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Prematuros na UTIN: respostas autonômicas ao posicionamento do corpo e ruídos ambientais

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O sistema nervoso autônomo (SNA), subdividido em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático, se desenvolve nos primeiros meses de vida de forma muito rápida. O sistema nervoso simpático inicia seu desenvolvimento no começo da gestação. Já o parassimpático tem seu desenvolvimento especialmente no período perinatal. Dessa forma, o desenvolvimento e o controle do sistema nervoso parassimpático são suscetíveis a estímulos ambientais, como ruídos em excesso e o posicionamento corporal.

Maturação do sistema nervoso parassimpático

Os primeiros seis meses do período pós-natal são cruciais para que haja maturação do sistema nervoso parassimpático. Todavia os ruídos, a hipóxia e a prematuridade, situações bastante frequentes em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), são associadas a um aumento de catecolaminas e da atividade simpática em recém-nascidos (RN). Os prematuros apresentam maior dificuldade em reduzir sua frequência cardíaca (FC) na presença de ruídos externos, comparados a bebês nascidos a termo. Os prematuros, no ambiente da UTIN, também são sujeitos a outros estímulos externos estressores além dos ruídos, como dor e luz, capazes de provocar instabilidade fisiológica.

Posicionar o RN é uma atividade habitual e indispensável para o desenvolvimento de prematuros que são incapazes de resistir à gravidade espontaneamente, preservar o alinhamento corporal na linha média, ou condicionar uma flexão fisiológica, situações primordiais para um desenvolvimento neurológico propício. A posição não adequada é outra razão de estresse para estes bebês, o que pode comprometer seu comportamento e seu controle autonômico. Portanto, o posicionamento corporal, o controle autonômico e o estresse ambiental na UTIN acontecem concomitantemente.

Para avaliar as respostas fisiológicas e do sistema nervoso autônomo de RN prematuros ao posicionamento do corpo e ruídos ambientais em UTIN, Gomes e colaboradores (2019) realizaram um estudo quasi-experimental, intitulado “Respostas autonômicas de recém-nascidos prematuros ao posicionamento do corpo e ruídos ambientais na unidade de terapia intensiva neonatal” e publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva.

Metodologia

O SNA dos neonatos foi analisado, baseando-se na variabilidade da FC quando os neonatos eram expostos ao ruído ambiental e colocados em posições diferentes: supina sem suporte, supina com restrição manual e prona. A amostra foi formada por 50 RN com 32 a 40 semanas de idade corrigida, com idades gestacionais entre 30 e 36 semanas. O estudo foi realizado em uma UTIN de São Paulo/SP.

Foram incluídos:

  • RN com 32 a 40 semanas de idade corrigida;
  • RN com peso inferior a 2.500g e maior que 1.100g;
  • RN com estabilidade clínica, com ganho de peso nas últimas 72 horas;
  • RN com mais de 72 horas de vida;
  • RN em estágio 3 ou 4 na escala Brazelton de sono/vigília.

Foram excluídos:

  • RN em uso de ventilação mecânica invasiva (VMI) ou não invasiva (VNI);
  • RN em uso de oxigenoterapia;
  • RN com instabilidade clínica;
  • RN com infecção ativa.

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Resultados

  • Foram avaliados 50 prematuros (idade gestacional de 32,6 ± 2,3 semanas, peso de 1.816 ± 493g e nível Brazelton de sono/vigília de 3 a 4);
  • Os autores identificaram uma correlação positiva entre o ruído ambiental e a atividade simpática (R = 0,27; p = 0,04);
  • O ruído ambiental médio foi de 53 ± 14dB;
  • A FC foi mais alta na posição supina do que nas posições com restrição manual e prona (148,7 ± 21,6; 141,9 ± 16 e 144 ± 13, respectivamente; p = 0,001);
  • A atividade simpática, representada por um índice de baixa frequência, foi mais alta na posição supina (p < 0,05) do que nas outras posições;
  • A atividade parassimpática foi mais alta em prona (p < 0,05) do que nas demais posições (alta frequência, raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças entre os intervalos RR normais adjacentes e porcentagem dos intervalos RR adjacentes com diferença de duração maior que 50ms);
  • A complexidade dos ajustes autonômicos (entropia aproximada e entropia da amostra) foi mais baixa na posição supina do que nas outras posições.

Conclusão

Neste estudo, Gomes e colaboradores (2019) concluíram que a posição prona e a restrição manual para prematuros aumentam tanto a atividade parassimpática quanto a complexidade dos ajustes autonômicos quando comparados à posição supina. Os autores observaram que isso ocorreu mesmo na presença de maior nível de ruídos ambientais do que o recomendado, que tende a aumentar a atividade simpática.

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Autora:

Referências bibliográficas:

  • GOMES, E. L. F. D. et al. Respostas autonômicas de recém-nascidos prematuros ao posicionamento do corpo e ruídos ambientais na unidade de terapia intensiva neonatal. Rev Bras Ter Intensiva, v.31, n.3, p.296-302, 2019

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