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O mundo digital na infância: novas recomendações da SBP

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No início deste ano, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou um novo documento sobre a relação das crianças de 0 a 3 anos de idade e o mundo digital. Esse tema ainda é um grande dilema para os pais, diante da nova era tecnológica em que vivemos e uma controvérsia entre os pediatras.

Podemos afirmar que os três primeiros anos de vida são considerados cruciais no neurodesenvolvimento, nesta fase há maior plasticidade cerebral, o que gera uma grande adaptação do cérebro em relação às experiências e descobertas vividas pelas crianças. Diante deste aspecto, algumas consequências do uso indiscriminado das tecnologias digitais devem ser abordados.

Nesta faixa etária é muito importante que a motricidade seja desenvolvida, e com o uso rotineiro de artifícios digitais a criança acaba perdendo o interesse em conhecer o mundo ao seu redor e, consequentemente, desenvolve menos os movimentos do corpo como engatinhar, andar e tocas objetos.

Quanto utilizamos as mídias digitais como forma de chamar a atenção das crianças, estas passam a focar apenas na visão e audição, que são as sensações mais utilizadas nesses momento, deixando um pouco de lado outras sensações como o tato, olfato e paladar, prejudicando de certa forma o desenvolvimento de um modo integral.

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Hoje em dia, é rotineiro vermos as mídias digitais inseridas em atividades cotidianas como na hora da alimentação, um passeio de carrinho pelo parque ou dentro de um meio de transporte. Tais atitudes fazem com que a criança passe por esses momentos de forma despercebida, na relação com o alimento como o paladar, a sensação do alimento na boca, a sensação de saciedade e o cheiro dos alimento acabam sendo ofuscados. Assim como em uma simples fila de espera, na qual frequentemente observamos o uso das mídias digitais, a criança deixa de perceber sons e até mesmo passar por aquele momento de espera que faz com que ela compreenda outras emoções.

Outro fator fortemente influenciado pelas mídias digitais é o desenvolvimento da criatividade. Como a criança passa os momentos ociosos e de tédio em uso dessas tecnologias, acaba não desenvolvendo de forma satisfatória este aspecto.

A principal característica das mídias digitais é o seu poder de super estimulação visual em detrimento de todos os outros sentidos, levando a uma não experimentação, o que influenciará a percepção do seu próprio corpo. Como consequência, a criança poderá apresentar dificuldades de orientações espaciais, na realização de tarefas que necessitem de coordenações mais elaboradas (ex: calçar sapatos) e pode levar a inseguranças.

Outra característica que devemos abordar é o uso das telas para que os adultos não precisem dar limites ou dizer não para as crianças. Devemos sempre diferenciar uma criança que está quieta porque está distraída ou fascinada por uma imagem, o que não deve ser considerado como uma criança educada e sim passiva em frente a uma tela.

Portanto, sabendo que a faixa etária de 0 a 3 anos é a fase de maior desenvolvimento cerebral e mental, a Sociedade Brasileira de Pediatria, assim como a Academia Americana de Pediatria, não recomenda o uso de mídias digitais como forma de brinquedo ou distrações para crianças.

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Autora:

Carolina Monteiro

Formada em Medicina pela UNIGRANRIO ⦁ Pediatra pelo Hospital Municipal Salgado Filho ⦁ Residente em Neonatologia no Hospital Federal de Bonsucesso ⦁ Telefone do consultório: (21) 38021656

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