Médicas tendem a postergar mais a gestação do que a população feminina em geral

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A formação de médicas especialistas dura em média 9 anos, podendo se estender de acordo com a área de atuação desejada, e quantos anos de vestibular aquela mulher realizou para ingressar em uma faculdade de Medicina no Brasil. Quando essa médica conquista sua especialização e deixa de ser uma pós-graduanda ou residente bolsista, ela está próxima aos seus 30 anos. A partir daí, então, ela inicia seus primeiros anos imersa na área que finalmente se dedicou. Algumas abrem seu consultório, outras desejam iniciar mestrado, doutorado, outras crescem e ganham um novo cargo em uma empresa. Dificilmente o plano de gestação fala mais alto do que o de crescer profissionalmente.

Leia também: Saiba quais doenças aumentam o risco cardiovascular futuro durante a gestação

De fato, esse contexto não é exclusivo da carreira médica. Com a entrada substancial da mulher no mercado de trabalho, tornando-a parte fundamental na renda familiar, cada vez mais ela posterga a gestação. Porém, de forma evidente, a trajetória de formação médica é mais longa do que as outras profissões em geral, e costuma demandar mais horas dedicadas.

Médicas tendem a postergar mais a gestação do que a população geral feminina

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Evidências sobre a opção de se postergar a gestação

Segundo a revista Reuters Health, em publicação neste início de maio de 2021, em um estudo realizado em população de mulheres em idade reprodutiva foi observado que as médicas, comparadas às mulheres da população em geral, engravidam menos, e quando o fazem, tendem a postergá-la para após 30 anos.

Saiba mais: Vacinas e gestação, prevenir é o melhor remédio

O trabalho foi publicado no JAMA Internal Medicine e incluiu 5.328 médicas e 26.640 não médicas. A conclusão obtida foi que as médicas tinham 38% menos probabilidade de ter filhos, 85% menos probabilidade de gestar na faixa dos 20 anos, 35% mais probabilidade de ter filhos entre as idades de 29 e 36, e mais que o dobro de chances de ter um bebê após os 37 anos.

Existem inúmeras desvantagens da idade gestacional tardia, com um aumento do risco de:

  • Infertilidade;
  • aborto espontâneo;
  • hipertensão gestacional;
  • diabetes gestacional;
  • bebês com síndromes genéticas.

Desafios da mãe médica que não postergou a gestação

Por outro lado, as médicas que se tornam mãe na idade habitual da população em geral, muitas vezes, enfrentam desafios que incluem cuidados infantis durante horários de trabalho longos e imprevisíveis como plantões e emergências, sentimentos de culpa, bem como situações de discriminação, com menos oportunidades de carreira e suposições de outras pessoas de que ter filhos afetará seu trabalho como médico.

Uma minoria de mulheres opta por gestar durante a faculdade, e segundo Dra. Andrea Simpson, ginecologista e professora da do departamento de obstetrícia e ginecologia da Universidade de Toronto e cientista adjunto do ICES, essa ideologia de postergar a gestação se inicia cedo na vida dessa futura médica.

O acolhimento e apoio

A professora defende a ideia de que como pares de profissão, precisamos identificar nossos próprios preconceitos e apoiar os médicos e futuros médicos que desejam ter filhos independente do estágio que estão em suas carreiras.

A vida profissional da médica que se torna mãe não para, provavelmente desacelera pontualmente, mas tende a ganhar força em poucos anos com o crescimento do bebê.

É vital a importância do apoio de nossos colegas de profissão a essa mulher que opta por não seguir o fluxo habitual de “deixar para depois”, bem como garantir uma licença maternidade digna da dedicação que a mãe deve ao seu bebê e ao seu momento de vida tão especial.

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