Ranking de eficácia das máscaras protetoras de SARS CoV-2

Tempo de leitura: 3 min.

No dia 11 de março de 2020, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que a doença causada pelo SARS CoV-2 se tratava de uma pandemia. Diversas medidas de contenção da propagação da doença foram tomadas em diversos países. Entre todas as medidas, uma está presente em todos os países: o uso de máscaras protetoras faciais por pessoas doentes e saudáveis.

Em setembro de 2020, Fischer e colaboradores, publicaram no periódico Science Advances o artigo intitulado: “Low-cost measurement of facemask efficacy for filtering expelled droplets during speech[1]“ cujo objetivo era comparar a eficácia dos mais diferentes tipos de máscara na redução da dispersão de gotículas respiratórias. No estudo foi utilizado um método de medição ótica com auxílio de um software, onde foram testados 14 tipos de máscaras diferentes.

As máscaras protetoras

  1. Máscara cirúrgica com 3 camadas;
  2. Máscara N95 com válvula exalatória;
  3. Máscara de malha;
  4. Máscara de polipropileno de duas camadas;
  5. Máscara com três camadas: algodão, polipropileno-algodão (recomendada pela OMS e detalhada aqui);
  6. Máscara Máxima AT de uma camada
  7. Máscara plissada de algodão em duas camadas;
  8. Máscara de algodão de duas camadas, estilo Olson;
  9. Máscara plissada de algodão de duas camadas;
  10. Máscara plissada de algodão de uma camada;
  11. Pescoço gaiter/balaclava;
  12. Bandana de camada dupla;
  13. Máscara plissada de algodão de duas camadas
  14. Máscara N95 sem válvula exalatória
  15. Faixa do material da máscara, polipropileno

Resultados

Os resultados mostraram variações da passagem de 0,1% (máscara N95 sem válvula exalatória) a 110% (pescoço gaiter/balaclava), sendo este último pior do que usar proteção facial nenhuma.

Foi possível estabelecer um ranking de eficácia entre os diferentes modelos de máscaras faciais. As máscaras N95 sem válvula exalatória, cirúrgica e a máscara de algodão-polipropileno-algodão foram as que demonstraram os resultados mais satisfatórios. Vale ressaltar que, embora a máscara N95 com válvula exalatória proteja o usuário, não impede que esse transmita o novo coronavírus para outras pessoas. Segue abaixo o ranking.

  1. Máscara N95;
  2. Máscara cirúrgica;
  3. Máscara com 3 camadas: algodão, polipropileno, algodão;
  4. Máscara de polipropileno de duas camadas;
  5. Faixa do material da máscara, polipropileno;
  6. Máscara plissada de algodão de duas camadas;
  7. Máscara plissada de algodão em duas camadas;
  8. Máscara N95 com válvula exalatória;
  9. Máscara de algodão de duas camadas, estilo Olson;
  10. Máscara Máxima AT de uma camada;
  11. Máscara plissada de algodão de uma camada;
  12. Máscara plissada de algodão de duas camadas;
  13. Máscara de malha;
  14. Bandana de camada dupla;
  15. Nenhum item de proteção;
  16. Pescoço gaiter/balaclava.

Os autores afirmam que o estudo teve limitação metodológica, pois a câmera só conseguia captar gotículas > 5 μm, entretanto é suficiente para se ter uma análise parcial da comparação da efetividade dos diferentes modelos de máscara.

Destacamos que, em situações em que evitar aglomeração não seja possível (como transporte público, por exemplo), é indicado o uso de máscara N95 sem válvula exalatória, pois oferece ótima proteção ao usuário e às pessoas que encontram-se próximas a eles.

Autor:

Referência biblográfica:

  • Fischer EP, Fischer MC, Grass D, Henrion I, Warren WS, Westman E. Low-cost measurement of face mask efficacy for filtering expelled droplets during speech. Sci Adv 2020;6:eabd3083. https://doi.org/10.1126/sciadv.abd3083.

 

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Publicado por
Juan Carlos Silva Araujo

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