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Paciente com coronavírus sob cuidados paliativos

Porque você importa: webinar sobre Cuidados Paliativos no contexto da Covid-19

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No último dia 20, ocorreu um Webinar promovido pela WHPAC (Worldwide Hospice Palliative Care Alliance) sobre a pandemia de coronavírus (Covid-19) e pessoas com doenças/comorbidades graves com foco em pessoas com necessidades de cuidados paliativos, com o objetivo de fornecer informações e experiências mais recentes relacionadas ao Covid-19, uma vez que ele afeta de maneira significativa a população assistida pelos Cuidados Paliativos.

Houve participação de representantes do Cuidado Paliativo do mundo todo, tanto da OMS (Organização Mundial de Saúde) como da EAPC (European Association of Palliative Care) e pessoas com necessidade de Cuidados Paliativos (CP).

O evento contou com mais de mil participantes e foi apresentado e mediado por Stephen Connor, diretor executivo da WHPCA. A primeira a falar foi Marie-Charlotte Bouesseau, da OMS, que iniciou sua fala validando as preocupações crescentes considerando o impacto assustador da pandemia e destacou a importância do Cuidado Paliativo no desenvolvimento de orientações concretas em nível global levando em conta as culturas locais quanto ao processo de tomada de decisão.

Cuidados Paliativos na Crise Atual

O atual contexto exige frequentemente e de maneira urgente dos profissionais de saúde que estão no campo a tomada de decisões difíceis que envolvem questões éticas e técnicas frente a uma doença com poucas evidências científicas.

Marie-Charlotte ressaltou a importância do burnout nos profissionais envolvidos na assistência, uma vez que esse fator é influenciado não apenas pelas horas trabalhadas, mas principalmente pela complexidade das decisões a serem tomadas o tempo inteiro. Nesse contexto, lembrou que o processo de tomada de decisão deve sempre levar em consideração os valores do paciente e da família envolvidos.

Lucy Watts, fundadora da Palliative Care Voice e paciente de CP, trouxe com essa perspectiva a necessidade de ter planos de ação para os pacientes frágeis e vulneráveis nesse momento de crise. Muitas vezes, esses pacientes estão em cuidados domiciliares ou moram sozinhos. Como atender às demandas de cuidado? Como garantir o acesso à suprimentos necessários à sobrevivência? Devemos pensar em comunidade, protegê-los. Com esse intuito, a organização tem focado no acolhimento e no incentivo do desenvolvimento de uma comunidade compassiva ao redor do mundo através de chats.

Joan Marston, enfermeira e embaixadora da International Children’s Palliative Care Network, falou sobre sua experiência na África do Sul com Covid-19. No país, os CP são prestados essencialmente por agentes comunitários de saúde com supervisão de enfermeiras especializadas.

Pelo fato desses agentes advirem das próprias comunidades estão sempre expostos a todas vulnerabilidades e infeções. Dessa forma, convive-se com dois desafios: quem provê CP também está vulnerável e, logo, também necessita de cuidados; isso é agravado pela falta de políticas governamentais que orientem o cuidado.

“Como protegê-los? As pessoas não têm máscaras, estão improvisando suas próprias máscaras. As pessoas não têm acesso a água corrente. Estão providenciando contêineres com água e torneiras adaptadas para que as pessoas não lavem as mãos diretamente no tonel. Algo não tão longe da nossa realidade aqui no Brasil.” Joan Marston

Cuidados Paliativos na China

Lyn Gouls, do Butterfly Children’s Hospices, que está na China, destacou a limitação local dos cuidados paliativos, bem como a eficácia da estratégia de isolamento social. Contudo, ela também trouxe a necessidade de suporte psicológico devido a grande incidência de desenvolvimento de luto complicado, pois muitos familiares não puderam visitar os pacientes até a morte.

Christoph Ostgathe, presidente da EAPC, ressaltou que os valores e abordagem do CP são necessários no manejo de sintomas complexos  nas necessidades dessa crise humanitária, já que acima de tudo, ele é um direito humano.

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Compromissos

Max Watson, diretor do Hospices, no Reino Unido, concluiu falando sobre a enorme contribuição que o CP pode trazer em relação ao conhecimento técnico e habilidades na abordagem do sofrimento humano. Resumiu os principais compromissos dos Cuidados Paliativos na pandemia de coronavírus:

  • Capacitar outros profissionais de saúde em técnicas de comunicação;
  • Manejo de sintomas (dispneia e outros sintomas);
  • Oportunidade de demonstrar os princípios humanitários que guiam o Cuidado Paliativo, em um mundo que trata pessoas como números. E que sim, as pessoas importam, estejam elas nas prisões, com condições de saúde limitantes, idosas e se estão em ILPs.

Nessa crise temos o desafio de trabalhar em comunidade e mostrar que as pessoas têm valor.

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