Novas evidências relacionam o consumo de café a menor mortalidade

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Beber um “cafézinho” faz parte da vida de quase toda a população brasileira. Estudos anteriores já associaram o consumo da cafeína com diversas causas de mortalidade, mas agora dois artigos, publicados no Annals of Internal Medicine, trazem uma boa notícia para quem não consegue largar o hábito: maior ingestão de café pode reduzir o risco de mortalidade e aumentar a expectativa de vida!

No primeiro estudo, o EPIC (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition), pesquisadores examinaram a relação entre o consumo de café e a mortalidade em 451.743 participantes (130.662 homens e 321.081 mulheres) de 10 países da Europa.

Durante o follow-up de 16,4 anos, ocorreram 41.693 mortes. Em comparação com os não consumidores, os participantes que bebiam três ou mais xícaras de café apresentaram menores taxas de mortalidade por todas as causas (homens: hazard ratio [HR] 0.88 [IC de 95%, 0.82-0.95]; p<0.001; mulheres: [HR] 0.93 [IC de 95%, 0.87-0.98]; p=0.009). Também foram observadas associações inversas para mortalidade por doença digestiva em homens ([HR] 0,41 [IC de 95%, 0,32-0,54]; p<0,001) e mulheres ([HR] 0,60 [IC de 95%, 0,46-0,78]; p<0,001).

Entre as mulheres, houve uma associação inversa do consumo de café com mortalidade por doença circulatória ([HR] 0,78 [IC de 95%, 0,68-0,90], p<0,001) e por doença cerebrovascular ([HR] 0,70 [IC de 95%, 0,55-0,90] p= 0,002). No entanto, também foi encontrada uma associação positiva com mortalidade por câncer de ovário ([HR] 1,31 [IC de 95%, 1,07-1,61], p= 0,015).

Veja também: ‘Energético versus cafeína: efeitos no risco de hipertensão e arritmias’

No segundo estudo, o MEC (Multiethnic Cohort), pesquisadores examinaram associação entre o consumo de café com o risco de morte total e de causa específica em 185.855 afro-americanos, nativos havaianos, japoneses americanos, latinos e brancos com idades entre 45 e 75 anos no recrutamento.

Durante o follow-up de 16,2 anos, ocorreram 58.397 mortes. Em comparação com não beber café, o consumo foi associado a menor mortalidade total (1 xícara por dia: [HR] 0,88 [IC de 95%, 0,85-0,91]; 2 a 3 xícaras por dia: [HR] 0,82 [IC de 95%, 0,79-0,86]; ≥ 4 xícaras por dia: [HR] 0,82 [IC de 95%, 0,78-0,87]; p<0,001).

Considerando as principais causas de morte, o maior consumo de café foi associado a menores riscos de morte por doença cardíaca (p<0,001), câncer (p=0,233), doença respiratória crônica inferior (p=0,015 ), acidente vascular cerebral (p<0,001), diabetes (p=0,009) e doença renal (p<0,001).

Especialistas do Annals of Internal Medicine observam que o café contém diversas substâncias, incluindo compostos bioativos, e como consequência, os benefícios de saúde e mortalidade podem depender de outros componentes que não a cafeína. Por isso, eles pedem cautela na hora de recomendar a ingestão de café para reduzir a mortalidade ou prevenir doenças crônicas.

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Referências:

  • Gunter MJ, Murphy N, Cross AJ, Dossus L, Dartois L, Fagherazzi G, et al. Coffee Drinking and Mortality in 10 European Countries: A Multinational Cohort Study. Ann Intern Med. [Epub ahead of print 11 July 2017] doi: 10.7326/M16-2945
  • Park S, Freedman ND, Haiman CA, Le Marchand L, Wilkens LR, Setiawan VW. Association of Coffee Consumption With Total and Cause-Specific Mortality Among Nonwhite Populations. Ann Intern Med. [Epub ahead of print 11 July 2017] doi: 10.7326/M16-2472
  • Higher Coffee Intake Tied to Lower Mortality Risk – Medscape – Jul 10, 2017.
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Um comentário

  1. ANTONIO ARAUJO COSTA

    COMO MEDICINA NAO E´ UMA CIENCIA EXATA E SIM UMA ARTE BASEADA EM VARIAS CIENCIAS, CABERA SEMPRE AO MEDICO O BOM SENSO E A ANALISE CASO A CASO PARA ORIENTAR OS PACIENTES . NESTE CASO EM PARTICULAR AS EVIDENCIAS POSITIVAS DO CAFE PRINCIPALMENTE NO SEXO MASCULINO NOS DEIXA MAIS A VONTADE.

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