Qual o risco de distúrbios do neurodesenvolvimento em crianças expostas a antipsicóticos no pré-natal?

Pesquisa mostra que crianças expostas a antipsicóticos no pré-natal não apresentam risco aumentado para distúrbios do neurodesenvolvimento.

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Pesquisa mostra que crianças expostas a antipsicóticos no período pré-natal não apresentam risco aumentado para distúrbios do neurodesenvolvimento. Uma pesquisa publicada no JAMA Internal Medicine concluiu que crianças filhas de mulheres que utilizaram medicamentos antipsicóticos no final da gestação não demonstraram risco aumentado de distúrbios do neurodesenvolvimento.

Embora esses fármacos atravessem a placenta e os dados em animais sugiram potenciais efeitos neurotóxicos, as informações sobre a teratogenicidade do neurodesenvolvimento humano são limitadas. Dessa forma, o objetivo do estudo foi avaliar se crianças expostas no período pré-natal a antipsicóticos apresentam risco aumentado de distúrbios do neurodesenvolvimento (neurodevelopmental disorders – NDD).

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Qual o risco de distúrbios do neurodesenvolvimento em crianças expostas a antipsicóticos no pré-natal?

Metodologia

Foram utilizados dois conjuntos de dados prospectivos disponíveis publicamente — o Medicaid Analytic eXtract (MAX) e o IBM Health MarketScan Research Database (MarketScan). Ambos os conjuntos contêm dados sobre mães em atendimentos públicos e privados nos Estados Unidos, e seus filhos, que receberam até 14 anos de análise de acompanhamento.

A exposição consistiu em pelo menos uma dispensação de medicamento durante a segunda metade da gestação (período de sinaptogênese), avaliada para qualquer medicamento antipsicótico, em nível de classe (atípico e típico) e para os medicamentos mais usados (aripiprazol, olanzapina, quetiapina, risperidona e haloperidol).

Os desfechos e as medidas analisadas englobaram o transtorno do espectro autista (TEA), transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), dificuldade de aprendizagem, transtorno de fala ou linguagem, transtorno de coordenação do desenvolvimento, deficiência intelectual e transtorno comportamental. Essas condições foram identificadas usando algoritmos validados e o resultado composto de qualquer NDD. Os dados foram analisados de abril de 2020 a janeiro de 2022.

Resultados

A coorte MAX consistiu em 2.034.883 gestações não expostas e 9.551 gestações com 1 ou mais dispensações de medicamentos antipsicóticos entre mulheres com idade média de 26,8 anos, sendo que 204 (2,1%) foram identificadas como asiáticas/ilhas do Pacífico, 2720 (28,5%) como negras, 500 (5,2%) como hispânicas/latinas e 5.356 (56,1%) como brancas. A coorte MarketScan compreendeu 1.306.408 gestações não expostas e 1.221 gestações expostas entre mulheres com idade média de 33,1 anos. Os dados de raça e etnia não estavam disponíveis.

Embora os resultados não ajustados fossem consistentes com um risco aumentado de, aproximadamente, duas vezes para a maioria dos contrastes de exposição-resultado, os riscos não foram mais significativamente aumentados após o ajuste (por exemplo, razões de risco agrupadas não ajustadas versus ajustadas para qualquer NDD após qualquer exposição antipsicótica: 1,91 versus 1,08), com a possível exceção de aripiprazol (1,36). Os resultados foram consistentes em todas as análises de sensibilidade.

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Conclusões

Segundo os pesquisadores, “após contabilizar as indicações de tratamento e outros fatores de confusão potenciais, este estudo de coorte de nascimento de 3,4 milhões de crianças aninhadas em dados de utilização de cuidados de saúde em todos os Estados Unidos com até 14 anos de acompanhamento, não encontrou risco significativamente aumentado de NDD para exposição pré-natal a antipsicóticos, com a possível exceção da exposição ao aripiprazol”.

Os achados do estudo fornecem clareza muito necessária em relação ao risco de NDD e podem ajudar a informar a tomada de decisão sobre o tratamento na gravidez, pesando riscos e benefícios. Os benefícios do tratamento antipsicótico para gestantes com doença mental grave são indiscutíveis.

Apesar do aumento de 2 vezes observado no risco de NDD não esteja causalmente relacionado com a exposição in utero a drogas antipsicóticas, ele destaca a importância da monitoração do neurodesenvolvimento da prole de mulheres com doença mental para garantir que a intervenção e o apoio precoces possam ser instituídos quando necessário.

Comentário

No artigo, os pesquisadores sugerem que características maternas, como indicações de tratamento, comportamentos de estilo de vida, demografia e taxa de pobreza, podem justificar a incidência de NDD. Com relação ao aripiprazol, cujos desfechos foram diferentes, existe a hipótese de que o fármaco possa causar problemas na lactação, pois gera diminuição da prolactina. Infelizmente, informações acerca do aleitamento materno não foram incluídas e analisadas. De todo modo, esse estudo permite que o tratamento antipsicótico em gestantes possa ser feito com mais segurança.

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# Straub L, Hernández-Díaz S, Bateman BT, et al. Association of Antipsychotic Drug Exposure in Pregnancy With Risk of Neurodevelopmental Disorders: A National Birth Cohort Study. JAMA Intern Med. 2022;182(5):522–533. DOI: 10.1001/jamainternmed.2022.0375