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Medicações utilizadas em reumatologia no contexto da pandemia do coronavírus

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Diante da delicada situação que estamos enfrentamos com a pandemia do coronavírus (Covid-19), muitas dúvidas surgem, especialmente no que diz respeito a pacientes crônicos em uso de medicação contínua. Dúvidas ainda maiores surgem quando essas medicações são imunossupressoras, uma vez que a resposta imunológica é essencial para a eliminação do vírus e para reduzir a gravidade do quadro.

Tanto os pacientes quanto os médicos assistentes estão enfrentando o dilema de adequar o tratamento de forma a minimizar os riscos de infecção pelo vírus e, ao mesmo tempo, evitar a reativação das doenças.

Coronavírus e reumatologia

Pacientes com doenças reumatológicas, a princípio, não devem suspender seu tratamento, mesmo se em uso de DMARD sintéticos e/ou imunobiológicos. A retirada das medicações pode levar à ativação da doença de base, necessidade de maiores doses de glicocorticoide e aumento da procura por atendimentos em pronto-socorro (aumenta risco de contaminação). Segue abaixo um resumo sobre o que se sabe até o momento sobre algumas medicações usadas no paciente reumatológico.

AINEs

Apesar do que foi publicado pelo ministro da saúde da França sobre a contraindicação do uso de ibuprofeno durante a epidemia de Covid-19, essa afirmação não é baseada em evidência e foi descartada por outras agências reguladoras. O ministro da saúde da França sugeriu o uso de acetaminofeno no lugar do ibuprofeno, provavelmente fazendo uma extrapolação da preferência por acetaminofeno em outras infecções virais.

Não há evidência clara de dano, aumento da gravidade do quadro ou de eventos adversos com o uso de ibuprofeno durante a infecção por Covid-19.

Antimaláricos

A cloroquina e a hidroxicloroquina foram sugeridas como tratamento da infecção pelo coronavírus, uma vez que pode limitar a replicação viral. A cloroquina, especificamente, mostrou ação na replicação do SARS-CoV-2. Um estudo francês recém publicado mostrou benefício do uso da hidroxicloroquina em monoterapia ou associada à azitromicina.

Esse dado é promissor, porém há falhas metodológicas importantes nesse estudo que comprometem a extrapolação dos dados para uso clínico em maior escala. Estudos melhores são necessários para embasar o uso da hidroxicloroquina na prática clínica.

Inibidores de janus kinase (baricitinibe)

Foi publicado no Lancet que o baricitinibe é um potencial tratamento para a infecção respiratória pela Covid-19, uma vez que inibe a AAK1 (AP2-associated protein kinase 1) e a GAK (binding cyclin G-associated kinase), proteínas essenciais à endocitose do vírus, que infecta as células por endocitose mediada por receptores.

Inibidores de IL-6

Ao infectar um indivíduo, principalmente aqueles que evoluem com síndrome da angústia respiratória aguda, a Covid-19 pode desencadear uma produção aberrante de citocinas pró-inflamatórias (conhecida como tempestade de citocinas), principalmente a IL-6, o que aumenta a gravidade do quadro clínico. Diante disso, drogas como o sarilumabe e o tocilizumabe tornam-se opções promissoras para o tratamento de indivíduos graves infectados pelo SARS-CoV-2.

Planeja-se a realização de um trial com o sarilumabe envolvendo 16 centros com 400 pacientes criticamente doentes pela infecção pela Covid-19. O sarilumabe não foi projetado e nem aprovado para esse uso. O tocilizumabe, por sua vez, já foi utilizado em pacientes chineses infectados pelo coronavírus, com boa resposta.

Em um trial realizado na China, o tocilizumabe foi utilizado para tratar 20 pacientes, dos quais 19 tiveram alta hospitalar em 2 semanas. Um clinical trial avaliando o uso de tocilizumabe na infecção pelo coronavírus está em andamento em 14 hospitais em Wuhan. Foi estimado que 272 pacientes foram tratados com tocilizumabe até 5 de março.

Inibidores de TNF

Até o momento, não houve relatos de maior gravidade, morte ou evento adverso em pacientes infectados pelo Covid-19 em uso de medicações anti-TNF.

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