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Médicos são fonte importante de atraso na administração de antibiótico na sepse

A decisão médica é o fator mais importante relacionado com atraso na administração de antibióticos em pacientes com sepse grave, segundo um novo estudo publicado no jornal Critical Care Medicine.

Como já se sabe, atraso no início de antibióticos está associado a uma maior mortalidade na sepse. Pensando nisso, pesquisadores investigaram as variações no tempo de administração. Para o estudo, foram incluídos pacientes adultos tratados com antimicrobianos no serviço de emergência entre 2009 e 2015 para sepse grave ou choque séptico, em um hospital de Seatlle.

Entre 421 pacientes elegíveis, 74% receberam antimicrobianos dentro de 3 horas após a chegada na emergência. Após o ajuste de co-variáveis, os tempos médios da administração antimicrobiana dos médicos (n = 40) variaram significativamente, de 71 a 359 minutos (p = 0,002).

A porcentagem de pacientes cujos antimicrobianos começaram dentro de 3 horas da chegada à emergência variou de 0% a 100%. No análise multivariável, o médico assistente foi o fator mais significativo para a variabilidade no tempo de antibiótico, representando 12% da variação geral, em comparação com 4% atribuível à gravidade da doença (p <0,001).

Alguns médicos iniciaram antimicrobianos tardiamente em pacientes normotensos na apresentação (p = 0,017) ou que tiveram uma fonte de infecção além da pneumonia (p = 0,006). A probabilidade ajustada de mortalidade intra-hospitalar aumentou 20% por cada aumento de 1 hora no tempo de administração antimicrobiana (p = 0,046).

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O Dr. Ronaldo Gismondi, Doutor em Medicina e professor de Clínica Médica da UFF, fala sobre os achados do estudo:

“Em uma reportagem do nosso portal no início do ano, mostramos as principais novidades da Diretriz Surviving Sepsis Campaign 2016/2017. Das diversas recomendações, há um grande destaque para o tempo de início do antibiótico nos casos graves, uma vez que esse timing tem correlação com a mortalidade: atraso no antibiótico = maior mortalidade!

Estudos tentam descobrir quais fatores estão relacionados com o atraso no início do antibiótico. Os mais importantes seriam:

  • Apresentação atípica
  • Início da sepse quando o paciente já está internado
  • Chegada de ambulância
  • Atraso na liberação de exames laboratoriais
  • Estar em um hospital universitário (isso nos EUA!)
  • Superlotação do serviço de emergência

Uma publicação recente veio colocar mais lenha na fogueira: em um grupo de 40 médicos de um centro universitário em Seattle, a “decisão médica” foi o fator mais importante relacionado com atraso no início do antibiótico. Pacientes com sepse grave sem hipotensão e aqueles com sepse de foco não-pulmonar também foram fatores associados com atraso no antimicrobiano. Mas para os jovens duas boas notícias: o tempo de formado/experiência não influenciou no tempo de início do antibiótico e a presença de um “trainee” foi associada com menor tempo para administração!”

Referências:

  • Peltan ID et al. Physician variation in time to antimicrobial treatment for septic patients presenting to the emergency department. Crit Care Med 2017 Jun; 45:1011. (https://dx.doi.org/10.1097/CCM.0000000000002436)

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