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Mulheres com câncer tratado têm mais risco cardiovascular na gravidez?

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Foi realizado recentemente um estudo retrospectivo que incluiu mulheres sobreviventes de câncer previamente expostas a tratamentos potencialmente cardiotóxicos (quimioterapia e/ou radioterapia do tórax) entre 2005 e 2015 em uma clínica de gravidez de alto risco no Hospital Mount Sinai (Toronto, Ontario, Canadá). Foram excluídas as pacientes com tipo e duração do tratamento do câncer desconhecidos ou com outras miocardiopatias familiares.

O desfecho primário foi um composto de eventos cardíacos maternos adversos, incluindo morte cardíaca, insuficiência cardíaca clínica (definida como sinais e sintomas que requeriram adição ou aumento na dose de um agente diurético ou admissão hospitalar para diurese), síndrome coronariana aguda, e arritmia sustentada (> 30s de duração ou sintomática). Todos os desfechos foram vistos durante a gravidez e 16 semanas pós-parto e confirmados por um cardiologista.

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Foram incluídas 78 mulheres que tiveram 94 gravidezes (90 únicas e 4 gemelares). Um total de 55 mulheres receberam antraciclinas, enquanto 23 receberam quimioterapia não com antraciclina e/ou somente radioterapia. Entre as 94 gravidezes, 15 (16%) aconteceram em 13 mulheres com uma história prévia de cardiotoxicidade. Dessas 13, 12 foram tratadas com antraciclina.

O desfecho primário ocorreu em cinco gravidezes em quatro mulheres e consistiram exclusivamente de insuficiência cardíaca congestiva (ICC). Todos aconteceram em mulheres com histórico anterior de cardiotoxicidade. Mulheres com ICC durante a gravidez tinham história prévia de cardiotoxicidade anterior a gravidez (100% vs. 12%, p = 0,007), disfunção sistólica do ventrículo esquerdo na primeira consulta pré-natal (75% vs. 8%, p = 0,004), ou estavam sob medicações cardíacas (50% vs. 8%, p = 0,026) comparadas com aquelas sem ICC.

Mulheres que não tiveram história de cardiotoxicidade durante o tratamento de câncer podem ser asseguradas de que o risco de desenvolver insuficiência cardíaca durante a gravidez será mínimo. Por outro lado, aquelas com histórico de cardiotoxicidade devem ser seguidas intensivamente por um cardiologista durante toda a gravidez.

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Autor:

Alexandre Marins Rocha

Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro ⦁ Pós-graduação em Cardiologia pela Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro ⦁ Mestre em Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal Fluminense ⦁ Ecocardiografista no Labs Amais Grupo Fleury

Referências:

  • Liu S, Aghel N, Belford L, Silversides K C, Nolan M, Amir Eltan, et al. Cardiac outcomes in pregnant women with treated cancer. JACC vol. 72. No 17. 2018. p 2087-9.

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