexão mais realista percebemos que nós também costumamos negligenciar uma avaliação completa conforme aumenta a idade do lactente, fato que precisa ser repensado em cada serviço a fim de que prestemos atendimento visando tratamento mais direcionado para os patógenos mais importantes em nosso meio, melhorando nossas taxas de sucesso terapêutico”, finaliza Dra. Ana.

Referências:

  • Greenhow TL, Hung Y, Pantell RH. Management and Outcomes of Previously Healthy, Full-Term, Febrile Infants Ages 7 to 90 Days. Pediatrics. 2016;138(6):e20160270

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