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paciente e médico analisando exame

Raciocínio clínico diagnóstico: por que estudar?

Tempo de leitura: 3 minutos.

O diagnóstico correto é a primeira etapa do trabalho do médico, e é indispensável para oferecermos um tratamento de qualidade para qualquer paciente. Embora nenhum médico queira errar, isso acontece – e é mais frequentes do que se imagina! Em média, cerca de 1 em cada 7 diagnósticos está errado.

Entender por que erros diagnósticos ocorrem na Medicina é um passo fundamental se quisermos criar estratégias para reduzir o risco de erros. Esse é um dos principais motivos para estudarmos os processos mentais de raciocínio clínico diagnóstico.

OS TRÊS PILARES DO DIAGNÓSTICO

Não se engane: diagnosticar doenças é uma tarefa difícil.

Existem quase 13 mil doenças conhecidas na espécie humana – e todas se manifestam através de pouco mais de 200 sintomas! Um mesmo sintoma (ou conjunto de) pode ser a apresentação de dezenas, ou centenas, de doenças. E, da mesma forma, uma mesma doença pode se manifestar de maneiras diferentes em pessoas diferentes.

Para fazer diagnósticos com segurança, o médico precisa de três requisitos essenciais. São os pilares do diagnóstico:

1) Coleta de dados – o médico precisa colher informações do paciente – o que nem sempre é uma tarefa fácil – e selecionar os dados mais relevantes, sejam eles sintomas, alterações do exame físico ou anormalidades em exames laboratoriais ou de imagem;
2) Conhecimento de doenças – o médico precisa conhecer bem as doenças mais prevalentes na população que atende, inclusive sabendo reconhecer suas principais variantes;
3) Raciocínio clínico – finalmente, o médico precisa desenvolver um processo mental de raciocínio que o ajude a encontrar, no seu repertório de doenças conhecidas, alguma que seja uma boa explicação para os sintomas do paciente.

Ou seja: o raciocínio clínico é a grande ponte que liga as outras duas partes dessa equação. São os processos mentais de raciocínio diagnóstico que conduzem o médico do seu ponto de partida (os dados da história clínica do paciente) ao final do processo diagnóstico (o reconhecimento de uma determinada doença).

Por isso, é indiscutível a importância do raciocínio clínico para o diagnóstico. De fato, estudos mostram que a maior parte dos erros diagnósticos ocorre exatamente nesta etapa crítica: o raciocínio do médico.

raciocinio clinico

IMPORTANTE, MAS INVISÍVEL

Esta é uma limitação profunda da formação médica atual: ignorar os processos mentais do raciocínio clínico diagnóstico.

Todas as escolas médicas têm um currículo recheado de atividades para desenvolver no aluno as primeiras duas etapas do diagnóstico: o conhecimento das doenças (a ciência clínica) e a coleta de dados (a semiologia). No entanto, pouquíssimas escolas oferecem atividades desenhadas especificamente para discutir e desenvolver os aspectos essenciais do raciocínio clínico.

Um teste rápido: você já ouviu falar, em algum momento da sua formação médica, de como a cabeça do médico funciona? Da teoria do processamento dual? Das causas mais comuns de erros diagnósticos, ou como preveni-los? Dos vieses cognitivos? Do fechamento prematuro?

Se você conhece esses termos, parabéns! Você conhece os fundamentos do raciocínio clínico melhor que a maioria dos seus colegas. Se nunca ouviu falar disso, é uma pena! São assuntos importantíssimos para ajudar a entender como os médicos pensam e fazem diagnósticos, e, consequentemente, para ajudar a reduzir o risco de erros diagnósticos.

COMO APRENDER SOBRE RACIOCÍNIO CLÍNICO?

Os fundamentos do raciocínio clínico diagnóstico são um assunto tão importante e fundamental que deveriam ser abordados desde o primeiro dia do curso de Medicina, em todas as faculdades – ou até antes! Ainda não vivemos essa realidade, mas esperamos muito que isso venha a mudar num futuro próximo.

Cada vez mais os educadores médicos estão se convencendo da importância de incluir o raciocínio clínico sistematicamente na formação médica, tanto de graduação como de pós-graduação. Enquanto isso não acontece, resta ao aluno ou médico interessado em raciocínio clínico tomar a iniciativa de buscar fontes para ler e estudar sobre o assunto.

Existem ótimos livros para quem quiser adquirir um conhecimento básico a respeito do raciocínio clínico diagnóstico. Duas boas sugestões são:

– “Como os Médicos Pensam”, do Dr. Jerome Groopman;
– e “Todo Paciente tem uma História para Contar”, da Dra. Lisa Sanders (consultora técnica da famosa série de TV “House”).

E não podemos deixar de sugerir o nosso blog Raciocínio Clínico! Lá você vai encontrar vários textos, revisões e casos clínicos comentados, todos com o objetivo de debater os fundamentos do raciocínio clínico diagnóstico de uma maneira informal, prática e embasada em evidências. E tem mais: você pode inscrever-se como assinante e baixar na hora os nossos e-books gratuitos. Não deixe de conhecer! (E, se gostar, compartilhe com seus amigos!)

Autor:

Leandro Arthur Diehl
Administrador do blog Raciocínio Clínico (http://raciocinioclinico.com.br/)

2 Comentários

  1. Roberto Dultra

    Excelente alerta!

  2. UBIRATAN ROSA PASSOS

    VALEU! REALMENTE, É ISSO QUE ACONTECE. VOU ADQUIRIR OS LIVROS.

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