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Metade das brasileiras reclama do descaso dos médicos em relação à dor

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Não é de hoje que as mulheres dizem experimentar uma dor crônica mais intensa e duradoura do que os homens. Mesmo assim, estudos internacionais comprovam que elas são tratadas menos assertivamente, não recebem da saúde pública e particular o mesmo tratamento dado aos homens e que algumas sofrem e até vem a óbito por conta da falta de cuidados melhor direcionados. E agora uma pesquisa inédita realizada no Brasil indica que metade das mulheres entrevistadas reclama que os médicos não valorizam suas queixas de dor. E 75,5% estão insatisfeitas, uma vez que percebem a pouca atenção que os profissionais de saúde, não somente os médicos, dão às suas queixas de dor.

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Metade das brasileiras reclama do descaso dos médicos em relação à dor

Como foi realizada a pesquisa

A pesquisa intitulada “Percepção do Atendimento Médico prestado às mulheres com dor crônica” foi realizada com entrevistas de 1.022 mulheres, de 18 a 78 anos.

Os dados foram coletados entre outubro e novembro de 2020, através de um questionário online, sob a supervisão de Julio Troncoso, criador do Dor Crônica – O Blog, projeto filantrópico de educação em dor no Brasil. Para promover a participação no estudo, as participantes ganharam um e-book inédito, chamado “Dores Femininas”, com 250 páginas.

Principais resultados:

  • 86% das entrevistadas relataram sentir dor há mais de seis meses;
  • 62% afirmaram sentir dor com alta intensidade e quase um terço,
  • 29,4% disseram sentir-se com dor intensa, sem ter essa condição reconhecida pelos seus médicos;
  • Entre as 882 mulheres com dor crônica superior a seis meses, 32% relataram não conhecer o motivo da dor, e 35% afirmaram que não foram informadas sobre a sua situação por um profissional da saúde;
  • Duas em cada dez entrevistadas afirmam que esses profissionais de saúde não se preocupam com a sua dor.

Os dados evidenciam ainda as críticas das mulheres com relação a outros integrantes da equipe de saúde, incluindo enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais.

E essa avaliação não melhorou ao ser constatado que 39% das entrevistadas são compostas por dois grupos diferentes de mulheres: as que se consideram informadas sobre sua dor, mas não por um profissional da saúde; e as que não se consideram informadas. Ou seja, por ação ou omissão, os profissionais da saúde não satisfazem as necessidades de informação sobre a dor de suas pacientes em quase 40% dos casos.

Outro dado interessante é que o nível de informação parece amenizar as críticas sobre a valorização das queixas de dor pelo médico. Pouco mais da metade das mulheres, que se dizem bem informadas, reclamam menos da valorização das suas queixas de dor pelo médico do que as que se dizem menos informadas.

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E mais: quanto menos intensa é a dor, proporcionalmente maior é a reclamação de que queixas a ela relacionadas são pouco ou nada valorizadas pelos médicos.

“Queremos que esse estudo sirva de argumento para chamar a atenção dos profissionais da saúde, especialmente dos médicos, quanto à situação anômala do Brasil em relação às dores femininas. Nos países mais desenvolvidos há críticas crescentes quanto às queixas da mulher com dor crônica não serem devidamente valorizadas pelos médicos e, em vez disso, atribuídas à somatização”, ressaltou Júlio Troncoso.

Comunicação puramente técnica

O pesquisador explicou que essa percepção da mulher com dor crônica sobre o atendimento que recebe dos médicos e das equipes de saúde reforça a noção, suportada pela literatura científica, de que os médicos tendem a se comunicar tecnicamente com seus pacientes, negligenciando os cuidados de forma e conteúdo que preservam relações interpessoais saudáveis.

“Já era previsível uma porcentagem com dor crônica estar insatisfeita com a valorização dada pelos médicos e suas equipes às queixas. Por outro lado, é surpreendente o número das que dizem estar desinformadas sobre suas doenças e dores”, completou Júlio Troncoso.

“Ao propormos um estudo sobre esse assunto, estamos incentivando nossos alunos de medicina a se interessarem por queixas prevalentes com as quais eles terão que lidar após a sua graduação. Além disso, os projetos científicos, de uma forma geral, auxiliam a formação do aluno no que tange à elaboração de um projeto de pesquisa, vivenciando as fases do projeto, as dificuldades que possam ocorrer durante a sua execução, a experiência da confecção de um manuscrito e, sobretudo, ajudam a formação de um espírito crítico na análise dos trabalhos publicados”, frisou a vice-diretora da FMJ, Ana Carolina Marchesini de Camargo, mestre e doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, professora adjunta da disciplina de ginecologia.

Comparação com estudos internacionais

Vale ressaltar que esses resultados apresentados se assemelham aos de uma pesquisa de 17 artigos sobre queixas de 204.586 pacientes, realizadas via online em cinco países: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Canadá e China, entre 2018 e 2000, na qual quase metade dos pacientes (49,71%) criticava atitudes ou comportamentos da equipe médica relativos ao paciente, como não levar em conta suas preferências, suporte emocional, informação e educação, entre os mais relevantes.

E ainda: das mais de 2.400 americanas com dor crônica, entrevistadas online pelo National Pain Report, em 2014, 65% acham que os médicos levavam suas dores menos a sério pelo fato de serem mulheres; e 84% foram tratadas de forma diferente por causa de seu sexo. Quase a metade ouviu dos médicos que “a sua dor estava apenas em suas cabeças”.

“Nos últimos 50 anos, em diversos países desenvolvidos têm sido progressivamente apontada a disparidade de gênero que caracteriza os serviços de saúde, seja no atendimento clínico, na pesquisa, na farmacologia, e até no reconhecimento das profissionais de saúde mulheres. Disparidades essas que, ao afetar o acesso da mulher a recursos de promoção da saúde, prejudicam a sua saúde e bem-estar”, concluiu o pesquisador Júlio Troncoso.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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