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Método Wolbachia para combate ao Aedes aegypti avança para próxima etapa

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Método Wolbachia para o combate ao Aedes aegypti avança para a próxima etapa em mais três cidades brasileiras. O mesmo método que já foi aplicado em algumas regiões do estado do Rio de Janeiro será levado em breve às cidades de Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG).

A previsão é que as primeiras atividades com os mosquitos Aedes aegypti infectados com Wolbachia comecem no segundo semestre de 2019, com duração de três anos. O World Mosquito Program Brasil (WMP Brasil) é conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A medida visa proteger as regiões atendidas das doenças propagadas pelos mosquitos, uma vez que os Aedes aegypti com Wolbachia ao serem soltos na natureza se reproduzem com os mosquitos de campo e geram Aedes aegypti com as mesmas características, sem qualquer tipo de modificação genética.

Como funciona

Quando se pensa em combate à dengue, a primeira ideia é eliminar o mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença. No entanto, o projeto World Mosquito Program (WMP) tem uma abordagem bem diferente. Eles liberam os mosquitos com a Wolbachia no organismo em lugares pré-determinados. Parece estranho, mas funciona.

“A Wolbachia é um microrganismo naturalmente presente em cerca de 60% dos insetos na natureza. Ela foi inserida em ovos de Aedes aegypti na Universidade de Monash, na Austrália, onde se identificou que, uma vez presente nestes mosquitos, a capacidade de transmissão das doenças fica reduzida. O método é seguro para as pessoas e para o ambiente, pois a Wolbachia vive apenas dentro das células dos insetos”, explica Gabriel Sylvestre, líder de Pesquisa e desenvolvimento, engajamento e comunicação do WMP Brasil.

Segundo o especialista, o Aedes aegypti com Wolbachia – que têm a capacidade reduzida de transmitir dengue, zika, chikungunya – são criados e mantidos em uma estrutura de biofábrica nas instalações da Fiocruz, no Rio de Janeiro. E ao serem soltos na natureza se reproduzem com os mosquitos de campo e geram Aedes aegypti com as mesmas características, tornando o método autossustentável.

Experiência realizada no Rio de Janeiro

As pesquisas foram iniciadas em 2012, mas a primeira fase do projeto no país começou em 2015, nos bairros de Jurujuba (Niterói) e Tubiacanga (sub-bairro da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro). Em novembro de 2016, deu-se início à liberação em larga escala em ambos os municípios.

“Já são percebidos os primeiros sinais de redução de transmissão de arboviroses nas primeiras áreas que receberam os mosquitos com Wolbachia. Estimamos um prazo de três a cinco anos para comprovarmos de forma mais robusta o impacto positivo gerado na redução dos índices de dengue, zika e chikungunya. O monitoramento de casos das doenças é realizado em parceria com as prefeituras das cidades em que atuamos. A ideia é comparar áreas com e sem Wolbachia e também os índices antes e depois das liberações dos mosquitos”, esclarece Gabriel Sylvestre.

Hoje, o WMP Brasil atende a 29 bairros no Rio de Janeiro, e a 33 bairros em Niterói, totalizando 62 bairros já atendidos pelo projeto. São 909 mil pessoas beneficiadas no RJ, e 373 mil em Niterói.

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Além do Brasil, Austrália, Colômbia, México, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, e ilhas do oceano Pacífico como Fiji, Nova Caledônia, Kiribati e Vanuatu também desenvolvem ações do programa.

O programa

A descoberta do método Wolbachia foi publicada em um artigo na Gates Open Research. A pesquisa foi supervisionada pelo pesquisador da Fiocruz e líder do World Mosquito Program (WMP) no Brasil, Luciano Moreira. O artigo Pluripotency of Wolbachia against Arbovirus: the case of yellow fever é assinado por pesquisadores de três instituições: Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz Minas), Fundação Ezequiel Dias (Funed) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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