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Número de mulheres na Medicina aumenta, mas salário é inferior ao dos homens

Tempo de leitura: 3 minutos.

Embora o número de mulheres exercendo a Medicina esteja em crescimento, o salário ainda é menor aos dos homens que ocupam as mesmas posições. Esta foi uma das conclusões da quarta edição da Pesquisa Demografia Médica no Brasil 2018, realizada pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). As informações foram publicadas no periódico BMJ Open.

Quando a variável tempo de prática foi analisada, os pesquisadores observaram diferenças salariais em todas as categorias, indicando que a disparidade não é produzida ao longo da carreira médica. Por esse motivo, os responsáveis pelo estudo acreditam que a desigualdade de gênero pode explicar a disparidade salarial encontrada.
O estudo foi realizado com 2.400 médicos em todo o Brasil através de uma pesquisa por telefone. Os pesquisadores mapearam salários e condições de trabalho, como local, carga horária e especialidade.

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A diferença na remuneração de homens e mulheres é bastante significativa. Em todos os cenários analisados, a chance de os profissionais homens receberem mais do que as colegas mulheres é maior. Em três categorias salariais mais baixas o percentual de mulheres é de quase 80%, já nas três categorias mais bem remuneradas a prevalência masculina é de 51%.

Entre os profissionais que trabalham de 20 e 40 horas semanais, apenas 2,7% delas recebem cerca de US$ 10.762 por mês (cerca de R$ 42.780), em comparação com 13% deles. A probabilidade de homens receberem o nível salarial mais alto – acima de US$ 10.762 – é de 17% e, de mulheres, de apenas 4%.

A desigualdade salarial entre os gêneros persistiu em relação à carga horária, atendimento em consultório e plantões.

Realidade em outros países

Essas diferenças salariais também foram relatadas em um estudo britânico que demonstrou que a renda das médicas representava apenas 89% da dos médicos. Da mesma forma, as mulheres norte-americanas recebem 83% da remuneração dos homens, trabalhando o mesmo número de horas por semana.

Médicos ocupam mais cargos de liderança

A pesquisa também ressalta que as mulheres concentram-se mais em especialidades como clínica geral, pediatria, medicina da família, ginecologia e obstetrícia, que pagam menos se comparadas com especialidades cirúrgicas, ocupadas em sua maioria por homens. O estudo aponta ainda que eles ocupam posições de liderança com mais regularidade do que as mulheres na área médica.

Embora os homens ainda sejam maioria entre os profissionais de Medicina (54,4%), esse número vem caindo ao longo dos anos e as mulheres já são predominantes entre os profissionais mais jovens, sendo 57,4% no grupo até 29 anos e 53,7%, na faixa entre 30 e 34 anos, conforme a pesquisa.

Quantidade de médicos aumenta, mas não garante melhor distribuição nacional

Outra descoberta interessante da mesma pesquisa é que o número de profissionais de Medicina aumentou no país, mas isso não garantiu uma melhor distribuição nacional.

Além de estarem concentrados em grandes centros e capitais brasileiras, os médicos estão mal distribuídos entre os setores públicos e privados de saúde. Em 2020, o país terá ultrapassado a marca de meio milhão de médicos. A região Sudeste tem a maior taxa, com 2,81 médicos por mil habitantes.

“Faltam médicos nos pequenos municípios, nas periferias das grandes cidades e em vários serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) – na atenção primária, em prontos-socorros e em ambulatórios de especialidades”, afirmou Mário Scheffer, coordenador da pesquisa e professor do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.

Conclusão

O estudo apontou que, enquanto em todo o território brasileiro existem 2,18 médicos por mil habitantes, em algumas capitais há 12 médicos por mil habitantes, como em Vitória, capital do Espírito Santo. No outro extremo, no interior das regiões Norte e Nordeste, há menos de um médico por mil habitantes. O Sudeste é a região com maior densidade médica, com cerca de 2,81, contra 1,16 no Norte e 1,41 no Nordeste.

“De um lado, é preciso buscar soluções para as desigualdades estruturais que persistem, tanto na oferta de médicos quanto no acesso dos cidadãos a serviços e ações de saúde. De outro, com a multiplicação dos cursos de graduação, há que se garantir a qualidade ameaçada da formação médica, por meio de avaliação externa, sistemática e consequente. Diante disso, estamos realizando esforços no sentido de que o exame para os recém-formados em Medicina seja obrigatório e garantido por lei’, diz Lavínio Nilton Camarim, Presidente do Cremesp.

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