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Pesquisadores isolam vírus do Nilo Ocidental no Brasil

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O vírus do Nilo Ocidental tem estado nos noticiários brasileiros, principalmente com alertas de risco de transmissão em nosso território. A novidade é que o vírus foi isolado pela primeira vez no Brasil, em equinos mortos por encefalite em uma fazenda no Espírito Santo. O artigo com a notícia foi publicado na última semana no jornal “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”, por pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC).

Além do isolamento, os pesquisadores também sequenciaram o genoma completo do vírus. As análises mostraram que o genótipo do vírus encontrado nos equinos é o mesmo do vírus do Nilo Ocidental que tem sido isolado nos Estados Unidos, Argentina e Canadá. Isso indica que provavelmente o vírus se dispersou por meio de aves silvestres, segundo relato de Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, um dos pesquisadores responsáveis pela pesquisa.

A hipótese principal de origem do vírus na região das Américas, segundo o pesquisador, é de que o vírus do Nilo Ocidental tenha entrado pelo estado de Nova York. O zoológico da cidade importou uma série de animais (gansos, patos e marrecos) infectados de países como Israel. O vírus do Nilo Ocidental se dispersou rapidamente nos Estados Unidos. Em 2002, praticamente toda a parte continental do país registrava a presença do vírus, segundo relato de Vasconcelos. Logo depois, foram registrados casos na Argentina, México, Venezuela. Em 2015, no Brasil, o primeiro caso em humanos ocorreu em um paciente no Piauí.

Febre do Nilo Ocidental no Brasil

A FNO é uma doença febril aguda causada por um arbovírus do gênero Flavivírus. O vírus é transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex (o famoso “pernilongo”) e tem como reservatório aves silvestres (potencialmente migratórias).

A infecção pode ser assintomática ou com sintomas de diferentes graus de gravidade – que variam desde febre e dor muscular até encefalite grave. Manifestações neurológicas como encefalite, meningoencefalite e síndrome de Guillan-Barré, também podem ocorrer.

No Brasil, a expectativa dos pesquisadores é que os casos em humanos não sejam tão graves quanto nos Estados Unidos, já que a população brasileira tem muita imunidade para flavivírus (casos de Zika, dengue e chikungunya) e já se sabe que há uma reatividade cruzada entre eles. Por outro lado, eles destacam que o vírus pode ser uma grave ameaça à saúde animal no Brasil, especialmente para equinos e aves. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi registrada uma grande mortandade de corvos à medida que o vírus foi se estabilizando.

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Autora:

Dayanna de Oliveira Quintanilha

Médica no Hospital Naval Marcílio Dias ⦁ Residência em Clínica Médica na UFF ⦁ Graduação em Medicina pela UFF ⦁ Contato: dayquintan@hotmail.com

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