Meu paciente apresenta eosinofilia, o que devo fazer?

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Eosinofilia, definida como contagem de eosinófilos no sangue periférico maior que 500/mm³, é uma condição relacionada a desordens hematológicas (eosinofilia primária ou clonal) ou não hematológicas (eosinofilia secundária ou reacional). Pode ser classificada em três subtipos de acordo com a gravidade: leve (eosinofilia < 1.500/mm³), moderada (eosinofilia entre 1.500-5.000/mm³) e severa (eosinofilia > 5.000/mm³). Contagem de eosinófilos maior que 1.500/mm³ é denominada hipereosinofilia e pode estar associada a lesões de órgão-alvo.

Segundo a classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as neoplasias de tecidos linfoide e hematopoiético de 2017, as desordens primárias podem estar associadas a quatro rearranjos genéticos: PDGFRA, PDGFRB, FGFR1 ou PCM1-JAK2. Outro diagnóstico diferencial é a leucemia eosinofílica crônica, enquadrada no grupo das neoplasias mieloproliferativas.

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Eosinofilia: como agir?

Pelo fato de as condições primárias serem mais raras, recomenda-se que, diante de um paciente com hipereosinofilia, seja feita uma pesquisa de possíveis causas secundárias, como infecção (ex.: verminose, escabiose), alergia (ex.: asma, rinite alérgica, dermatite atópica, síndrome DRESS), efeito de medicamentos (ex.: penicilina, cefalosporina, anti-inflamatórios não esteroidais), inflamação (ex.: artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal), malignidade (ex.: adenocarcinomas, linfomas), alterações metabólicas (ex.: insuficiência adrenal).

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Em paralelo, deve-se pesquisar lesão orgânica. Qualquer órgão pode ser acometido, logo o quadro clínico é bastante variável. Possíveis manifestações incluem:

  • Cardíaca: dor torácica, dispneia, palpitações, edema de membros inferiores;
  • Respiratória: tosse, dispneia, broncoespasmo;
  • Gastrointestinal: dor abdominal, disfagia, náuseas, vômitos, diarreia;
  • Neurológica: confusão mental, parestesias, perda de memória, alteração comportamental;
  • Cutânea: rash, prurido, dermografismo, eritrodermia.

Dessa forma, recomenda-se a realização de exames complementares, de acordo com a sintomatologia do indivíduo (ex.: dosagem de troponina, eletrocardiograma e ecocardiograma, prova de função respiratória e broncoscopia, eletroneuromiografia).

Se a eosinofilia for persistente e/ou progressiva, associada à pesquisa de causa secundária negativa e/ou à pesquisa de lesão de órgão-alvo positiva, a investigação de desordem hematológica está indicada. Havendo a presença de rearranjos genéticos, faz-se o diagnóstico de neoplasia mieloide/ linfoide com eosinofilia e rearranjo PDGFRA, PDGFRB, FGFR1 ou PCM1-JAK2. Casos com aumento de blastos na medula óssea (5-19%) e/ou anormalidades citogenéticas/moleculares específicas podem representar leucemia eosinofílica crônica.

Quando toda a investigação é negativa, considera-se síndrome hipereosinofílica idiopática, se presença de disfunção orgânica, ou hipereosinofilia idiopática, se ausência de disfunção orgânica.

Casos idiopáticos sem repercussão clínica são candidatos à conduta expectante. Se houver sintomatologia associada, pode ser feita corticoterapia, sendo que, em geral, a contagem de eosinófilos cai expressivamente (até mais de 50% do valor inicial) nas primeiras 24 horas.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • Shomali, William, and Jason Gotlib. World Health Organization‐defined eosinophilic disorders: 2019 update on diagnosis, risk stratification, and management. American journal of hematology (2019);
  • Swerdlow, Steven H., ed. WHO classification of tumours of haematopoietic and lymphoid tissues. International Agency for Research on Cancer, 2017;
  • Klion A. Hypereosinophilic syndrome: current approach to diagnosis and treatment. Annu
    Rev Med 2009; 60:293.
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