Perda auditiva relacionada a fones de ouvido: devemos nos preocupar? [podcast] - PEBMED

Perda auditiva relacionada a fones de ouvido: devemos nos preocupar? [podcast]

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No podcast especial de hoje, nossa editora médica associada, Dayanna Quintanilha, conversa com o otorrinolaringologista Felippe Felix, que tem mestrado e doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Felippe, que também é coordenador do ambulatório de surdez da UFRJ, fala um pouco da relação da perda auditiva com o uso de fones de ouvido. Confira:

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fones de ouvido relacionado à perda auditiva

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Confira a transcrição: perda auditiva e fones de ouvido

Dayanna Quintanilha: Sejam todos muito bem-vindos ao podcast da PEBMED. Meu nome é Dayanna Quintanilha, eu sou especialista em clínica médica e hoje falaremos sobre perda auditiva relacionada ao uso de fones de ouvido. Para nos ajudar com esse tema chamamos o otorrinolaringologista Felippe Felix, que é coordenador do ambulatório de surdez da UFRJ e tem mestrado e doutorado pela mesma universidade. O Felippe já esteve conosco falando sobre anosmia em Covid-19, inclusive foi um podcast que fez muito sucesso na nossa plataforma. Muitas informações foram úteis para o manejo desses pacientes no ambulatório e, hoje, ele está aqui para falar sobre um tema novo, que eu também achei muito bacana. Felippe, seja muito bem-vindo.

Felippe Felix: Obrigado Dayanna, obrigado a todos do PEBMED pelo convite e por mais uma vez estar aqui.

Dayanna Quintanilha: Esse tema foi sugerido pelo Felippe. Quando ele sugeriu esse tema a primeira coisa em que eu pensei foi no quanto temos usados o fone de ouvido, ainda mais agora com essa questão da pandemia, home office e tudo o mais. Eu uso fone de ouvido todo o dia, uma boa parte do meu dia, então tenho certeza que nos trará muitas informações relevantes, Felippe. A primeira pergunta que farei é a seguinte, o quanto devemos nos preocupar com a perda auditiva relacionada a fones de ouvido?

Felippe Felix: Bom, Dayanna, boa pergunta para começar. Devemos nos preocupar bastante. Deve ser uma preocupação constante durante o uso de fones de ouvido, porque ele está muito próximo ao nosso tímpano, à nossa orelha interna. Ou seja, a intensidade sonora ali é muito maior do que um som que vem ao longe, então as chances de dano são muito maiores consequentemente. A Organização Mundial de Saúde estipulou que poderemos ter 1,1 bilhão de jovens no mundo usando fones de ouvido e com lesão auditiva por fones de ouvido. Isso passa despercebido, porque é uma lesão lenta e gradual, não cairá a audição de um dia para o outro. As células da audição morrem devagar e tem um envelhecimento precoce da audição. Uma pessoa que hoje está com 40 anos, tem uma audição de 80, porque morreram quase todas as células dela por uma exposição contínua a intensidade sonora usada acima do normal.

Dayanna Quintanilha: Então, Felippe, eu até baixei um pouquinho o volume do meu fone para preservar as minhas células auditivas. Eu queria te fazer uma pergunta, como os fones acabam danificando a audição? Como essa via acontece?

Felippe Felix: Bom, Dayanna, a via é direta, ou seja, o som saindo do fone de ouvido vai direto atravessar o tímpano, orelha média e chega à orelha interna. Uma intensidade sonora acima do normal, sobrecarregará as células ciliadas, que são as células da audição, com isso, danificando-as e levando à morte precoce dessas células e, assim, levando a uma perda auditiva precoce. Geralmente começa a se perder os sons mais agudos, deixar de escutar esses sons, e evolui até chegar à perda em graves, que é o último estágio de uma perda auditiva por intensidade sonora.

Dayanna Quintanilha: Após instalado o dano, tem algum tratamento específico que possa ser feito?

Felippe Felix: Tratamento para reverter a perda auditiva não existe. O que terá de ser feito é o uso de aparelho auditivo para corrigir essa perda, mais uma vez, a audição perdida não é retomada.

Dayanna Quintanilha: Entendi. Para prevenirmos que ocorra a perda auditiva, ainda mais porque temos feito um uso importante de fone de ouvido, quais seriam as dicas?

Felippe Felix: Há várias dicas interessantes, que são bem importantes. Primeiro, dar preferência sempre aos headphones em lugar do fone intra-auricular. O fone intra-auricular com certeza é mais prático, aquele que colocamos dentro do ouvido, mas ele está mais próximo ao tímpano e a intensidade e o impacto sonoros na nossa audição são muito maiores, então sempre dar preferência ao headphone. Preferencialmente, também, headphones com canceladores de ruído. O que é isso? Quando estamos em um ambiente com muito ruído de fundo acabamos colocando o volume cada vez mais alto para tentar vencer o ruído da rua barulhenta, do shopping, de uma sala de aula, de algum local. A intensidade sonora fica cada vez mais alta, temos que colocar o volume da música ou do que estivermos escutando muito mais alto e isso, com certeza, danificará mais facilmente as nossas células auditivas, então tentar usar esses canceladores de ruído impede essa transmissão do som para dentro do fone. Outra coisa importante é descansar a audição. Existem várias regras desse tipo, escutou 30 minutos direto, descansa 5 minutos; escutou 1 hora direto, descansa 10 minutos. É muito importante esse descanso da nossa audição. A parte auditiva não é um robô que pode trabalhar 24 horas sem parar, ela tem que descansar, ou seja, escute 30 minutos de música e dê um intervalo, fique 5 minutos ali fora relaxando o ouvido, descansando a tua audição para poder impedir esse tipo de dano. Também é importante usar limitador de som, se usamos MP3 players modernos, celulares, todos vêm com limitador de som. Você estipula na configuração que o máximo será 60% do aparelho, que é o ideal, evitar passar de 60% do volume máximo do aparelho. Estabelecendo esse limite, mesmo que você entre em um ambiente barulhento e tente aumentar, o limitador de volume do seu aparelho avisará, “olha, já está no volume máximo que você estipulou, então não é para passar desse volume”. São regras pequenas, mas que no dia a dia são úteis para preservarmos a audição.

Dayanna Quintanilha: Felippe, na sua rotina você costuma pegar pacientes com surdez, casos mais graves relacionados a fones de ouvido? E como você costuma fazer a diferenciação se não tem uma outra causa?

Felippe Felix: É difícil estabelecer uma causa e consequência diretamente do fone de ouvido. Pegamos, ainda hoje, pessoas que foram expostas a ruídos em fábricas, em tipos de trabalhos que são expostos a ruídos sem o uso do equipamento de proteção individual adequado. Eu acho que pegaremos daqui a 10, 15 anos essa geração que está usando fone de ouvido em excesso agora. Ainda não chegaram. Com uma certa resistência, às vezes o tipo de perda não se manifestou de forma completa e se manifestará mais para a frente. Não é tão comum, mas vemos ocasionalmente profissionais que trabalham muito tempo com música, esses, sim, chegam até nós com perdas auditivas importantes e às vezes zumbido junto.

Dayanna Quintanilha: Ótimo, Felippe. Você tem alguma mensagem para dar a quem está nos ouvindo agora? Em especial para quem está nos ouvindo com fone de ouvido.

Felippe Felix: Tenho sim, Dayanna. Atenção ao fone de ouvido. Isso que eu falei é tudo muito importante, não é uma bobeira que sua mãe fala, que sua avó fala. É algo muito importante preservar a nossa audição, cuidar para saber envelhecer auditivamente saudável. Temos que chegar em uma certa idade com uma audição boa e isso dá para conseguir, é só ter cuidado com os fones de ouvido ou com o tipo de exposição sonora que temos hoje. Acho que do que eu falei, o mais importante é limitar o volume do seu aparelho, uma regra básica. Às vezes, de forma distraída, vamos aumentando e aumentando… está tocando uma música que eu gosto, aumento o volume, esqueço o volume alto e o ouvido ficará mais 1 hora com o aparelho nesse volume alto. Isso tudo é muito danoso. Então o limitador de som, as dicas que eu dei aqui, acredito que sejam o que tem de mais fácil para aplicar e mais útil no dia a dia.

Dayanna Quintanilha: Felippe, muito obrigada pelas dicas, muito obrigada por sua participação. Tenho certeza que ajudará muitas pessoas a preservar as suas células auditivas e até a orientar os seus pacientes, porque eu, como médica generalista, não me atentava tanto para essa questão. Acabamos recebendo muitos pacientes com queixa de questão auditiva nas consultas, mas dificilmente fazemos essa ponte com o fone de ouvido, então, a partir de agora, ficarei mais atenta a isso. Obrigada mesmo por sua participação, tenho curtido muito a nossa parceria e as nossas discussões. Você quer se despedir do pessoal?

Felippe Felix: Quero sim, Dayanna. Muito obrigado, realmente tenho curtido muito essa parceria e tenho certeza que surgirão outros temas mais interessantes para discutirmos dentro do mundo da otorrinolaringologia e da audição.

Dayanna Quintanilha: Então é isso, pessoal. Muito obrigada a todos que nos ouviram até aqui. Fiquem ligados nas novidades do portal, pebmed.com.br. Até a próxima.

Felippe Felix: Tchau, gente. Até a próxima.

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