Maratona Covid-19: a realidade no Brasil e na América Latina

Tempo de leitura: 2 min.

Acompanhamos a maratona de Covid-19 da Sociedade Europeia de Terapia Intensiva (Esicm), no último dia 27, onde especialistas do mundo todo deram palestras online a respeito do tema. O médico intensivista brasileiro Luciano Azevedo compartilhou a situação do Brasil e da América Latina diante da nova doença causada por coronavírus. Vamos compartilhar os principais momentos, nesta postagem.

Covid-19 na América Latina

A América Latina hoje tem 6420 milhões de habitantes e o Brasil 210 milhões. Até o dia 27 de março, no Brasil, tínhamos 92 mortes por Covid-19 e o número de casos chegava a 3.417. Nossos principais desafios, são:

  • 100 milhões de pessoas (48%) da população sem medidas sanitárias adequadas;
  • 25% da população está abaixo da linha da pobreza;
  • Muitas pessoas vivem em comunidades;
  • Controle precário de doenças crônicas;
  • Doenças endêmicas: dengue, malária e febre amarela.

Acesso a leitos de terapia intensiva no Brasil:

  • SUS: 7,6 leitos de CTI por 100.000 habitantes;
  • Sistema de saúde privado: 25,5 leitos por 100.000 habitantes.

Leia também: Coronavírus: guideline do Surviving Sepsis Campaign para manejo de pacientes graves

Maiores problemas para tratamento da Covid-19 na América Latina e no Brasil:

  • Poucos laboratórios certificados. Hoje os testes para a doença são muito restritos, não conseguimos testar todos os suspeitos;
  • Sensibilidade reduzida do PCR;
  • Escassez de equipamentos de proteção individual, leitos, ventiladores;
  • Escassez de profissionais de saúde, pelo isolamento por contato ou doença.

Sobre a pesquisa de Covid-19

O Brasil está participando de um protocolo de pesquisas de pacientes com Covid-19, espera-se que os resultados nos ajudem no manejo da doença na nossa realidade, avaliando a eficácia e segurança de medicamentos para pacientes com infecção pelo novo coronavírus.

Trata-se de uma parceria entre o Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio Libanês, Hospital Moinhos de Vento e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), junto com com o Ministério da Saúde. (COVID-19). Com o apoio na pesquisa da farmacêutica EMS fornecendo os medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina. Participarão do estudo entre 40 e 60 hospitais.

Conclusões

O dr. Luciano concluiu que:

  • Covid-19 no Brasil está na fase de crescimento exponencial;
  • As características do nosso sistema de saúde vão dificultar o controle da doença;
  • A disseminação do vírus será maior por problemas de renda e população;
  • A evolução da doença no Brasil pode ser útil para entendermos a disseminação em outros países com poucos recursos.

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Publicado por
Dayanna de Oliveira Quintanilha

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