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imagem de nervos do sistema nervoso, que estão sendo utilizados na pesquisa de doenças imunes

Pacientes com doenças autoimunes podem se beneficiar de modulação do sistema nervoso simpático?

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Pesquisadores brasileiros acreditam que o sistema nervoso simpático pode modular a ação das células de defesa do organismo em pacientes com doenças autoimunes.

Isso aconteceria com a utilização de um modelo experimental de esclerose múltipla, uma vez que o sistema nervoso simpático possui a capacidade de limitar a ação das células que atacam o antígeno, considerado uma ameaça pelo organismo.

“Estamos abrindo uma oportunidade para o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas. O modelo que apresentamos pode ser aplicado a outras doenças autoimunes, além da esclerose múltipla”, explica o professor Alexandre Basso, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da EPM, que coordenou o projeto, que tem como autor principal o pesquisador Leandro Pires Araújo, do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Também participaram do estudo pesquisadores do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Escola Paulista de Medicina (EPM).

Estudos contraditórios

Segundo dados da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), mais de 35 mil brasileiros sofrem com a enfermidade, que afeta mais o sexo feminino do que o masculino, entre os 20 e 40 anos.

O método encefalomielite autoimune experimental (EAE) é o mais utilizado no estudo dessas enfermidades, que consiste na indução de uma inflamação no sistema nervoso central de animais através de uma imunização com antígenos vindos da mielina, substância lipídica que recobre as fibras nervosas e auxilia na transmissão dos impulsos elétricos.

Em pesquisas já realizadas com esse mesmo método, os pesquisadores introduziram nos animais a substância 6-hidroxidopamina (6-OHDA) para estudar a influência do sistema nervoso simpático sobre a doença autoimune. A 6-hidroxidopamina elimina as fibras do sistema nervoso simpático que liberam noradrenalina, que controla os movimentos involuntários. Sem essas fibras, é possível impedir a liberação de noradrenalina nos órgãos que recebem a inervação do sistema nervoso simpático.

Entretanto, os resultados das pesquisas são contraditórios, com alguns testes indicando que esse processo limitaria o desenvolvimento das enfermidades autoimunes, enquanto outros mostraram exatamente o contrário, que sem essas fibras, a doença se desenvolve de maneira mais grave.

Alguns estudos sinalizaram até que o tratamento com essa substância poderia eliminar células do sistema imune importantes para o desenvolvimento da enfermidade.

“A partir desses dados, formulamos a hipótese de que as contradições existentes na literatura médica a partir desses estudos talvez pudessem estar relacionadas ao fato de que algumas células do sistema imune, com as quais o sistema nervoso interage, também expressam a enzima tirosina hidroxilase, capazes de sintetizar e secretar noradrenalina. Sendo, portanto, alvos da 6-OHDA”, ressaltou Alexandre Basso.

Leia também: Acometimento miocárdico nas doenças autoimunes

Modelo alternativo

Tendo em vista as dificuldades acima, foi proposta pelos pesquisadores outra estratégia experimental para estudar a influência do sistema nervoso simpático no desenvolvimento das doenças autoimunes. Roedores geneticamente modificados se tornaram deficientes de alguns receptores adrenérgicos importantes no processo de controle da liberação de neurotransmissor pelas fibras do sistema nervoso simpático para realizar o experimento.

Como os ratos não possuem esses receptores, a liberação de noradrenalina é muito maior. Por isso, os pesquisadores utilizaram uma estratégia inversa: em vez de usar um modelo que eliminava as fibras, usaram um modelo em que o sistema nervoso simpático é hiperativo.

“Após verificar que, de fato, os animais com hiperatividade do sistema nervoso simpático desenvolviam a doença de forma mais amena, com prejuízos na geração da resposta imune efetora, nos perguntamos de que modo a maior quantidade de noradrenalina liberada pelo sistema nervoso simpático desses animais poderia influenciar o desenvolvimento da doença”, questionou o pesquisador.

Para verificar isso, um dos receptores existentes nas células, ativado pela noradrenalina, foi bloqueado: o receptor ß2-adrenérgico. Após esse procedimento, os roedores voltaram a desenvolver uma forma mais grave da enfermidade quando comparados com o grupo de animais controle (com o sistema nervoso simpático hiperativo), confirmando a influência do sistema nervoso simpático no desenvolvimento da doença autoimune.

“Assim, conseguimos verificar que a maior quantidade de noradrenalina liberada pelo sistema nervoso simpático regula o desenvolvimento da doença através da maior ativação do receptor ß2-adrenérgico em células do sistema imune, em especial nos linfócitos T CD4+”, explicou Alexandre Basso.

Esse tipo de linfócito atua na ativação e na estimulação de outros leucócitos, de modo a orquestrar a resposta inflamatória no sistema nervoso central dos animais com encefalomielite.

O novo modelo já está sendo usado pelos pesquisadores da Unifesp para estudar como o sistema nervoso simpático influencia uma resposta alérgica pulmonar, uma vez que há moléculas que acionam ou bloqueiam o receptor ß2-adrenérgico e que são utilizadas em diversas situações.

“Por exemplo, o fenoterol é utilizado em asmáticos para que haja relaxamento das vias aéreas, de forma que os pacientes com broncoconstrição possam respirar mais facilmente.

Agora a pergunta que ainda fica para os pesquisadores é: A modulação de respostas imunes adaptativas pelo sistema nervoso simpático poderia ter relevância biológica a ponto de influenciar o desenvolvimento ou o curso de doenças autoimunes?

Perguntas como essa ainda necessitam de respostas mais claras e bem fundamentadas.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

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