Palhaços podem ajudar as crianças a lidar com a ansiedade e a dor no hospital

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Um estudo brasileiro publicado na edição de Natal do jornal The BMJ concluiu que a presença de palhaços pode ajudar a melhorar os sintomas físicos e o bem-estar psicológico de crianças e adolescentes em tratamento hospitalar. Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática cujo objetivo foi avaliar as evidências de ensaios clínicos randomizados e não randomizados sobre a eficácia da presença de palhaços nos hospitais para uma série de grupos de sintomas em crianças e adolescentes internados com condições agudas e crônicas.

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Metodologia

Ensaios clínicos randomizados e não randomizados foram revisados por pares. Os critérios de inclusão foram: crianças e adolescentes que foram internados em hospitais por doenças agudas ou crônicas, estudos comparando a presença de palhaços nos hospitais com o tratamento padrão e estudos avaliando o efeito de palhaços no manejo de sintomas de crianças e adolescentes hospitalizados como desfecho primário. Foram usadas as seguintes bases de dados: Medline, ISI of Knowledge, Cochrane Central Register of Controlled Trials, Science Direct, Scopus, American Psychological Association PsycINFO, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature e Latin American and Caribbean Health Sciences Literature.

Resultados

Foram incluídos 24 estudos (n = 1612). A maioria era composta por ensaios clínicos randomizados (n = 13). A ansiedade foi o sintoma mais frequentemente analisado (n = 13), seguido por dor (n = 9), respostas psicológicas e emocionais e percepção de bem-estar (n = 4), estresse (n = 4), fadiga relacionada ao câncer (n = 3) e choro (n = 2). Dois estudos recentes usaram um painel de biomarcadores para avaliar o estresse psicológico e a fadiga relacionada ao câncer, incluindo cortisol, α amilase, citocinas pró-inflamatórias, citocinas antiinflamatórias e metaloproteinases da matriz. Apenas três estudos usaram um biomarcador (cortisol salivar) para avaliar o resultado do estresse.

A maioria dos ensaios clínicos randomizados (n = 11; 85%) foi classificada como mostrando algumas preocupações, e dois ensaios foram classificados com alto risco de viés. A maioria dos ensaios controlados não randomizados (n = 6; 55%) foi classificada com um risco moderado de viés de acordo com a ferramenta ROBINS-I. Os estudos mostraram que crianças e adolescentes que estavam na presença de palhaços no hospital, com ou sem a presença dos pais, relataram significativamente menos ansiedade durante uma série de procedimentos médicos, bem como melhor ajuste psicológico (P < 0,05). Três estudos que avaliaram condições crônicas apresentaram resultados favoráveis ​​à intervenção de palhaços hospitalares com redução significativa do estresse, fadiga, dor e angústia (P < 0,05).

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Em quatro estudos de crianças e adolescentes hospitalizados com diferentes doenças, houve relatos de níveis reduzidos de cortisol salivar após a presença dos palhaços em comparação com a medição pré-intervenção. No entanto, outro estudo mostrou que os níveis de cortisol sérico intraoperatório de crianças no grupo “palhaço” aumentaram significativamente em comparação ao grupo controle (P < 0,001)

Conclusões

Os pesquisadores descreveram que os resultados obtidos indicam que a interação com os palhaços no hospital durante procedimentos médicos, indução da anestesia e como parte dos cuidados de rotina para condições crônicas, como câncer, por exemplo, pode ser uma estratégia valiosa para gerenciar alguns grupos de sintomas (como ansiedade, estresse, dor e fadiga). Além disso, os palhaços podem contribuir para a melhoria do bem-estar psicológico e das respostas emocionais em crianças e adolescentes hospitalizados com doenças agudas e crônicas, quando comparados àqueles que recebem os cuidados padrão.

Autor(a):

Referências bibliográficas:

  • Lopes-Júnior LC, Bomfim E, Olson K, Neves ET, Silveira DSC, Nunes MDR, Nascimento LC, Pereira-da-Silva G, Lima RAG. Effectiveness of hospital clowns for symptom management in paediatrics: systematic review of randomised and non-randomised controlled trials. BMJ. 2020 Dec 16;371:m4290. doi: 10.1136/bmj.m4290.
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