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Quando a mente deixa o corpo: Uma reflexão sobre morte cerebral

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250-BANNER6No dia-a-dia dos centros de terapia intensiva médicos atuam no tratamento de pacientes graves com objetivo manter viva a esperança de famílias em não perder os seus entes queridos. Com os avanços tecnológicos em terapia intensiva, diversos são os mecanismos adotados a cada dia para garantir o funcionamento dos órgãos vitais dos pacientes internados.

Porém, e quando já não existe mais atividade cerebral compatível com a vida? A incapacidade do retorno a atividade cerebral que permite falar, expor sentimentos, guardar lembranças, executar desejos, condena o básico de sermos quem somos.

A determinação de morte envolve o lado científico médico e o lado filosófico/teológico de cada um. Onde compadecemos da ideia de ser, como descrito acima, com funções fisiológicas básicas, homeostase e reprodução celular.

O conceito de coma irreversível foi introduzido em 1959 por Mollaret e Goulon, sendo os primeiros critérios avaliados em 23 pacientes para determinar morte cerebral. Em 1968 um comitê de médicos e professores de Harvard estabeleceu como morte cerebral a “perda completa e irreversível das funções do tronco cerebral”.

Desde então comissões ao redor do mundo estabelecem o protocolo para determinação da morte cerebral. Essa padronização visa não só uma compreensão científica, relacionamento familiar, mas principalmente a possibilidade da doação de órgãos. A execução de boas práticas neste tema pode não só auxiliar em uma tomada de decisão parte de familiares que estão passando por uma situação difícil, como permite a tomada de decisão em transplantar um paciente no momento certo. É a vida em continuidade através do órgão de alguém que faleceu salvando a vida de outra ser humano.

 Importância das boas práticas de determinação da morte cerebral:

Uma recente pesquisa publicada no Journal of American Academy of Neurology com especialistas em 91 países, utilizando guideline 2010 como padrão de definição de morte cerebral apresentou resultados alarmantes sobre os protocolos de determinação de morte cerebral, principalmente em países subdesenvolvidos:

  • 77% dos participantes utilizavam um protocolo de morte cerebral, entretanto apenas 70% destes estão de acordo com a referência do estudo, considerada o melhor guideline para determinaçã
  • Em países mais pobres era menos frequente o uso de protocolos institucionais de avaliação da morte cerebral. 22% dos países subdesenvolvidos contra 97% dos países desenvolvidos.

Adotar protocolos internacionais e realizar o treinamento dos profissionais de saúde influenciará diretamente na melhor qualidade e eficácia em determinar a morte cerebral no momento certo. Permitindo ao médico preparar a família, confortar e informar sobre o ocorrido.

Este posicionamento impactará de maneira positiva a execução dos protocolos de transplante de órgãos trazendo maior segurança as famílias e aumentando as chances de sobrevida dos pacientes que aguardam nas longas filas de transplante.

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Quando o coração ainda bate, as extremidades ainda são quentes e a pele está corada, porém a mente já se foi deixamos de ser quem somos para quem amamos. Nos tornamos lembrança positiva após a partida. O racional da morte cerebral contrasta com o passional do afeto de familiares e entes queridos no momento do adeus. Porém, permite alimentar a esperança de outros familiares e entes queridos em manter vivo receptores de órgãos doados.

———

Why Brain Death Should Be a Legal Fiction- Seema K. Shah, JD – September 23, 2013 – www.medscape.com

Death of the Brain Is Not the Death of the Human Being – Charles C. Camosy, PhD – September 23, 2013 – www.medscape.com

Brain death declaration: Practices and perceptions worldwide. – Neurology

Wahlster S1, Wijdicks EF1, Patel PV1, Greer DM1, Hemphill JC 3rd1, Carone M1, Mateen FJ2.

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