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Quais os desfechos de longo prazo do abuso físico infantil?

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Abuso físico é um problema muito sério. Apesar disso, muitas vezes o diagnóstico é difícil e as estatísticas são subestimadas. Na faixa etária pediátrica, o problema parece ser bem maior do que se supõe. Estima-se que o número de abuso físico infantil seja dez vezes maior do que aquele que as estatísticas oficiais colocam.

Muitos desfechos negativos em crianças fisicamente abusadas são descritos na literatura, incluindo problemas a longo prazo, como gestação na adolescência, interrupção precoce da vida escolar e até mesmo, risco aumentado de se tornar um perpetrador de violência para seu parceiro íntimo e sua prole.

Apesar de existirem muitos estudos relacionando abuso físico infantil com desfechos negativos na vida adulta, a maioria desses estudos apresentam caráter retrospectivo, o que pode levar a inúmeros vieses. Os estudos prospectivos com essa temática, por sua vez, habitualmente focam em crianças inseridas em programas sociais ou acompanhadas por setores como os Conselhos Tutelares, o que também aumenta o risco de vieses, uma vez que essas crianças em geral são expostas à casos mais graves de violência.

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Desfechos de longo prazo do abuso físico infantil

Novo estudo prospectivo

Um interessante estudo dessa temática foi publicado em janeiro de 2021 na revista Pediatrics. Conduzido por um grupo de pesquisadores americanos, o trabalho é considerado inovador por avaliar duas comunidades de forma prospectiva, com o intuito de analisar se abusos físicos durante a infância podem predizer prospectivamente desfechos na vida adulta, particularmente na estabilidade econômica e educacional, saúde física e mental, uso de substâncias e comportamento criminoso.

As populações acompanhadas foram incluídas na coorte em 1987, 1988 e 1990, durante o momento de entrada na educação infantil, totalizando 1.048 crianças. Foram coletadas informações da vida pregressa com os pais das crianças, com acompanhamento realizado anualmente até os 20 anos e acompanhamentos periódicos após essa idade. De 2009 a 2011, os pesquisadores efetuaram novas entrevistas com os participantes do estudo (média de idade de 25,09 anos para uma das coortes e 24,52 anos para a outra). Além disso, os pesquisadores também efetuaram entrevistas com uma outra pessoa indicada pelo participante, que deveria conhecer bem o participante.

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A medida de abuso físico nos primeiros 5 anos de vida da criança foi avaliada a partir das entrevistas com os pais das crianças. Identificou-se como abuso físico situações com suspeita ou possibilidade de abuso ou em que autoridades foram envolvidas. Também foram feitas avaliações sobre o nível de estresse familiar e situação socioeconômica da família nos primeiros 5 anos de vida de cada participante. Esses dados foram usados para controlar os possíveis confundidores nas análises efetuadas.

Resultados

Com relação aos resultados, crianças que sofreram abusos físicos nos primeiros cinco anos de vida tiveram maior chance de necessitarem de serviços de educação especial, maior risco de repetir uma série escolar, maior risco de receber assistência financeira governamental nos últimos 12 meses, ter piores índices de saúde física, piores indicadores de saúde mental (aumento no risco tanto de distúrbios internalizantes quanto externalizantes, e de transtorno de hiperatividade e déficit de atenção), e maior risco de ter sido considerado culpado em algum problema legal nos últimos 12 meses. Indicadores como vida sexual, nível de felicidade e uso/abuso de substâncias não tiveram diferenças estatisticamente significativas em relação aos grupos.

Esse estudo vem a se somar a toda uma literatura existente que reforça sobre os malefícios do abuso físico em crianças. Muitos casos de abuso físico são perpetrados de forma leve, como medidas disciplinares, e não chamam atenção da sociedade, por vezes sendo inclusive reforçados por alguns grupos sociais. Sendo esse estudo de base populacional, ele enfatiza sobre o prejuízo desse tipo de abuso nas crianças e no seu futuro.

Cabe, portanto, a todos os profissionais que cuidam de crianças, com destaque para os pediatras, a abordagem das formas de educação não violenta com crianças pequenas. Ensinar os pais como abordar melhor seus filhos, sem perpetrarem castigos físicos para os pequenos, pode melhorar a longo prazo o desfecho dessas crianças ao se tornarem adultas.

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