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Pode fazer transplante de córnea de doadores com Covid-19?

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O vírus SARS-CoV-2 entra nas células-alvo se ligando ao receptor principal ACE2, mas também é dependente de uma protease chamada TMPRSS2. Como ambos estão presentes nas células superficiais do limbo e conjuntiva, poderia haver possibilidade de infecção desses tecidos pelo SARS-CoV-2. Em contraste, o estroma e o endotélio não expressam ACE2 e TMPRSS2. Além disso, pouco se sabe sobre isso, já que até agora apenas um estudo mostrou que não havia vírus nos tecidos oculares, em apenas cinco pacientes.

A córnea é o tecido mais frequentemente transplantado no mundo. Em 2012, foram aproximadamente 185 mil córneas. Atualmente, a recomendação da associação dos bancos de olhos globalmente é evitar tecidos de doadores infectados com Covid-19 ou de quem tenha sido exposto recentemente. O risco de transmissão é considerado baixo, mas já que existe ainda uma falta de informação sobre o SARS-CoV-2 em tecidos, medidas de precaução foram tomadas.

Há risco de infecção em transplante de córnea de doadores infectados com Covid-19 ou de quem tenham sido expostos?

O estudo de transplante de córnea

Um trabalho publicado há alguns dias na JAMA Ophthalmology, analisou prospectivamente o tecido corneano de onze pacientes pós mortem com Covid-19 para investigar a presença de RNA genômico e subgenômico de SARS-CoV-2 por RT-PCR. Para isso, foram colhidas amostras de swab de conjuntiva e cavidade oral, sangue, humor aquoso e humor vítreo.

Dos onze analisados, seis eram mulheres. A idade média era de 68,5 anos. 10 faleceram de Covid-19 (91%). 1 morreu de choque hemorrágico, sendo não relacionado a Covid-19. O intervalo médio pós mortem foi de 2,7 dias. Nenhuma condição ocular preexistente associada a Covid-19 foi listada nos pacientes. Em 55% (6 pacientes), foi detectado SARS-CoV-2 em amostras da córnea. Em 4 dos 6 (67%) com RNA detectado, foi detectado o RNA subgenômico. Dos pacientes com detecção, os resultados para RNA de SARS-CoV-2 também foi positivo em 4 dos 6 swabs conjuntivais, 1 de 3 amostras de humor aquoso, em 3 de 5 amostras de humor vítreo e em 4 de 5 amostras de sangue. No total, o SARS-CoV-2 foi identificado em 5 de 11 swabs conjuntivais, 3 de 7 amostras de humor aquoso e 6 de 11 amostras de humor vítreo. A viremia por SARS-CoV-2 foi identificada em 5 de 9 pacientes.

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Resultados e conclusão

Nesse estudo foi evidenciada a presença de SARS-CoV-2 na córnea humana, através da detecção deste, em 55% das amostras. Além disso, também estava presente uma alta taxa de PCR positivo nos swabs conjuntivais (46%). Como esse estudo analisou, a alta viremia observada de 56% pode ser explicada pela gravidade da doença e cargas virais altas induzidas pela seleção dos pacientes (altas cargas virais no swab orofaringeo foram selecionadas pro estudo). Pacientes com altas cargas virais no swab e viremia são mais propensos a ter algum envolvimento ocular com resultados de PCR positivos em amostras corneanas, swab conjuntival e amostras de humor aquoso. A possibilidade de contaminação deve ser considerada como uma explicação.

A alta taxa de amostras de humor vítreo positivas pode ser explicada pela gravidade e curso fatal de Covid-19 na coorte selecionada. De acordo com a distribuição dos receptores e a falta deles no endotélio corneano, o DMEK seria mais seguro do que o transplante penetrante. Além disso, menos tecido e menos RNA viral seria transplantado.

O estudo tem algumas limitações como a pequena amostra e os critérios de inclusão. É provável que se não houve a priorização de pacientes com alta carga viral, a porcentagem de positivos nos tecidos corneanos teria sido menor. Estudos com amostras maiores são necessários para ajustar o risco da transmissão viral em pacientes sem viremia. É provável que o potencial de transmissão seja baixo, mas a possibilidade de transmissão nunca poderá ser excluída.

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Referência bibliográfica:

January 21, 2021 – Presence of SARS-CoV-2 RNA in the Cornea of Viremic Patients With COVID-19 -Maria Casagrande, MD; Antonia Fitzek, MD; Martin S. Spitzer, MD; et al Klaus Püschel, MD; Markus Glatzel, MD; Susanne Krasemann, PhD; Dominik Nörz, MD; Marc Lütgehetmann, MD; Susanne Pfefferle, MD; Maximilian Schultheiss, MD Author Affiliations Article Information JAMA Ophthalmol. Published online January 21, 2021. doi: 10.1001/jamaophthalmol.2020.6339

 

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