Medicina Baseada em Evidências

Medicina Baseada em Evidências: como avaliar um guideline?

Tempo de leitura: 3 min.

nova edição da Revista PEBMED trará tudo o que o médico precisa saber sobre a Medicina Baseada em Evidências. Como forma de te deixar por dentro do que ela abordará, estamos trazendo, ao longo da semana, um pouco dos principais temas. Hoje, apresentamos o artigo que vai te ajudar a avaliar os guidelines.

Guidelines

As diretrizes clínicas são importantes instrumentos na prática médica e em outras profissões relacionadas aos cuidados em saúde. Idealmente devem ser produzidas a partir de revisões sistemáticas da literatura, sendo fontes de recomendações que colaboram na tomada de decisão de clínicos e usuários do sistema de saúde com relação a situações específicas. Diferente das revisões sistemáticas, os guidelines devem não apenas revisar as evidências científicas, mas também pesar os desfechos positivos e negativos e fazer recomendações baseadas nessas evidências.

Com a enorme produção de diretrizes clínicas, muitos profissionais podem se questionar com relação a relevância e qualidade delas. A qualidade da diretriz é fundamental para o seu potencial benefício, e padrões rigorosos devem ser adotados para sua produção. Problemas como não aderência a padrões metodológicos, não descrição dos desfechos de interesse, da população-alvo, ou dos usuários das diretrizes são problemas comumente encontrados.

Leia também: Origens e Fundamentos da MBE – Parte 2: Entendendo a real importância de aprender a analisar criticamente a validade de uma evidência científica

Existem várias ferramentas para avaliação da qualidade de uma diretriz clínica. Uma das mais utilizadas é o instrumento AGREE-II, criado por um grupo internacional de desenvolvedores de diretrizes clínicas e pesquisadores, o AGREE Collaboration. O AGREE-II apresenta a finalidade de auxiliar na avaliação e formulação de diretrizes clínicas claras, com alta qualidade de evidências e que possam descrever claramente os fatores que estão ligados à sua aplicação, bem como a existência de potenciais vieses do desenvolvimento da diretriz.

AGREE-II

Com a finalidade de aprofundar a discussão sobre essa ferramenta, e trazer ao leitor um exemplo de como o AGREE-II pode ser aplicado na avaliação prática de uma diretriz clínica, o artigo traz uma análise do documento Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for the Management of Septic Shock and Sepsis-Associated Organ Dysfunction in Children.

A avaliação de um guideline pode não parecer simples, mas é fundamental para que possamos oferecer condutas com a melhor qualidade possível para nossos pacientes, além de ser fundamental para o trabalho de gestão em saúde. A utilização de uma ferramenta como o AGREE-II, pode ajudar a considerar a aplicação de um guideline, ou mesmo, para preferir uma ou outra diretriz quando nos deparamos com situações de conflito entre documentos produzidos por grupos diferentes.

sétima edição da Revista PEBMED será lançada no próximo dia 25/01. Fique ligado!

Confira outros temas abordados na revista:

Referências bibliográficas:

  • AGREE NEXT STEPS CONSORTIUM. The AGREE II Instrument [versão eletrônica]. 2009. Disponível em: http://www.agreetrust.org. Acesso em: 20/09/2021.
  • GRILLI, R. et al. Practice guidelines developed by specialty societies: the need for a critical appraisal. The Lancet, v. 355, n. 9198, p. 103-106, 2000.
  • RANSOHOFF, D. F.; PIGNONE, M.; SOX, H. C. How to decide whether a clinical practice guideline is trustworthy. JAMA, v. 309, n. 2, p. 139-140, 2013.
  • SHANEYFELT, T. M.; MAYO-SMITH, M. F.; ROTHWANGL, J. Are guidelines following guidelines?: The methodological quality of clinical practice guidelines in the peer-reviewed medical literature. JAMA, v. 281, n. 20, p. 1900-1905, 1999.
  • SCHÜNEMANN, H. J. et al. Guidelines 2.0: systematic development of a comprehensive checklist for a successful guideline enter-prise. CMAJ, v. 186, n. 3, p. E123-E142, 2014.
  • WOOLF, S. H. et al. Potential benefits, limitations, and harms of clinical guidelines. BMJ, v. 318, n. 7182, p. 527-530, 1999.
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Publicado por
Dolores Henriques

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