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Orientações sobre retorno à prática de esportes na infância em tempos de Covid-19

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De acordo com a American Academy of Pediatrics (AAP), crianças que tiveram Covid-19 podem precisar de um eletrocardiograma (ECG) antes de voltarem a praticar esportes. Essa orientação é decorrente de evidências crescentes de que a infecção pelo vírus SARS-CoV-2 pode causar sequelas cardíacas graves.

Segundo a AAP, estudos adicionais aprofundados são necessários para entender verdadeiramente a infectividade e transmissibilidade do SARS-CoV-2 em qualquer paciente com menos de 18 anos de idade, incluindo crianças e adolescentes com deficiências e diagnósticos complexos.

Retorno aos esportes

O contato prolongado e próximo com uma pessoa infectada com SARS-CoV-2 é o principal fator de transmissão. Portanto, o tipo de esporte (dependendo do número de jogadores, frequência e duração do contato) e o ambiente onde é realizado (indoor versus externo, tamanho e ventilação do local) supostamente influenciarão o risco de infecção. Embora não seja a principal forma de transmissão provável, é possível que o SARS-CoV-2 seja transmitido em superfícies; dessa forma, esportes que fazem uso de equipamentos, instalações ou superfícies comuns podem representar risco adicional.

No entanto, o retorno à prática de esportes traz benefícios, tanto físicos quanto psicológicos, para crianças e adolescentes. A atividade física permite que os jovens melhorem a saúde cardiovascular, a força, a composição corporal e a forma física geral. Mentalmente, os jovens podem experimentar benefícios com o aumento da socialização com amigos e treinadores, bem como com o retorno a uma rotina mais estruturada. Esses benefícios podem ajudar a apoiar seu crescimento e desenvolvimento. Além disso, exercícios físicos também são favoráveis ao sistema imunológico.

A AAP não recomenda a realização de teste diagnóstico para Covid-19 antes da criança participar de atividades físicas, a menos que haja sintomas ou a criança tenha sido exposta a alguém conhecido infectado recentemente pelo SARS-CoV-2. O teste de anticorpos não é recomendado atualmente.

Até o momento, os dados sobre a Covid-19 e seus efeitos em crianças e adolescentes são limitados. Sabe-se que pacientes com apresentações graves, isto é, que evoluem para hipotensão, arritmias, necessidade de intubação ou oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO), insuficiência cardíaca ou renal ou crianças com síndrome inflamatória multissistêmica (multisystem inflammatory syndrome in children – MIS-C) devem ser tratados como se tivessem miocardite e necessitam de restrição de atividades físicas por um período de 3 a 6 meses.

Os atletas devem ser liberados para retomar as atividades por seu médico da atenção primária (pediatra geral) e um subespecialista médico pediátrico apropriado, de preferência um cardiologista pediátrico. Métodos de avaliação cardíaca, como ECG, ecocardiograma, monitor Holter de 24 horas, teste ergométrico e, se possível, ressonância cardíaca, devem ser normais antes do retorno à atividade.

Pacientes pediátricos com sintomas moderados devem permanecer assintomáticos por, no mínimo, 14 dias e obter autorização do pediatra antes de retornar aos exercícios e à competição. Qualquer indivíduo que tenha sintomas cardíacos com achados preocupantes em seu exame, ou com sintomas moderados de Covid-19, incluindo febre prolongada, deve ser submetido a um ECG e, potencialmente, ser encaminhado a um cardiologista pediátrico para uma avaliação minuciosa.

Miocardite e Covid-19

A AAP enfatiza que, devido à crescente literatura sobre a relação entre Covid-19 e miocardite, todas as crianças e adolescentes com exposição ao vírus SARS-CoV-2, independentemente dos sintomas, requerem um período mínimo de 14 dias de quarentena e devem ser assintomáticos por um período superior a 14 dias antes de retornar às atividades físicas, com ou sem competição. Devido às informações limitadas sobre Covid-19 e exercícios físicos, a AAP encoraja fortemente que todos os pacientes sejam liberados para a realização de esportes por seu pediatra.

O foco é a avaliação de sintomas cardíacos, incluindo dor torácica, dispneia, fadiga, palpitações ou síncope, mas não se limitando a essas manifestações clínicas. Todos os indivíduos com história de resultado positivo para SARS-CoV-2 devem ter um retorno gradual à atividade física. Se os pediatras tiverem alguma dúvida sobre a prontidão de seus pacientes para retornar à competição, não devem hesitar em consultar e encaminhar os indivíduos para o subespecialista médico pediátrico apropriado (como mencionado anteriormente, de preferência o cardiologista pediátrico).

Isolamento

É importante lembrar que as interrupções nas rotinas normais podem ser um desafio para todos, especialmente crianças e adolescentes. O tempo longe de companheiros de equipe e treinadores pode ser difícil para os atletas tanto física quanto mentalmente. Se ocorrerem pausas prolongadas nos esportes, os atletas devem ser encorajados a manter atividade física regular. A atividade consistente ajudará os atletas a ficarem em forma para quando os esportes retornarem, e isso pode ajudar a prevenir lesões. Os exercícios também podem ajudar a servir como um mecanismo de enfrentamento durante esse período estressante. A rotina é importante, portanto, deve-se considerar o estabelecimento de um cronograma de exercícios consistente.

O não comparecimento a eventos marcantes, como um torneio, por exemplo, pode afetar emocionalmente a criança/adolescente de uma forma muito mais marcante do que os indivíduos que não participam dessas competições. Essa perda também pode ter um impacto emocional significativo sobre os pais que investem nos esportes de seus filhos. Portanto, a AAP recomenda que todos os atletas devem ser monitorados quanto a sinais e sintomas de depressão e ansiedade se sua participação esportiva for interrompida e ressalta que indivíduos com histórico anterior de depressão ou ansiedade podem estar em maior risco.

Leia também: Covid-19: alterações imunológicas em crianças com síndrome inflamatória multissistêmica

Portanto, a decisão do retorno da criança à prática de esportes é impulsionada pelo tipo de exercício e ambiente, atividade da doença local e circunstâncias individuais, incluindo condições de saúde subjacentes que colocam o atleta ou contatos domésticos em alto risco de doença grave caso contraiam Covid-19. Os pais devem revisar as políticas em relação à Covid-19 do local onde os filhos praticam exercícios e discuti-las com as crianças para que estejam cientes das expectativas. O risco pode ser reduzido, mas não eliminado, se os protocolos de segurança forem seguidos.

Em última análise, a decisão recai sobre os pais/responsáveis para decidir se eles permitirão que seus filhos participem de esportes. Os pais/responsáveis devem seguir os regulamentos locais atuais para distanciamento social e uso de máscaras ao considerar a participação da criança/adolescente em jogos. Participar de eventos ao ar livre pode ter menos risco do que eventos indoor com menos espaço e ventilação. Ninguém deve assistir a nenhuma atividade esportiva como espectador se estiver exibindo sinais ou sintomas de Covid-19.

Os pais e outros espectadores com condições de saúde de alto risco devem considerar seriamente não comparecer a eventos indoor ou externos onde o distanciamento social apropriado não pode ser mantido. A transmissão ao vivo ou a gravação de eventos esportivos, quando disponíveis, podem permitir que indivíduos que não podem comparecer assistam à exibição desses eventos.

A AAP orienta que se uma criança que faz parte de uma equipe esportiva apresentar teste positivo para COVID-19, tanto o restante da equipe quanto o departamento de saúde local devem ser notificados para garantir o teste aos contactantes e a realização de uma quarentena apropriada.

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