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No Brasil, bebês nascidos com Zika têm maior risco de óbito nos primeiros três anos de vida

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De acordo com um estudo brasileiro publicado no The New England Journal of Medicine, bebês nascidos com síndrome congênita do Zika (SCZ), devido à infecção pelo vírus durante a gestação, apresentam risco maior de evoluir para óbito durante os primeiros três anos de vida do que aqueles nascidos sem a síndrome.

O vírus Zika é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Para muitos, é inofensivo, sem sintomas. Todavia, a exposição pré-natal ao vírus Zika tem potenciais efeitos teratogênicos, com amplo espectro de apresentação, sendo denominada SCZ, e pode resultar em bebês nascendo com condições clínicas, como microcefalia, outras anormalidades congênitas e disfagia. Dados sobre a sobrevida entre crianças com SCZ são limitados.

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No Brasil, bebês nascidos com Zika têm maior risco de óbito nos primeiros três anos de vida

Metodologia

Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo de base populacional, que incluiu dados de todos os nascidos vivos únicos no Brasil no período de 1º de janeiro de 2015 a 31 de dezembro de 2018. Esses nascidos vivos foram acompanhados desde o nascimento até a idade de 36 meses (três anos) ou até o falecimento ou 31 de dezembro de 2018 (o que ocorresse primeiro).

As curvas de Kaplan-Meier e os modelos de sobrevida foram avaliados com ajuste para confundimento e com estratificação de acordo com a idade gestacional (IG), peso ao nascer (PN) e status de pequeno para idade gestacional (PIG).

O estudo foi realizado através de uma parceria da London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), do Center of Data and Knowledge Integration for Health (CIDAS-Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo sido financiado pelo Wellcome e pelo Ministério da Saúde do Brasil.

Resultados

Um total de 11.481.215 crianças nascidas vivas foram acompanhadas até os 36 meses de idade. Em geral, as 3.308 crianças nascidas vivas com SCZ tinham mães mais jovens e com menor escolaridade do que as 11.477.907 crianças sem a síndrome. Um total de 20,2% dos nascidos vivos com SCZ nasceu prematuro (IG igual ou inferior a 36 semanas), 36,4% tiveram baixo PN (inferior a 2.500 g) e 36,6% eram PIG. Dos nascidos vivos sem a síndrome, 10,2% eram pré-termo, 7,3% tiveram baixo PN e 7,1% eram PIG. Houve um predomínio de bebês nascidos vivos com SCZ na região Nordeste (60,1%).

A taxa de mortalidade foi de 52,6 óbitos por 1.000 pessoas-ano entre os nascidos vivos com SCZ, em comparação com 5,6 óbitos por 1.000 pessoas-ano entre aqueles sem a síndrome. A taxa de mortalidade entre os nascidos vivos com síndrome SCZ, em comparação com aqueles sem a síndrome, foi de 11,3.

Entre os bebês nascidos antes de 32 semanas de IG ou com PN inferior a 1.500 g, os riscos de óbito foram semelhantes, independentemente do status da SCZ. Entre os bebês nascidos a termo, aqueles com SCZ tiveram 14,3 vezes mais chances de morrer do que aqueles sem a síndrome (taxa de mortalidade, 38,4 versus 2,7 mortes por 1.000 pessoas-ano). Entre os bebês com peso ao nascer de 2.500 g ou mais, aqueles com SCZ foram 12,9 vezes mais propensos a morrer do que aqueles sem a síndrome (taxa de mortalidade, 32,6 versus 2,5 mortes por 1.000 pessoas-ano).

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A carga de anomalias congênitas, doenças do sistema nervoso e doenças infecciosas como causas registradas de óbitos foi maior entre os nascidos vivos com SCZ do que entre aqueles sem a síndrome. Os pesquisadores não encontraram diferença estatisticamente significativa entre o risco de mortalidade para bebês nascidos com ou sem microcefalia, sugerindo que não existe risco adicional para o bebê. No entanto, isso pode ser porque o estudo não teve poder para observar essa diferença e, dessa forma, ainda precisa ser melhor investigado. Além disso, o momento em que a mãe relata ter uma erupção cutânea (um sintoma comum da infecção pelo Zika), ou se ela teve ou não erupção cutânea, não pareceu alterar o risco de mortalidade da prole.

Conclusão

Os pesquisadores descreveram que este estudo mostrou maior risco de óbito entre os nascidos vivos com SCZ do que entre aqueles sem a síndrome, e o risco persistiu ao longo dos primeiros três anos de vida.

Comentários

Os achados desse relevante estudo chamam a atenção para a importância da prevenção primária da infecção em mulheres em idade fértil contra picadas de Aedes aegypti. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não existe, dentro de suas normas, qualquer empecilho para o uso dos repelentes por gestantes, desde que estejam devidamente registrados na Anvisa e que sejam seguidas as recomendações de aplicações descritas no rótulo.

Referências bibliográficas:

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