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Metas globais de HIV para 2020 não serão alcançadas, aponta relatório do UNAIDS

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Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNAIDS) mostra um progresso significativo sobre o avanço do combate à doença, mas altamente desigual, principalmente na expansão do acesso à terapia antirretroviral (TARV). Por essas e outras razões, as metas globais de HIV estabelecidas para 2020 não serão alcançadas.

Metas estabelecidas

As metas perdidas resultaram em 3,5 milhões a mais de infecções por HIV, além do acréscimo de 820 mil óbitos relacionados à Aids desde 2015. E a resposta global pode ser atrasada em dez anos ou mais se a pandemia de Covid-19 interromper o tratamento dos pacientes.

O relatório Seizing the Moment: tackling entrenched inequalities to end epidemics (Aproveitando a oportunidade: enfrentando as desigualdades enraizadas para acabar com epidemias, em tradução livre) alerta para o fato de que os ganhos obtidos até agora podem ser perdidos e o progresso interrompido se os governantes não agirem.

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O necessário

Para que isso não aconteça, os governantes precisam redobrar os seus esforços e agir com maior urgência para alcançar os milhões de indivíduos ainda deixados para trás.

“Serão necessárias ações decisivas para colocar o mundo de volta nos trilhos rumo à meta de acabar com a epidemia de Aids até 2030. Milhões de vidas foram salvas, particularmente as de mulheres na África, mas o progresso alcançado por muitos precisa ser compartilhado por todas as comunidades em todos os países. O estigma, a discriminação e as desigualdades generalizadas são os principais obstáculos para o fim da Aids. Os países precisam se guiar pelas evidências e assumir as suas responsabilidades em relação aos direitos humanos”, frisou Winnie Byanyima, diretora executiva do UNAIDS.

Resultados obtidos

Somente quatorze países conseguiram alcançar as metas de tratamento 90-90-90, que visava garantir que, até o final deste ano, 90% de todas as pessoas infectadas com HIV soubessem o seu estado de saúde; 90% dos que vivem com HIV tivessem iniciado o tratamento antirretroviral; e 90% dos pacientes sob tratamento tivessem supressão viral.

Contudo, nos países onde os serviços de HIV são fornecidos de forma mais abrangente, os níveis de transmissão do HIV foram reduzidos significativamente.

Por exemplo, em países africanos como Eswatini, Lesoto e África do Sul, ações de apoio socioeconômico para mulheres jovens, altos níveis de cobertura de tratamento e supressão viral para populações anteriormente não alcançadas, conseguiram reduzir as desigualdades e a incidência de novas infecções.

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Parcerias

Em nota enviada à imprensa, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), ressaltou a importância de políticas públicas para reduzir o número de infecções e comorbidades relacionadas ao HIV, especialmente em meio à pandemia de Covid-19.

A entidade internacional se juntou ao UNAIDS para convencer os governantes que implementem práticas para amenizar o impacto da Covid-19 nos serviços de tratamento do HIV, incluindo o fornecimento do tratamento com o retrovírus e condições para a continuação do tratamento por vários meses, reduzindo assim o número de deslocamentos necessários até as unidades de saúde.

“Apesar das promessas, o mundo falhará no compromisso de reduzir as mortes por HIV até o final de 2020. O custo de não cumprir esses compromissos está evidenciado nestas 820 mil mortes adicionais desnecessárias, de acordo com o UNAIDS. O que esses números nos dizem é que as mortes relacionadas ao HIV não estão diminuindo rápido o suficiente, mesmo antes da Covid-19”, lamentou o médico Eric Goemaere, coordenador da Unidade de HIV/TB e líder do projeto de Covid-19 de MSF na África do Sul.

Impactos da pandemia

Segundo o médico, a pandemia do novo coronavírus ameaça causar interrupções nos tratamentos de pacientes com HIV. “Nossa preocupação maior é que com qualquer interrupção nos atendimentos de pacientes com HIV devido à pandemia, mais vidas sejam perdidas. Não podemos nos dar ao luxo de voltar atrás na epidemia de HIV/AIDS à luz da pandemia de Covid-19”, ressaltou.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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