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O sono insuficiente e suas consequências no metabolismo

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Há cerca de 20 anos, os efeitos metabólicos do sono insuficiente já eram conhecidos. Ainda assim, em detrimento de tantas evidências já publicadas, um terço dos adultos dormem menos que as sete horas recomendadas pelo Academia Americana de Medicina e pela Sociedade de Pesquisa do sono.

Muitos acreditam na compensação do sono perdido durante a semana, em ‘horas extras’ dormidas no fim de semanas. Porém, de acordo com recente trabalho da Current Biology, a desregulação metabólica causada não é tão facilmente compensada.

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Foram avaliados 36 adultos saudáveis, com idade entre 18 e 39 anos, divididos aleatoriamente em três grupos:

  • Grupo 1 = controle: nove horas de sono por noite durante nove noites.
  • Grupo 2 = restrição sem recuperação no fim de cinco horas de sono por noite durante nove noites.
  • Grupo 3 = restrição com recuperação no fim de semana: cinco horas de sono por noite durante cinco noites, sono sem restrições no fim de semana, seguido por outras duas noites de cinco horas de sono.

As variáveis analisadas em cada grupo foram: ganho de peso, mudanças na sensibilidade à insulina e padrões   alimentares. O grupo 3 perdeu cerca de 12 horas de sono durante os primeiros cinco dias, dormiu três horas extras sexta e sábado à noite e apresentou dificuldade de dormir no domingo à noite. Foi avaliado também que as mulheres dos grupos 2 e 3 correm maior risco de evoluir com insônia que os homens dos mesmos grupos.

Quanto ao comportamento das variáveis, esse trabalho permitiu inferir:

  • Ganho de peso: cada participante dos grupos 2 e 3 ganharam cerca de 1,4 kg ao final do estudo.
  • Sensibilidade à insulina: Diminuiu em apenas 3 dias de restrição do sono; sendo que o
    declínio foi mais importante no grupo 3 (27%, comparado aos 13% do grupo 2);
  • Padrões alimentares: Grupo 2 consumiu um excesso de 500 calorias por noite após o
    jantar em comparação com as 641 calorias a mais após o jantar durante a semana do Grupo 3;

O co-autor Kenneth Wright, diretor do Laboratório do sono e Cronobiologia da Universidade do Colorado diz que o sono insuficiente implica em gasto energético de cerca de 5%, gerando fome. Porém a ingestão de alimentos à noite, após o jantar, superou esse gasto calórico, levando ao ganho de peso.

Há que se considerar que este trabalho foi conduzido utilizando uma população saudável. Será que as mudanças metabólicas seriam piores em pessoas que não tão jovens e saudáveis? Kenneth conclui dizendo que o sono é fundamental e quando não conseguimos o suficiente, isso vai perturbar bastante nossa fisiologia. É como fumar: as conseqüências são a longo prazo.

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