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Radiação no CTI: estamos atentos a esta exposição?

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Os pacientes em terapia intensiva são frequentemente submetidos a múltiplos estudos radiológicos. Na literatura médica, são indiscutíveis os efeitos nocivos da exposição à radiação. Devemos nos preocupar com a dose de radiação que o paciente recebe em episódios isolados de internação? Recentemente, foi publicado um estudo observacional retrospectivo na revista CHEST, que avaliava a intensidade de exposição dos pacientes internados em uma unidade de terapia intensiva.

Nesse estudo, foi calculada a dose cumulativa efetiva (DCE) de radiação em um episódio único de internação em CTI. A hipótese inicial era de que pacientes com escores elevados de gravidade (APACHE 3) receberiam doses maiores de radiação. Além disso, foram avaliadas variáveis preditoras de exposição a radiação maior que 50mSv (dose ocupacional limite nos Estados Unidos) e maior ou igual a 100 mSv (limite cumulativo em 5 anos).

Foram incluídas nos estudo todas as admissões de adultos (n = 4.155) no CTI entre janeiro/2013 e dezembro/2013. Nos resultados, foi visto que 3% das admissões (n = 131) acumularam DCE ≥ 50mSv; 1% (n = 47) apresentou DCE ≥ 100 mSv. Foram preditores de maior DCE: maior escore APACHE 3, maior tempo de permanência no CTI, sepse, distúrbios gastrintestinais e sangramento.

O estudo concluiu que os pacientes no CTI são expostos a doses de radiação substanciais, excedendo limites ocupacionais anuais federais e, em um subconjunto selecionado, excede > 100 mSv.

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Em um outro estudo feito com profissionais da saúde, 79% dos médicos subestimaram incorretamente a contribuição dos testes nucleares e radiológicos na exposição média de um indivíduo, ao responderem um questionário. A ausência de níveis de notificação, orientações, medidas regulamentares de segurança e limites máximos de dose de radiação, por episódio de cuidado, provavelmente refletem e contribuem para a falta de noção do médico a respeito dos riscos de excesso de exposição dos pacientes.

Embora os pesquisadores não tenham avaliado ou previsto os potenciais efeitos adversos a longo prazo da exposição à radiação, recomenda-se o uso criterioso de recursos radiológicos. Algumas propostas interessantes para ajudar o médico a avaliar o custo-benefício dos exames são: monitoramento proativo de DCE com exibição em tempo real e ferramentas para monitorar a exposição prospectivamente por episódio de atendimento clínico.

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