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médico e enfermeira avaliando bebê que nasceu prematuro

Novembro roxo: como reduzir nascimentos prematuros?

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Em todo o mundo, a ocorrência de nascimentos prematuros é variável entre 3,8 a 17,5% de nascidos vivos, sendo maior em países de baixa/média renda. Entre os dez países com os maiores números de nascimentos prematuros está o Brasil.

Fatores de risco provenientes da mãe para nascimento prematuro espontâneo podem ou não ser prévios à concepção e englobam:

  • Posição socioeconômica não privilegiada;
  • Etnia negra;
  • Baixo nível de escolaridade;
  • Baixa estatura;
  • Idade abaixo de 20 ou acima de 35 anos;
  • Mãe solteira;
  • Trabalho exaustivo;
  • Presença de doenças como hipertensão e diabetes.

As famílias de baixa renda podem apresentar outros fatores de risco que podem influenciar a iniquidade, como:

  • Pele negra;
  • Menores níveis de escolaridade;
  • Desemprego.

As desigualdades socioeconômicas ainda são um imenso desafio para as políticas ou estratégias do setor de saúde em países de baixa/média renda. O slope index of inequality (SII) e o relative index of inequality (RII) podem ser usados para analisar iniquidades, apresentar as magnitudes de diferenças absolutas e relativas, respectivamente, dos indicadores de posição socioeconômica, comparando com tendências temporais dos resultados neonatais em estudos epidemiológicos.

Nascimentos prematuros no Brasil

Com o objetivo de avaliar as iniquidades de renda familiar (absolutas e relativas) com relação à ocorrência de nascimento prematuro em quatro coortes de nascimento feitas em Pelotas, RS, em 1982, 1993, 2004 e 2011, Sadovsky e colaboradores (2018) realizaram o estudo Socioeconomic inequality in preterm birth in four Brazilian birth cohort studies, publicado no Jornal de Pediatria, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Os autores realizaram quatro estudos do tipo coorte de nascimentos em 1982, 1993, 2004 e 2011. Os dados de 2011 foram obtidos do estudo multicêntrico Consórcio Internacional de Crescimento Fetal e Neonatal para o Século XXI (Intergrowth 21st).

A exposição principal foi a renda familiar mensal e o desfecho foi o nascimento prematuro. As iniquidades foram calculadas por meio do SII e o RII, ajustados por cor da pele, escolaridade, idade e estado civil maternos.

Foram descritos os seguintes resultados:

  • Houve aumento da prevalência de nascimentos prematuros de 5,8 para 14% (p de tendência < 0,001);
  • O nascimento prematuro tardio foi a maior proporção encontrada dentre os nascimentos prematuros em todos os estudos, apesar de apresentar taxas reduzidas ao longo dos anos;
  • A análise do slope index of inequality identificou iniquidade de renda nos estudos de 1993, 2004 e 2011. Após ajuste, apenas o estudo de 2004 preservou a diferença entre os mais pobres e os mais ricos (6,3 pontos percentuais);
  • As mães mais pobres tiveram maior chance de ter nascimentos prematuros em todos os estudos, através do RII;
  • O ajuste para fatores de confusão demonstrou a manutenção dos mais pobres com maior chance do desfecho apenas em 20041.

Conclusão

Os autores descreveram que o nascimento prematuro esteve relacionado a iniquidades de renda até o ano de 2004, havendo diminuição em 2011, apesar de a taxa de nascimentos prematuros ser mantida mais elevada entre mães mais pobres em todos os estudos.

Os resultados do estudo de Sadovsky e colaboradores (2018) enfatizam a relevância de políticas de saúde pública, inclusão social e promoção de melhoria na renda e nos níveis de escolaridade entre famílias com vulnerabilidade socioeconômica, como parte dos esforços para a diminuição do nascimentos prematuros e melhoria dos desfechos em neonatos.

Mais da autora: Neobrain Brasil 2019: Resultado e viabilidade da hipotermia terapêutica

Os autores destacam que a baixa renda pode estar relacionada à exclusão social de indivíduos em suas comunidades e, dessa forma, está relacionada a iniquidades de saúde. Ademais, a baixa renda pode determinar modificações na saúde materna e infantil e influenciar morbidades neonatais e na infância, refletindo no futuro da criança.

Para Sadovsky e colaboradores (2018), a influência da renda sobre a saúde materna e infantil pode ser decorrente de dificuldades antes da gestação, como acesso a alimentos de boa qualidade/quantidade, acompanhamento pré-natal adequado e reconhecimento precoce de morbidades.

Autor:

Referência bibliográfica:

  • SADOVSKY, A. D. I. et al. Socioeconomic inequality in preterm birth in four Brazilian birth cohort studies. Jornal de Pediatria, v.94, n.1, p.15-22, 2018.

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