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Orientação sexual, identidade e expressão de gênero: conhecendo para cuidar da população LGBTI+

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A sexualidade humana é constituída por diversos fatores relacionados às questões biológicas, psicológicas, sociais e culturais. Na história da humanidade, a sexualidade foi vista de diferentes formas ao longo da história. Sociedades antigas já conviveram com uma maior liberdade do que o mundo contemporâneo. A sociedade passou por um profundo recenseamento da liberdade humana, desde a consolidação dogmática da igreja no mundo ocidental e de outros fatores de constituição histórica, que levaram à criação de regras sobre o corpo. 

Na luta por uma existência sem violência e pela obtenção de direitos, pessoas vêm buscando o direito de existir, principalmente desde a década de 70, onde inicia-se mais dispositivos de luta e discussão sobre os direitos de existência, relacionados a pautas que envolvem a sexualidade humana, ou a própria forma de existir. A luta da população LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis/Transexuais, Queer e Intersex.) se arrasta até os dias atuais e sem previsão para que deixe de ser uma vulnerabilidade de nossa sociedade. Faz-se necessário que diversos espaços da sociedade realizem discussão para inclusão e combate ao preconceito e a violência. Esse é um dos espaços!

Vamos elucidar os profissionais da saúde quanto às questões que envolvam a sexualidade humana. É claro que de forma seminal, trazendo em outros momentos mais aprofundamento das temáticas aqui discutidas. A sexualidade humana é formada por uma múltipla combinação de fatores e é composta basicamente por quatro elementos: identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico. Sabemos que temos diversas formas de vivência, expressão e identidade e por isso, vamos trazer alguns conceitos e definições sobre a temática.

A sexualidade humana é formada por quatro elementos: identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico.

O sexo biológico

O sexo biológico é considerado pela ciência como o conjunto de informações cromossomiais. Se baseia na identificação genotípica e considera os órgãos sexuais do nascimento, a capacidade de reprodução e as principais características físicas e fisiológicas que diferenciam o masculino do feminino, ou macho da fêmea. Existe a possibilidade de pessoas nascerem com características femininas e masculinas, sendo chamadas de intersexos. Essa palavra é preferível à terminologia “Hemafrodita”, que já carrega em seu nome atributos de estigma social. O sexo biológico vem sendo tratado ao longo da história da sociedade como uma forma tácita de compreensão da sexualidade humana, por isso, deve ser discutido e refletido em relação ao que tange às práticas de saúde, evitando assim, as iatrogenias do cuidado.

Na história da sociedade, a definição sexual pela compreensão do sexo biológico, desvela importância na reprodução, gerando a concepção de única forma de existência. Esse fenômeno tem gerado violência por meio da coerção de outras formas de existir. No serviço de saúde houve a necessidade de haver a criação da política integral de atenção à população LGBTI+, uma vez que essas pessoas não alcançavam o direito de acesso aos serviços de saúde, tornando-se vulneráveis a diversas doenças. Isso acontece principalmente pela falta de conhecimento dos profissionais de saúde e pelo preconceito estrutural presente no serviço.

Atração ou orientação sexual

Considerada como a atração afetiva e/ou sexual, manifestada por uma pessoa frente a outra, de maneira involuntária ao seu desejo. Existem alguns tipos de orientação sexual, na maioria dos casos encontramos:

  • Heterosexual: atração afetiva e sexual por pessoas do sexo oposto;
  • Homossexual: atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo sexo e gênero;
  • Bissexual: atração afetiva e sexual por pessoas de ambos os sexos/gêneros;

É importante destacar que não se usa o termo opção sexual, por não se tratar de uma escolha. Lembre-se que a manifestação é involuntária ao desejo da pessoa. A violência na história da população LGBTI+ se dá na produção de uma conduta que pretende controlar a orientação sexual das pessoas, em um modelo voltado para a compreensão de uma única possibilidade, a heterosexualidade.  Não utilizamos mais o termo “homossexualismo”, pois o sufixo “Ismo” se relaciona com o conceito de doença, lembrando que era considerada uma patologia até a década de 1990. E claro, sabemos que outras formas de orientação sexual diferentes da heterosexualidade não constitui-se como doença ou distúrbio.

Terminologia
V Orientação sexual
X Opção Sexual
V Homossexualidade
X Homosexualismo

Gênero

O gênero é a construção social. O conceito foi criado nos anos 70, para diferenciar a dimensão biológica da social. Homens e mulheres são diferentes em seu nascimento, mas se diferenciam ainda mais, por causa de outras questões, que na história da humanidade se relacionam com a expressão cultural, construindo uma realidade social de existência que produz uma paradigma de comportamento e expressão. Hoje sabemos que, necessariamente, a sua condição anatômica de nascimento não é fator único e primordial para definir o gênero. Então hoje sabemos que se relaciona com a autopercepção e a forma de como a pessoa se expressa socialmente. 

É importante destacar que meninos que gostam de cozinhar não são necessariamente gays e meninas que gostam de futebol não são necessariamente lésbicas. A sociedade, ao longo da história, criou um comportamento social esperado, onde homens e mulheres necessariamente eram definidos por funções, hábitos do saber-fazer e comportamentos já previamente estabelecidos. O fato de uma pessoa nascer com pênis não pode fazê-la refém de gostar de luta, futebol ou carro. Mas infelizmente isso aconteceu ao longo da história. Pessoas que iam na contramão dessa lógica sofreram diversas violência. Todos nós temos comportamentos masculinos e femininos e por isso, essa discussão precisa avançar em nossa sociedade.

  • A expressão de gênero

A expressão relacionada ao gênero pode ser considerada a forma que a pessoa manifesta socialmente sua identidade de gênero, se relaciona com sua identificação nominal, suas roupas, seu cabelo, a forma de usar a voz, a forma de expressão do corpo. Não corresponde com o sexo biológico. A expressão de gênero não aponta o gênero, a orientação ou a identidade necessariamente. A maioria das pessoas descrevem suas expressões de gênero como masculina ou feminina. No entanto temos outras formas de expressão de gênero: 

  • Andrógina, 
  • Não binária, 
  • Fluída.

A identidade de gênero

É considerada a percepção que a pessoa possui de si, em relação ao gênero feminino, masculino ou ambos, e até nenhum dos dois. Independe do sexo biológico. É a compreensão da pessoa sobre ela mesma, como ela se vê e deseja ser reconhecida. Pode ou não concordar  com o gênero que lhe foi atribuído no nascimento.

Vamos conhecer alguns conceitos sobre a identidade de gênero?

  • Cisgênero:  A Identificação do gênero de acordo com o determinado em seu nascimento;
  • Transgênero: Não se identifica com comportamentos convencional do gênero de seu nascimento;
  • Queer: Não se enquadra em nenhuma identidade ou expressão de gênero. 
  • Mulheres Transexuais e Homens Trans: São aquelas pessoas que possuem identidade de gênero diferente do sexo biológico. Se afastam do sexo biológico se identificando psíquicamente pelo sexo oposto. Podem realizar modificações corporais por meio de terapias hormonais ou cirurgias, em busca do atributo físico que as fazem felizes. 
  • Intersexual: Quando há variação na pessoa do padrão de masculino ou feminino culturalmente estabelecido, nas condições fisiológicas.

Travestis: Nascem com sexo masculino e tem identidade de gênero feminina. Não possui desconforto com o sexo biológico de nascimento, bem como com traços corporais femininos e masculinos, necessariamente. A identidade de gênero  é feminina e, por isso, utiliza-se o artigo definido “A” em sua identificação. Assim, o correto será sempre “A travesti e não o travesti”. Lembramos que não deve ser sinônimo de profissional do sexo, que é um estigma que pessoas que são travestis enfrentam diariamente. É importante diferenciar travestis de Crossdresser e Drag Queen/King ou Transformistas.

  • Crossdresser: Pessoas que se vestem e usam acessórios e/ou se maquiam de forma diferente do que é socialmente estabelecido para o seu gênero, sem se identificar como travesti ou transexual. 
  • Drag Queen/King ou Transformista: são artistas que se vestem conforme o gênero masculino ou feminino, para fins artísticos ou de entretenimento.

Nesse artigo trouxemos alguns conceitos importantes para que os profissionais de saúde possam gerar atenção integral à saúde das pessoas LGBTI+. O conhecimento pode diminuir iatrogenias de cuidado que já se iniciam no primeiro contato com a população LGBTI+. Lembro que se o mundo mudou, temos que mudar com ele. Não há mais espaço para preconceito em nossa sociedade e por isso, precisamos agir nos serviços de saúde para que a LGBTfobia não afete o sistema de maneira estrutural. O primeiro passo é compreender os princípios constitucionais que são o norte para o tratamento igualitário a todos as pessoas. Posterior a isso, sempre teremos o respeito e a aceitação da existência do outro, criando relações mais igualitárias na sociedade.

Autor:

Referências bibliográficas:

  • São Paulo. Governo do Estado. Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual. Diversidade sexual e cidadania LGBT. 3ª ed. São Paulo: SJDC/SP, 2018. 47 p.
  • Santos, Juliana Spinula dos, Silva, Rodrigo Nogueira da e Ferreira, Márcia de AssunçãoHealth of the LGBTI+ Population in Primary Health Care and the Insertion of Nursing. Escola Anna Nery, v. 23, n. 4,  2019. 
  • Silva, Jumar Reis da et al. Health care for LGBTI+ elders living in Nursing Homes. Revista Brasileira de Enfermagem, , v. 74, n. Suppl 2, 2021.
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