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Novo cateter percutâneo auxilia no tratamento de pacientes dialíticos

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As estenoses de veia central ou oclusão são problemas comuns associados a pacientes dialíticos, em estágio avançado da doença. Os cateteres percutâneos de diálise são considerados a última opção para pacientes onde já não há mais espaço para fístula ou enxertos. Eles são associados à incidência elevada de infecções e tromboses, o que significa maior número de internações e piora na qualidade de vida.

Um novo cateter percutâneo de longa permanência (Hemodialysis Reliable Outflow -HeRO®) foi aprovado pela The U.S Food And Drugs Administration (FDA) e chegou ao Brasil neste semestre. O dispositivo foi estudado e desenvolvido para pacientes em estágio final da Doença Renal Crônica Dialítica e que possuem oclusão de veia central.

Leia mais: Doença renal em fase terminal: hemodiálise ou diálise peritoneal?

O HeRO® consiste em 5mm de silicone reforçado com nitinol, posicionado no átrio direito, e 6 mm de politetrafluoroetileno (PTEFE) cuja função é realizar anastomose na artéria braquial. Todo o cateter é tunelizado, bem como a área de punção para a hemodiálise, reduzindo assim o risco de infecção, e o fato do sangue arterial se destinar diretamente ao átrio direito diminui significativamente o risco de trombose do dispositivo.

Em estudo norte-americano, prospectivo, multicêntrico, não-randomizado, com início em 2006 foi posto à prova aos possíveis benefícios do HeRO®. Seus desfechos foram a diminuição de risco de bacteremia, aplicabilidade clínica com melhora do paciente através da manutenção da hemodiálise e patência do dispositivo. Os resultados foram animadores. O HeRO® apresentou redução de 69% de bacteremia nos pacientes, comparados aos implantes de cateteres tunelizados habituais e apresenta patência secundária próxima às anastomoses artério-venosas.

Atualmente, os guidelines recomendam para todos os pacientes em estágio final da falência renal iniciar hemodiálise através de fístula artério-venosa, enxerto artériovenoso em segunda instância, cateter venoso tunelizado como terceira opção e, finalmente, cateter não tunelizado se necessário. Agora, após o desenvolvimento do Hero®, os pacientes com falência de todas as vias para diálise têm uma esperança de continuarem com o tratamento.

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Autor:

Gustavo Bomfim Dos Santos

Angiologista e Cirurgião Vascular / Endovascular / Doppler ⦁ Novo Clínica – Novo Horizonte/SP ⦁ IMV Campinas/SP

Referências:

  • Ratcliff, C; Hansrani, M.M. From ZeRO to HeRO: Saving lives one HeRO at a time. International Journal of Surgery Case Reports.27 (2016)p.90-92.
  • Katzman, H.E.; McLafferty, R.B.; Ross, J.R.; Glickman, M.H.; Peden, E.K.; Lawson J.H. Initial experience and outcome of anew hemodialysis acess device for catheterdependent patients. New England Society for Vascular Surgery. Vol.50, n.3, p.600- 607.September 2009.
  • Shakarchi, J.A.; Houston, J.G.; Jones, R.G.; Inston, N. Areview on the Hemodialysis Reliable Outflow (HeRO) Graft for Haemodialysis Vascular Acess. Eur J Vasc Endovasc Surg (2015) 50, 108-113.

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