Qual é a importância do controle glicêmico na terapia intensiva?

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Nos pacientes críticos, os guidelines atuais orientam que a glicemia capilar se mantenha entre 108-180mg/dl. Essas recomendações são bem estabelecidas pelo algoritmo NICE-SUGAR, que mostra redução da mortalidade quando a glicose se mantém nesses valores comparada a um controle glicêmico mais intenso (<108mg/dl).

A questão é, podemos ser mais liberais ainda? Principalmente naqueles pacientes com diagnóstico prévio de DM2? O racional é evitar hipoglicemias que podem ser gravíssimas nesse contexto sem acarretar risco de desfechos desfavoráveis em pacientes com potencial de gravidade elevado.

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Em um recente estudo realizado na Austrália, pesquisadores tentaram responder a essas perguntas. Trata-se do levantamento prospectivo realizado em uma UTI geral de 22 leitos, a duração foi de 15 meses e a pesquisa analisou de maneira sequencial 350 pacientes diabéticos que receberam controle glicêmico “padrão” versus 350 pacientes diabéticos que receberam controle glicêmico “mais liberal”. Os alvos eram 108-180mg/dl e 180-252mg/dl, respectivamente.

Os pacientes foram diagnosticados com diabetes do tipo 2 (>95%), 1/3 destes já usavam insulina, na sua maioria os pacientes eram do sexo masculino e possuíam algum grau de disfunção renal.

Conclusão

O controle “mais liberal” reduziu a variabilidade glicêmica (diminuindo a chance de hipoglicemias) sem piorar o desfecho clínico do paciente: disfunção renal, alteração leucocitária, mortalidade, tempo de ventilação mecânica e tempo de internação.

Limitações

Estudo prospectivo não randomizado, com poucos pacientes e principalmente não acompanhou a médio e longo prazo os indivíduos após a alta hospitalar.

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Autor:

Referências:

  • Luethi N et al. Liberal glucose control in ICU patients with diabetes: A before-and-after study. Crit Care Med 2018 Jun; 46:935 || https://doi.org/10.1097/CCM.0000000000003087
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