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Orientações ao paciente para evitar a contaminação da amostra na cultura de urina

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A urina é um fluído biológico de fácil obtenção, de coleta simples e indolor, que pode ser submetida a diferentes análises e provas laboratoriais para o diagnóstico e acompanhamento de diversas patologias. A investigação de ITU (infecção do trato urinário) representa a condição clínica mais comum na qual a análise desse fluído corporal é solicitada, notadamente o exame químico-físico e do sedimento (EAS/urina tipo 1/sumário de urina), além da cultura (considerada o padrão-ouro do diagnóstico laboratorial das infecções urinárias), identificação bacteriana e antibiograma.

A cultura de urina, também chamada de urinocultura ou urocultura, é uma maneira rápida, eficiente, amplamente disponível e de baixo custo, para o diagnóstico de infecção urinária. Porém, nesse exame existe a possibilidade de que o crescimento bacteriano detectado possa ser devido a outros fatores, como contaminação da amostra, colonização da uretra e colonização de forma assintomática da urina na bexiga.

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Portanto, faz-se necessário um controle rigoroso da fase pré-analítica do exame (solicitação médica pertinente, informação sobre o uso prévio de antibióticos e internações recentes, instrução e preparo do paciente, forma de coleta, identificação da amostra, recipiente de coleta, acondicionamento, transporte). Isso tudo a fim de garantir o adequado preparo da amostra biológica.

Com vistas a mitigar a possibilidade de contaminação da amostra (definida como mais de 2 isolados em uma quantificação de 104 UFC/mL), e melhorar a confiabilidade do resultado, algumas orientações gerais para a urocultura devem ser seguidas:

  • A coleta deve ocorrer em condições normais de hidratação, haja vista que a urocultura é um exame quantitativo;
  • Utilização de frasco estéril com tampa, resistente a vazamentos. Após a coleta, fechar o frasco, sem tocar na parte interna;
  • Volume mínimo de 1,0 mL (se somente a urocultura for solicitada);
  • Retenção de, no mínimo, 2 horas entre a coleta e a última micção, para indivíduos com controle esfincteriano, não obrigatoriamente sendo a primeira urina da manhã;
  • Lavar as mãos, realizar assepsia da região genital, e colher o jato médio (meio) da urina, sem interromper o fluxo;
  • O tempo decorrido entre a coleta e a análise da amostra sem conservante é de no máximo 2 horas à temperatura ambiente, ou em até 24 horas sob refrigeração. Nas amostras coletadas com conservante (por exemplo: ácido bórico), o processamento da amostra pode se dar em até 24 horas à temperatura ambiente;
  • A coleta de urina em comadre ou urinol não é recomendada;
  • Em crianças menores, sem controle esfincteriano, o uso do saco coletor tem maior valor em descartar uma infecção, do que propriamente confirma-la. Nesses casos, a sondagem vesical é mais pertinente, podendo ser realizada também a punção suprapúbica.

Sua positividade, nível de crescimento microbiano e interpretação dependem do tipo de coleta realizada (jato médio, saco coletor, sondagem vesical de alívio, sondagem de demora, punção suprapúbica), perfil do paciente (sexo, idade, comorbidades), uso de medicamentos, procedência (ambulatorial X hospitalar), sinais e sintomas apresentados.

Desse modo, apesar da urocultura ser um dos exames mais solicitados e rotineiros na prática clínica, sua correta apreciação exige uma abrangente e íntima correlação com os diversos fatores envolvidos em seu resultado, evitando assim condutas equivocadas.

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Referências:

  • Jacobs DS, DeMott WR, Oxley DK, eds. Jacobs & DeMott Laboratory Test Handbook With Key Word Index. 5th ed. Hudson, OH: Lexi-Comp Inc; 2001.
  • LaRocco M, Franek J, Leibach EK, Weissfeld AS, Kraft CS, Sautter RL et al. Effectiveness of preanalytic practices on contamination and diagnostic accuracy of urine cultures: a laboratory medicine best practices systematic review and meta-analysis. Clin Microbiol Rev. 2016;29:105-47.
  • SBPC/ML. Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML): fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais. 1.ed. Barueri: Manole, 2018.

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