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Nova diretriz de hipertensão muda definição de HAS; veja aqui

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Tempo de leitura: 3 minutos.

Como já vinha sendo anunciado, o congresso da American Heart Association (AHA) na Califórnia teve como ponto alto a nova diretriz sobre diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial sistêmica (HAS). Mantendo a vanguarda, os americanos mais uma vez inovaram e surpreenderam muita gente ao sugerir uma nova definição para HAS: PAS ≥ 130 mmHg e/ou PAD ≥ 80 mmHg.

Conduta semelhante havia ocorrido na diretriz de dislipidemia, com critérios mais “precoces” para diagnóstico e início de tratamento farmacológico. A pergunta é: qual a evidência por trás disso? Houve algum novo estudo inovador e bombástico sobre HAS? Esse é o ponto-chave, no qual muitos pesquisadores têm criticado a nova diretriz.

Eles acham que os estudos que embasaram as conclusões da AHA não têm a robustez necessária para levar a novas definições e metas, mas sim a estudos mais profundos sobre o assunto. A dúvida então é se estas novas recomendações “vão colar” e se transformar em prática.

Nosso objetivo nesse texto não é discutir se as diretrizes estão corretas ou não, mas sim resumir do ponto de vista prático o que AHA passa a recomendar a partir de agora em HAS.

Diagnóstico e classificação

Passa a ser considerada hipertensão arterial sistêmica a presença de PAS ≥ 130 mmHg e/ou PAD ≥ 80 mmHg.

Não mudam as recomendações sobre técnica e momento da medida da pressão arterial, mas é incentivado o uso de medidas ambulatoriais, seja por MAPA ou MRPA.

Classificação:

Classificação PA sistólica (mmHg) PA diastólica (mmHg)
Normal < 120 E < 80
Elevada 120-129 E < 80
Hipertensão estágio 1 130-139 e/ou 80-89
Hipertensão estágio 2 ≥ 140 e/ou ≥ 90

Rotina Laboratorial

A avaliação complementar do hipertenso também está mais longa, principalmente se comparada com recomendações nacionais:

  • Hemograma
  • Glicose
  • Creatinina e taxa de filtração glomerular estimada
  • Sódio
  • Potássio
  • Cálcio
  • TSH
  • Perfil lipídico
  • EAS
  • Eletrocardiograma

Já o ácido úrico sérico, a relação albumina-creatinina em amostra urinária e o ecocardiograma ficaram como “opcionais”.

Tratamento

A decisão de quando e como iniciar o tratamento farmacológico não se baseia no valor da PA mas sim no cálculo do risco cardiovascular pelo escore global de Framingham, chamado “ASCVD risk calculator” e disponível no WB.

O alvo terapêutico é uma PA < 130/80 mmHg, sendo que em pacientes de alto risco cardiovascular é feita menção especial que o alvo pode ser < 120/80 mmHg caso haja boa tolerância ao tratamento medicamentoso. Por outro lado, situações especiais podem indicar como alvo o antigo < 140/90 mmHg, sendo citado na diretriz os casos com escore global < 10% e/ou AVC/AIT recente.

É recomendado o início de terapia combinada (2 anti-hipertensivos) se HAS estágio 2 e/ou se a PA medida estiver acima da meta em mais de 20/10 mmHg (sistólica/diastólica). Em idosos, considere “pegar mais leve” devido ao risco de hipotensão postural e quedas.

Os fármacos de primeira linha permanecem os mesmos (tiazídico; iECA ou BRA; e BCC), mas é enfatizada a maior eficácia de tiazídicos e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC) em negros.

Uma vez iniciado o tratamento, a reavaliação será mais precoce (1 mês) em pacientes estágio 2.

HAS PEBMED

*Associada ao tratamento não farmacológico.
**Doença aterosclerótica manifesta, diabetes melito e/ou doença renal crônica.

O tratamento não farmacológico não veio com muitas novidades, mas sim ênfase e maior precisão no que está sendo recomendado:

O que fazer Como fazer
Dieta DASH Aumentar ingestão frutas, vegetais, laticínios desnatados e grãos. Reduzir gordura saturada.
Perda Peso Cada 1 kg de peso perdido reduz a PA em 1 mmHg. Isso é tão ou mais importante do que atingir peso ideal.
Restrição sódio < 1500 mg/dia, podendo ser <1000 mg/dia em casos selecionados.
Aumento ingestão potássio 3500-5000 mg/dia.
Atividade física Aeróbico: 60-150 min/sem + 65-75% da FC máxima

Dinâmico: 90-150 min/sem + 50-805 FC máxima + 6 exercícios com 3 séries de 10 repetições cada

Isométrico: 8-10x/sem + 4 séries de 2 min de hand grip com 1 min de intervalo + carga 30-40% da contração máxima

Redução consumo álcool < 2 drinks/dia homem e 1 drink/dia mulher.

Urgência e emergência hipertensiva

Para alívio do pessoal do plantão, emergência hipertensiva foi mantida como a elevação da PA > 180/120 mmHg ASSOCIADA a lesão aguda de órgão-alvo. É este cenário que exige internação e controle rápido da PA.

Por outro lado, urgência hipertensiva fica caracterizada por elevação > 180/120 mmHg na ausência de lesão aguda e/ou piora de lesão em órgão-alvo. Na maioria das vezes, está associada a má adesão ao tratamento e ansiedade e a diretriz corrobora o tratamento ambulatorial destes casos!

Os demais pontos da diretriz, como rastreamento de hipertensão secundária e hipertensão na gestação, não trazem mudanças substanciais em relação à prática corrente.

Assista nosso vídeo sobre o tema!

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Referências:

9 comentários

  1. Avatar
    Hevoise Papini

    Obrigada pelo resumo. Economiza muito o nosso tempo.

  2. Avatar

    Obrigada!

  3. Avatar
    Ana Karina Vidal Silva

    Síntese excelente! Bem didática! Parabéns!

    • Avatar
      Ana Carolina Pomodoro

      Olá, Hevoise, Pricila e Ana Karina! Ficamos muito felizes com seu retorno e aproveitamos para lhe convidar a continuar acompanhando e participando do nosso portal!

  4. Avatar

    Obrigada muito boa sintese!!

  5. Avatar

    Show ! Obg !

  6. Avatar

    Muito me ajudou! Grata!

  7. Avatar
    Naualy Alencar

    E os valores considerados na MAPA ou MRPA?

  8. Avatar
    Maria do Carmo Lisboa

    Muito boa a síntese sobre novo guideline de Hipertensão, muito útil.

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