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Osteoartrite de joelho: qual melhor tratamento para dor a longo prazo?

Tempo de leitura: 2 minutos.

Embora a osteoartrite de joelho seja uma doença crônica e progressiva, os agentes farmacológicos são estudados principalmente quanto aos efeitos em curto-prazo, gerando recomendações incertas no manejo da doença a longo prazo.

Em 2018, o Jama publicou uma revisão sistemática e metanálise que reuniu informações de ensaios clínicos randomizados com análise de desfechos (dor, estrutura articular) de medicações para artrite de joelhos a longo prazo (>12 meses).

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O desfecho primário foi redução da dor em relação ao basal e desfechos secundários foram funcionalidade física e estrutura articular (avaliada através de radiografia -> estreitamento do espaço articular).

Resultados

  • 47 ensaios clínicos randomizados foram incluídos na análise
  • N = 22 037 pacientes – idade média 55-70 anos; 70% mulheres
  • A duração dos ensaios variou de 1-4 anos
  • Categorias de medicações: analgésicos; anti-inflamatórios não-esteroidais (aines); antioxidantes; agentes com ação-óssea como bifosfonatos e ranelato de estrôncio, injeções intra-articulares de medicações como ácido hialurônico e corticosteroides; drogas sintomáticas de ação-lenta como glucosamina e sulfato de condroitina e “supostos modificadores de doença” como cindunistat e sprifermin
  • 31 intervenções foram estudadas para dor, 13 para funcionalidade e 16 para estrutura articular:
  • Associações com redução da dor foram encontradas para a droga: celecoxibe (-0,18) e a droga sulfato de glicosamina (-0,29) – mas havia uma grande incerteza para todas as estimativas versus placebo.
  • A associação com redução da dor permaneceu significativa apenas para o sulfato de glicosamina quando os dados foram analisados usando a diferença principal em uma escala de 0-100 e quando os ensaios de alto risco de vieses foram excluídos.
  • Associações com melhora no estreitamento do espaço articular foram encontradas para o sulfato de glicosamina (-0,42), sulfato de condroitina (-0,2) e ranelato de estrôncio (-0,2).

Discussão

  • Os aines são as medicações mais usadas para o tratamento de osteoartrite. São associados com efeitos moderados na dor comparados com placebo ou paracetamol nos ensaios com duração de 12 meses ou menos e são recomendados pelos guidelines internacionais. Entretanto, eles são recomendados para uso em curto-prazo ou intermitente devido às considerações de segurança.
  • Nessa metanálise o celecoxibe foi o único aines associado com melhora da dor a longo-prazo porém o número de pacientes foi pequeno e a associação não foi observada após a exclusão de ensaios de alto risco de vieses.
  • Não houve associação do celecoxibe com melhora na funcionalidade física. Ele apresenta melhor tolerância gastrointestinal a longo prazo comparado aos aines não-seletivos e não foi associado com aumento de risco cardiovascular. Mesmo assim, devido a fraca associação com benefício versus placebo pode ser prematura a recomendação de qualquer aines além do tratamento a curto-prazo e intermitente.
  • Sulfato de glicosamina foi associado consistentemente com melhora na dor, funcionalidade e do estreitamento articular. Outras glicosaminas não foram associadas com benefício. Esse achado foi consistente com uma metanálise publicada previamente que incluiu principalmente estudos de curto-prazo.
  • Os resultados mostraram também que a combinação de injeções intra-articulares de ácido hialurônico e corticoides (geralmente usadas para exacerbações agudas de osteoartrite de joelhos) não apresentou associação com melhora da dor a longo-prazo.

Conclusões

Nessa revisão sistemática e metanálise de estudos com pacientes com osteoartrite de joelhos e ao menos 12 meses de seguimento houve incerteza a respeito das estimativas de efeitos para mudança de dor para todas as comparações versus placebo.

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Autor:

Referências:

  • GREGORI, Dario et al. Association of Pharmacological Treatments With Long-term Pain Control in Patients With Knee Osteoarthritis. A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Network. JAMA. 2018;320(24):2564-2579. doi:10.1001/jama.2018.19319

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