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Omicron BA.2: o que sabemos sobre a nova variante?

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A alta transmissibilidade da variante ômicron surpreendeu o mundo, espelhando-se pelo mundo e tornando-se a variante dominante rapidamente. O grande número de mutações em relação ao vírus selvagem causou preocupação logo que a nova variante foi descoberta. Hoje, sabe-se que as mutações da ômicron resultaram, não só em maior capacidade de transmissão, mas também em escape vacinal. 

Em novembro de 2021, uma subvariante da ômicron, denominada de BA.2, foi identificada nas Filipinas. Com 40 mutações de diferença em relação à subvariante mais frequente, denominada BA.1, a BA.2 já começou a se espalhar mundialmente, sendo identificada em vários países da Ásia e Europa e, mais recentemente, no Brasil. Vejamos o que se sabe essa variante até o momento.

ômicron

Epidemiologia 

Até 24 de janeiro de 2022, 10.873 sequências de 49 países preenchiam os critérios de sequenciamento para a subvariante BA.2. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) já indicam sua presença em 57 países. Embora a subvariante BA.1 ainda seja considerada a predominante, o papel da BA.2 como agente das infecções vem crescendo substancialmente, como em países como Índia e Dinamarca. 

Na Inglaterra, a taxa de crescimento logarítmica – mensurada em comparação com as outras subvariantes da ômicron – varia atualmente entre 53% e 159% por semana. Uma taxa de crescimento logarítmica de 0% indicaria ausência de diferença entre as taxas de crescimento da BA.1 e a BA.2.

Transmissibilidade 

A rede de vigilância britânica divulgou seus dados sobre a BA.2, fazendo uma análise sobre as taxas de ataque secundários, identificando contatos que se tornaram infectados após dois a sete dias de exposição. Foram incluídos na análise somente os dados de contatos próximos, isto é, contatos domiciliares, contatos face a face, pessoas até um metro de distância por pelo menos um minuto e pessoas até dois metros de distância por pelo menos 15 minutos. 

Apesar dos dados limitados, a taxa de ataque secundário para contatos domiciliares foi calculada em 13,4% (IC 95% = 10,7 – 16,8%), mais alta do que para outros casos de ômicron, em que essa taxa foi estimada em 10,3% (IC 95% = 10,1 – 10,4%). Não foi possível calcular as taxas de ataque secundários de contatos próximos em outros contextos. 

Um estudo pré-print dinamarquês vai na mesma direção. Analisando a dinâmica de transmissão de ambas as subvariantes, os autores encontraram uma taxa de ataque secundário para contatos domiciliares de 39% em até sete dias quando o caso índice estava infectado pela BA.2. Para infecções do caso índice por BA.1, a taxa de ataque secundário foi de 29%. Com um seguimento de 14 dias, a tendência foi a mesma, com uma taxa de ataque de 42% para BA.2 e de 36% para BA.1.

Efeito sobre as vacinas 

Uma preocupação é se as novas mutações seriam capazes de alterar a resposta das vacinas à infecção pela nova subvariante. Os dados britânicos indicam que não há diferença estatística da efetividade da vacinação entre as subvariantes BA.1 e BA.2. Após duas semanas, a efetividade foi de 9% (7 a 10%) e de 13% (-26 a 40%) após 25 semanas para BA.1 e BA.2, respectivamente. Após duas semanas de uma dose de booster, a efetividade estimada sobe para 63% (63 a 64%) para BA.1 e 70% (58 a 79%) para BA.2. 

O estudo dinamarquês citado previamente investiga outra relação da vacinação com a transmissibilidade. Segundo a análise dos autores, a suscetibilidade de potenciais casos secundários foi maior entre os contatos domiciliares não vacinados (ou vacinados com apenas uma dose) e menor entre os vacinados e com booster. Essa diferença, entretanto, parece ser menor com a BA.2 do que com a BA.1. Para ambas as subvariantes, observou-se menor transmissibilidade para os contatos domiciliares quando o caso índice era vacinado com booster do que com esquema completo, mas sem dose de reforço, ou não vacinado. 

Comparando-se as subvariantes, os autores encontraram uma suscetibilidade maior à infecção em contatos domiciliares com a BA.2 em relação a BA.1, em todas as classificações de status vacinal: não vacinados ou vacinados somente com uma dose (OR = 2,19; IC 95% = 1,58 – 3,04), com vacinação completa (OR = 2,45; IC 95% = 1,77 – 3,40) e com vacinação completa com booster (OR = 2,99; IC 95% = 2,11 – 4,24). 

Em relação à transmissibilidade do caso índice para os contatos domiciliares, para casos índices não vacinados ou vacinados somente com uma dose, houve maior risco de transmissão quando infectados pela subvariante BA.2 do que quando pela BA.1 (OR = 2,62; IC 95% = 1,96 – 3,52). Entretanto, não houve diferença quando os casos índices tinham esquema vacinal completo ou com dose de booster.

Leia também: Lições da efetividade em campanhas vacinais anti-Covid-19 em comunidades de nativos

Mensagens práticas

  • Existem poucas evidências em relação à nova subvariante BA.2, mas sua incidência vem aumentando e as taxas de ataque parecem ser maiores do que as outras subvariantes da ômicron.
  • Não parece haver diferença na efetividade da vacinação da nova subvariante em relação às outras da ômicron.
  • A dose de reforço parece ser importante para efeitos na redução de suscetibilidade e transmissibilidade das subvariantes da ômicron.

Referências bibliográficas:

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