Ginecologia e Obstetrícia

Pré-eclâmpsia: revisão dos principais aspectos

Tempo de leitura: 2 min.

Artigo publicado no The New England Journal of Medicine em maio de 2022 revisa os principais aspectos da pré-eclâmpsia e reúne dados publicados nos últimos 5 anos.

A pré-eclâmpsia é uma das síndromes hipertensivas da gestação, caracterizada por elevação da pressão arterial após 20 semanas de idade gestacional e acometimento de um ou mais órgão-alvo. Ela afeta de 2 a 4% das gestações e está associada ao aumento de risco de desfechos adversos.

Leia também: Duração do sulfato de magnésio pós-parto para a prevenção da eclâmpsia

Predição de pré-eclâmpsia

Há duas estratégias para identificação de mulheres sob risco de desenvolver pré-eclâmpsia: identificação de fatores clínicos e sociodemográficos e a associação deles com rastreio ultrassonográfico e avaliação bioquímica da função placentária. Essas estratégias podem ser adotadas em qualquer fase da gestação, mas quando realizada no primeiro trimestre, permite a adoção de medidas profiláticas.

Para conhecer a calculadora de risco da Fetal Medicine Foundantion, acesse http://fetalmedicine.org/research/assess/preeclampsia/first-trimester.

Medidas preventivas

Uma revisão sistemática de 15 ensaios clínicos, envolvendo um total de 3.322 mulheres, mostrou que o exercício físico reduz o risco de pré-eclâmpsia (razão de chances, 0,59; IC 95%, 0,37 a 0,90) sem efeitos fetais adversos. Para alcançar esses benefícios, as mulheres devem realizar pelo menos 140 minutos por semana de exercício de intensidade moderada, suficiente para elevar a frequência cardíaca e permitir falar, mas não cantar.

Além do exercício físico, o uso de ácido acetilsalicílico e cálcio desde o primeiro trimestre também reduz o risco de desenvolver pré-eclâmpsia em mulheres de grupo de risco.

Diagnóstico

  • Hipertensão gestacional (PA ≥ 140 mm Hg/90 mmHg) acima de 20 semanas, acompanhada por uma ou mais das seguintes alterações:
    • Proteinúria;
    • Complicações neurológicas (eclampsia, estado mental alterado, cegueira, dores de cabeça graves ou persistentes);
    • Edema agudo de pulmão;
    • Complicações hematológicas (contagem de plaquetas < 150.000/μL, hemólise);
    • Lesão renal aguda (creatinina ≥ 1 mg/dL);
    • Envolvimento hepático (níveis elevados de aminotransferase >40 UI/litro com ou sem dor abdominal);
    • Disfunção uteroplacental (descolamento prematuro de placenta, restrição de crescimento fetal).

Manejo

A resolução da pré-eclâmpsia se inicia com o parto. Apesar do risco de piora nos primeiros 3 dias, o tratamento definitivo é a resolução da gestação. Recomenda-se a resolução em gestações pré-termos, quando há risco de deterioração materna ou fetal e no termo (a partir de 37 semanas) quando os parâmetros permitem.

O tratamento farmacológico é feito com anti-hipertensivos para controle dos níveis pressóricos, porém, não há fármaco que mude a história natural da pré-eclâmpsia.

Deve-se manter monitorização clínica e laboratorial, com aferição diária da pressão arterial e exames de comprometimento sistêmico duas vezes por semana. Há uma calculadora de risco online, que permite estimar o risco de desfechos maternos desfavoráveis, baseada em alguns parâmetros clínicos e laboratoriais, que poderia ser usada para aumentar a vigilância materna (fullPIERS – Preeclampsia Integrated Estimate of Risk). Disponível em https://pre-empt.obgyn.ubc.ca/home-page/past-projects/fullpiers/.

Menciona-se também o uso do sulfato de magnésio para “neuroproteção” materna e profilaxia de eclâmpsia e o uso de corticoides para “maturação” pulmonar fetal.

Puerpério

A pré-eclâmpsia pode se manifestar também no período puerperal, como resultado da redistribuição do fluído intra e extravascular, geralmente no 3º ao 6º dia pós-parto.

Repercussões futuras

O desenvolvimento de pré-eclâmpsia aumenta o risco de síndrome hipertensivas em futuras gestações e aumenta o risco cardiovascular ao longo da vida dessas mulheres e também dos seus conceptos.

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Publicado por
Ênio Luis Damaso

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