Infectologia

Nipah: novo vírus com alta letalidade e risco pandémico deixa OMS em alerta

Tempo de leitura: 3 min.

O vírus Nipah, muito mais mortal que o novo coronavírus, fez as autoridades indianas isolarem uma área de 3km após a morte de um menino de 12 anos, no início deste mês. O garoto não identificado foi infectado no estado de Kerala, no sul da Índia. A criança ficou internada por uma semana com febre alta, mas o quadro piorou e não resistiu.

Cento e oitenta e oito pessoas tiveram contato com o menino, sendo que 20 delas eram de alto risco, segundo o portal CBS News, dos Estados Unidos. Dois profissionais de saúde apresentaram sintomas da infecção e foram hospitalizados. 

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Surtos anteriores

O último surto de Nipah na Índia resultou na morte de 17 dos 18 pacientes infectados. O vírus foi descoberto pela primeira vez na Malásia, em 1999, entre criadores de porcos. Desde então, ocorreram diversos surtos – todos no sul e sudeste da Ásia. Ao total, mais de 260 pessoas.

Apesar de apresentar uma taxa de transmissão bem menor que o novo coronavírus, uma vez que não é transmitido pelo ar, o Nipah possui uma taxa de mortalidade bem elevada, de 40% a 75%.

E embora sendo considerado um vírus de potencial pandêmico e perigoso, e sendo monitorado por pesquisadores em todo o mundo, o Nipah dificilmente atravessaria os continentes e chegaria ao Brasil, segundo especialistas.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 75% das infecções por Nipah são fatais. A taxa de mortalidade para o novo coronavírus, em comparação, acredita-se ser de 2%. Cerca de 20% dos sobreviventes apresentam sintomas neurológicos que podem persistir, incluindo convulsões e alterações de personalidade.

Assim como a Covid-19, as infecções por Nipah também podem ser assintomáticas. Já os sintomas, quando surgem, podem se apresentar como uma infecção respiratória aguda até uma encefalite fatal. Os casos já estudados relatam febre, cefaléia, mialgia, vômitos, dores de garganta, tontura, sonolência e alteração da consciência. Algumas pessoas também podem ter pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo dificuldade respiratória aguda. Encefalite e convulsões ocorrem em casos graves, progredindo para coma em 24 a 48 horas. Cerca de 20% dos pacientes que sobrevivem ficam com sequelas neurológicas, como distúrbios convulsivos e alterações de personalidade.

Saiba mais sobre o vírus Nipah

A taxa de letalidade é estimada em 40% a 75%, podendo variar de acordo dependendo das capacidades locais de vigilância epidemiológica e manejo clínico.

O vírus pode ser transmitido para humanos a partir de animais (como morcegos ou porcos) ou alimentos contaminados e ainda diretamente de pessoa para pessoa. Os morcegos frugívoros da família Pteropodidae são o seu hospedeiro natural. 

Ainda não existe vacina disponível para indivíduos ou animais. O tratamento primário para humanos é o cuidado de suporte.

A revisão anual de 2018 da lista do Projeto de P&D da OMS de doenças prioritárias indica que há uma necessidade urgente de pesquisa e desenvolvimento acelerado para o vírus Nipah.

Leia também: Varíola dos macacos: Estados Unidos tem primeiro caso identificado em quase duas décadas

Alerta mundial

Os cientistas alertam que, à medida que o clima esquenta e os humanos destroem o habitat natural de espécies como os morcegos frugívoros na Ásia, aumentam as chances para o surgimento de novas variantes zoonóticas.

A OMS afirmou em sua nota sobre o vírus Nipah que “o risco de transmissão internacional por meio de frutas ou produtos de frutas contaminados com urina ou saliva de morcegos frugívoros infectados pode ser evitado lavando-os bem e descascando-os antes do consumo”. Frutas com sinais de picadas de morcego devem ser descartadas”.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED.

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Publicado por
Úrsula Neves
Tags: vírus Nipah

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